Representação da Confraria do Bucho Raiano

Isidro Alves Candeias - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

No passado dia 12 do corrente mês, acompanhado de minha mulher, representei a Confraria junto da sua congénere Confraria do Cabrito na Brasa – Sabugal, por ocasião do seu II Capítulo, que teve lugar no Casteleiro – Sabugal.

Fotografia de família

Ao entrarmos na localidade, ancestral, rica e brasonada aldeia, que se estende ao longo da Estrada Nacional 18–3, no trajeto Caria – Terreiro das Bruxas, que a atravessa, parámos o carro e perguntámos a uma moradora onde era a Junta de Freguesia.

A resposta veio rápida com um: “Mas olhe que hoje é sábado, está fechada”.
Explicado ao que íamos, lá nos indicou, dizendo “Os Senhores vão sempre em frente até um largo onde estão uns bancos de pedra. Aí viram à direita e seguem. Passado um pouco viram à esquerda que a Junta é logo ali. Expliquei bem?”

Explicou, sim Senhora. Muito obrigado.

E, de facto, explicara.

O representante da Confraria do Bucho Raiano com o estandarte

Foi com agradável surpresa que constatámos a presença de, pelo menos, mais oito confrades e uma confreira da Confraria do Bucho Raiano, sendo que três desses confrades vieram a ser entronizados, pelo que, ao que sabemos, terão passado a integrar ambas as Confrarias.

O Senhor Presidente da Junta de Freguesia do Casteleiro, Dr. António Marques, que também veio a ser entronizado confrade, a todos recebeu na sede da Junta, depois tomou parte na mesa do Capítulo, com novos votos de boas vindas e, mais tarde, foi o competente guia na sábia e segura apresentação de lugares icónicos do Casteleiro, como a riquíssima Igreja Matriz e a Capela do Espírito Santo.

A mesa capitular

Na ausência do Pároco do Casteleiro, coube ao Pároco do Sabugal, Sr. Pe. Manuel Igreja, proceder à bênção dos trajes/insígnias dos entronizandos.

Também presentes o atual e o anterior Presidente da União de Freguesias do Sabugal e Aldeia de Santo António, o anterior acompanhado da Esposa.

Juntamos uma foto, não oficial, de família, na qual se pode ver o estandarte da nossa Confraria e, também, a foto, possível, dos seus elementos, que, para o efeito, conseguimos juntar.

Com o conhecimento e concordância do Sr. Chanceler, para, juntamente com a prenda, a entregar na habitual troca, entregarmos também à Confraria anfitriã um poema alusivo à situação, bem como a entrega de um exemplar do mesmo aos Representantes das demais Confrarias, apresentámos a ideia à Chancelaria da Confraria do Cabrito na Brasa – Sabugal.

A troca de oferendas

O Chanceler da mesma, Dr. Alexandre Gonçalves, acolheu de imediato a ideia e entendeu que, tratando-se de uma prenda nossa, deveríamos ser nós a proceder à sua entrega, durante o tempo do almoço e após a habitual troca, disponibilizando-se para nos acompanhar, para tal efeito, a cada uma das mesas dos Representantes das demais confrarias ali presentes.

Foi o que veio a verificar-se, com a entrega de um exemplar a cada Representante e, de acordo com as disponibilidades, a entrega a outros confrades e confreiras, incluindo os pertencentes à nossa Confraria e ali presentes, como já referido.

O poema original é sobejamente conhecido, porque estudado e mesmo decorado ou, pelo menos, lido nos bancos (aliás, carteiras) da Escola do Ensino Primário Elementar – IV Classe, na década de 50 do século passado.
A responsabilidade da adaptação para o campo confrático cabe a quem a concebeu, a pôs no papel e a subscreveu.

Eis o texto do mini-guião entregue:

PORTUGAL

Pus-me um dia a percorrer
Este lindo PORTUGAL,
Pois queria ver, sentir
Seus encantos sem igual.

Fui e vi campos no Minho
Sempre mimosos e frescos,
E vi gentes minhotas
Com seus trajos pitorescos.

Em Trás-os-Montes alpestres,
Com os seus vales sombrios,
Vi águas dos altos montes
Despenharem-se nos rios.

E no Douro verdejante,
Com seus vinhedos e choupais,
Ouvi rouxinóis à noite
Cantar suspiros e ais.

Nas acidentadas Beiras
Vi brilhar a branca neve,
Perto das “Penhas Douradas”,
Onde o ar é já mais leve.

P’ra bom Cabrito na Brasa
Dei um salto ao Casteleiro,
A representar o Bucho Raiano,
Em manjares o primeiro.

Percorri a Estremadura,
Que lindas e férteis campinas,
Onde cresce o louro trigo
E pastam vacas turinas!

No Alentejo vi as messes
Ondeando como o mar,
E muitas casinhas brancas
Como noivas a noivar.

E mais ao sul, no Algarve,
Terra das amendoeiras,
Vi os quentes, doces frutos
Que pendem lá das figueiras.

Mas não para aqui o encanto,
Que deslumbra o meu olhar.
Vamos, meu coração, vamos
Para as Terras de além-mar.

Onde os Açores emergem,
Como pérolas mimosas
E onde a Ilha da Madeira
Tem o perfume das rosas.

E por sua formosura
É a “Princesa dos mares” …
Mais adiante, outros Povos,
Que agora são nossos pares.

De quanto vi e comi,
Trouxe uma impressão final:
Bom Bucho e bom Cabrito
É em terras do Sabugal.

Aromas e Sabores Raianos
São também um prato forte.
Ficam ali na fronteira,
Mas um pouco mais a norte.

As demais Confrarias
Saúdo todas em geral,
Pois que suas iguarias
Deliciam Portugal.

Poema PORTUGAL, in Livro Ensino Primário Elementar – IV Classe – por Manuel Subtil, Cruz Filipe, Faria Artur e Gil Mendonça, Livraria Sá da Costa – Editora, aprovado oficialmente, 69ª. Edição, 1950.
(adaptação para o campo confrático)

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Ecos, artigo de Isidro Candeias

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