À terceira é de vez!

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Hoje vou falar sobre o próximo Fórum de Empreendorismo e Inovação da Guarda, a realizar no próximo dia 26 de outubro de 2019, no café do TMG, sobre a questão da sustentabilidade. Tem sido um tema muito abordado nas minhas crónicas e não faria sentido de não publicitar este evento na nossa região, agora que um novo ciclo político vai começar. Estes temas são transversais e, felizmente, passou a estar na agenda do dia a dia de empresas, autoridades, escolas, e muitos setores da sociedade. O painel de oradores é variado e de vertentes distintas, do ponto de vista profissional, o que seguramente abrirá portas a debates interessantes e ajudarão o auditório a ficar com uma opinião própria, mas fundamentada. Por esse motivo convido os leitores e leitoras a procurarem passar um dia diferente, apresentando na crónica de hoje um resumo dos temas que serão abordados.

Fórum de Empreendorismo e Inovação da Guarda

Fórum de Empreendorismo e Inovação da Guarda

O painel do e-Inovação – Fórum de Empreendorismo e Inovação da Guarda tem dois grandes oradores. Um mais ligado à ciência e outro ao ambiente, o Prof. Carvalho Rodrigues e o Prof. Francisco Ferreira, respetivamente. A abertura será pelo Presidente da Câmara Municipal da Guarda, o que demonstra o interesse do tema por parte das autoridades locais.

O jornalista Fausto Coutinho, natural da Guarda, será o moderador, ou seja, na realidade o designado «mestre de cerimónias», fazendo perguntas aos oradores no momento, tornando o evento muito mais dinâmico do que um congresso ou seminário convencional.

Haverão outros ligados a empresas, à política, mas abordando a temática em questão. Destaco a visão que o próprio Município da Guarda tem sobre o futuro da gestão dos recursos hídricos, onde existem diversas entidades, que na minha opinião, em nada ajudam à resolução do cerne do problema, atendendo às múltiplas zonas de fronteira que acabam por desresponsabilizar os responsáveis.
Mas há mais vida para além da água e empresas como a EDP, os cafés Delta, um no que toca à energia verde e outro no problema do futuro que é a alimentação, terão igualmente um contributo muito interessante sobre o enquadramento do tema.

Convém relembrar que o WFP, o Programa Alimentar das Nações Unidas, prevêem para o ano 2050, só na América Latina e nas Caraíbas, mais 1,4 milhões de crianças com problemas de nutrição, elevando o número para 6,4 milhões, atendendo à redução drástica de áreas cultiváveis, em cerca de 5%, provocadas pelas alterações climáticas, estimando-se que cada pessoa, nesta região do mundo, consuma menos 300 calorias diariamente, por indisponibilidade de oferta alimentar.

As Nações Unidas criaram um Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC), onde foram apresentadas as seguintes conclusões, nomeadamente, o crescimento da frequência e intensidade de desastres naturais, fenómenos extremos no que respeita à chuva, como secas, cheias ou furacões, a subida do nível médio do mar, contribuindo para a contaminação de áreas cultiváveis e a salinização de água potável, através da intrusão salina, afetação da produção agrícola devido às dificuldades de planeamento das culturas em face destas alterações climáticas, nas regiões áridas e semiáridas, onde Portugal progressivamente começa a surgir, a qualidade e disponibilidade da agua vai diminuindo, e o problema mais grave são as doenças que surgem por má nutrição e problemas de escassez de água, sendo que muitas delas são transmitidas aos humanos pelos animais, como o caso do Ébola.

Mesmo que muita gente pense legitimamente que todos estes fenómenos são normais e aconteceram no passado, a resposta é simples: sim, mas não com esta taxa de crescimento, ao ponto de criar problemas graves à humanidade, nomeadamente a própria alimentação, num futuro relativamente próximo.

Obviamente que soluções serão encontradas e pessoalmente acho que a Europa até tem sido o «motor» da consciência política, mesmo sabendo os lobbies que travam a todo o custo reformas importantes, principalmente na indústria química, incluindo a farmacêutica.

Por estes, e outros temas, acho que vale a pena ouvir a assistir a este III Forum, organizado por gente do Interior, promovido por empresas do Interior, apoiado por entidades do Interior, mostrando que também no Interior as preocupações do nosso futuro são debatidas. E com tanta ou mais genuinidade que em muitos outros locais.

Guarda, 11 de outubro de 2019

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«No trilho das minhas memórias», crónica de António José Alçada

2 Responses to À terceira é de vez!

  1. José Geraldes diz:

    Boa notícia. Também é assim que o Interior se dinamiza e contribui para ser considerado nas reformas importantes que contribuem para a melhoria global do País. Obrigado pelo artigo.

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