Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (37)

Franklim Costa Braga - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Toda a gente gosta de mostrar aos amigos uma foto tirada algures longe da morada. Organizam-se excursões para visitas cá e lá fora, com viajantes que, por vezes, mal têm para comer. Mas, como é moda, toda a gente viaja.
>> ETAPA 37 >> PAQUISTÃO, OLIVENÇA E RÉGUA.

Mapa do Paquistão

Mapa do Paquistão


II – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 90

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1992 – Entre 12 de Julho e 17 de Agosto

3.ª Parte (08.08 a 17.08) – PAQUISTÃO

Curiosidades
Viagem tratada pela Agência Abreu. Custo da viagem e hotéis = 563.000$00.

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>> 08.08.1992 >> O comboio parou novamente na fronteira paquistanesa. Outras bichas para o passaporte. Nada de malas. Uma hora depois, pelas 16:00 horas, estava eu em Lahore, capital da província do Punjab, que alcançou a sua glória no tempo do imperador mongol Akbar, o Grande. Esperavam-me e levaram-me ao hotel Falettis, quarto 1, razoável, comprido, do tipo suite. Banho. Visita a pé ao centro da cidade. Comi bem no Salt & Piper, com água natural. Regresso ao hotel às 19:00 horas. Vi televisão e deitei-me às 20:00 horas.

>> 09.08.1992 >> Deixei-me dormir de manhã. Fui tentar visitar a parte velha. Uma trovoada de noite inundou a cidade, a ponto de não se conseguir entrar na parte velha. Tudo inundado. Almoço no hotel. Veio o homem da agência com os bilhetes de avião. De tarde aluguei um rikchó e fui ver o forte e a grande Mesquita Badshahi. Depois outra mesquita e dois bazares. Regressei ao hotel. Comprei um melão, que foi o meu jantar. Deixei-me dormir e depois já não saí mais. Televisão e cama às 22:00 horas.

Franklim na Mesquita Masjid Mahabat Khan, em Peshawar

Franklim na Mesquita Masjid Mahabat Khan, em Peshawar

Franklim à entrada do Museu de Peshawae

Franklim à entrada do Museu de Peshawae

>> 10.08.1992 >> Partida às 07:15 horas para o aeroporto, depois de resolvido o problema de quem pagava a conta do hotel, eu ou a agência. Eu tinha vouchers, que eles não queriam aceitar. Avião do Pakistão a horas, 08:45 horas para Peshawar. Viajei ao lado dum casal italiano, dum grupo de Milão. Estavam à minha espera em Peshwar. Hotel Dean’s, da mesma cadeia que o Falettis, quarto 50.

Lembrava Haparanda. Ida de autocarro à procura de autorização da polícia para ir a Darra e Khyber Pass. Passeio pela cidade velha. O forte não se podia visitar. Estava ocupado pela tropa.

Mais um passeio pela cidade velha, com visita da Mesquita Masjid Mahabat Khan. Comi carneiro num restaurantezeco pior que taberna, onde até tinha receio de beber água da torneira. Hotel. Televisão e Cama.

>> 11.08.1992 >> Já com a autorização da polícia, que tive de pagar, fui de táxi até Darra, acompanhado de um pershmerga armado. Disse aos militares que não precisava do polícia, a quem julguei que tinha de pagar, mas eles impuseram-mo. Já em Darra, onde cada casa era uma fábrica de armas de todo o tipo e marcas, continuei a dizer ao guarda que se podia ir embora, o que ele não fez. Tiroteio nas ruas. Eram os fabricantes que, das janelas, atiravam para o ar a experimentar as armas. Só então percebi a necessidade do pershmerga. Estes fabricantes de armas haviam sido ensinados pela CIA no tempo em que os soviéticos ocupavam o Afeganistão. Continuei viagem até ao Khyber Pass, sempre acompanhado dum pershmerga, ou milícia local, apesar da autorização escrita. Passagem por vários postos de controlo. Mesmo no mercado, à beira da estrada, havia muitos pershmergas com metralhadoras e cartucheiras cruzando o peito. Pareciam Pancho Villa do México. Várias aldeias nos montes, com um rio em baixo, a lembrar Marrocos. No alto dos montes, debaixo duma palhota, havia sempre um pershmerga armado. Estive na fronteira do Afeganistão nas montanhas do Khyber Pass com um casal francês, a Nathalie. Eram montanhas todas cheias de cavernas, onde se haveria de esconder mais tarde Bin Laden e os seus talibãs. De tarde dormi até às 17:00 horas. Depois fui à cidade velha e comi Kebab no Salateeus, onde encontrei um casalito canadiano. Deitei-me às 21:30 horas.

Franklim com o pershmerga armado por cima das cavernas de Bin Laden

Franklim com o pershmerga armado por cima das cavernas de Bin Laden

Franklim no Kyber Pass, na fronteira Rakistão/Afeganistão

Franklim no Kyber Pass na fronteira Rakistão/Afeganistão

>> 12.08.1992 >> Avião paquistanês de Peshawar para Islamabad às 08:15 horas. Tudo a postos. Só que andei todo o dia com dor de dentes. Tive de arrancar um dente ou a sua coroa à unhada. Tinha visto um dentista com uma cadeira debaixo de uma árvore em Karachi e isso levou-me a não procurar dentista. Fiquei no hotel Flashman’s, quarto 47. Fraco. Passei para o n.º 45, porque se partiu a chave. Fui até à cidade velha num minibus. Comi por lá galinha e arroz. Vim até ao hotel. Fazia um calor tremendo. Dormi duas horas. Às 17:00 horas fui à PIA reconfirmar os bilhetes. Perdi uma hora para nada. Passeei pela cidade e incorporei-me na procissão xiita em honra de Ali, o genro de Maomé, que casara com sua filha Fátima. Os xiitas são uma minoria no Paquistão sunita. Levavam diversos estandartes. Flagelavam-se todos em público com azorragues, até deitarem sangue, sobretudo pelas costas e peito, mostrando orgulho nisso. Jantei nos burgers e fui para o hotel.

Procissão xiita em Islamabad

Procissão xiita em Islamabad

>> 13.08.1992 >> Adoentado por causa do ar condicionado do hotel, mal me mexia. Fui até Islamabad, a capital actual do Pakistão. Nada a ver. Floresta entre Islamabad e Rawalpindi, distantes poucos quilómetros. Regressei uma hora depois. Dormi. Pelas 17:00 horas fui ver carpetes. Jantei no Fast-food. Deitei-me cedo. Dormi bem.

>> 14.08.1992 >> Feriado Nacional no Pakistão. Fui até Taxila, cidade conquistada por Alexandre Magno. Um problema para chegar às ruínas, pois nem todos as conheciam. Fiquei ensopado em suor. O mosteiro fica num monte. Anda-se a pé cerca de um quilómetro, depois de mais sete em minibus após Taxila. Apanhei boleia de bicicleta com um rapaz, um chato com quem visitei as ruínas. Regressei pelas 14:30 horas. Banho. Comi sopa mais dois pêssegos e descansei. O autocarro que me trouxe não veio ao mesmo lugar. Apanhei outro (um problema). Em Rawalpindi adoeci e um comerciante árabe, que me viu sentado numas escadas, deu-me um chá. Andei nos mini-autocarros deles, bonitos. Os homens não podem sentar-se nos bancos das mulheres. Havia compartimentos diferentes para homens e para mulheres. Como eu estava doente, deixaram-me sentar junto das mulheres.
Em Peshawar fiquei no hotel Ritz. Uma espelunca, em pavilhões. Quarto enorme com o ar condicionado fortíssimo, que quase me fez apanhar uma pneumonia.

>> 15.08.1992 >> Fui comprar o tapete (100$) e um patinho de madeira (35 rupias), que o meu cachorro Tivoli me havia de roer uns anos mais tarde. Pelas 11:00 horas fui para o aeroporto, onde conheci os milaneses Nicola, Maria e Cláudia. Paragem em Lahore. O avião paquistanês atrasou e foi mesmo uma sorte conseguir embarcar em Lahore para Delhi, a correr. Em Delhi estavam à minha espera. Hotel Imperial, quarto 23. Bom. Conheci duas portuguesas e um português, o dr. Oliveira, a residirem em Macau. Elas eram enfermeiras. Fomos às danças e jantámos no hotel. Eles foram à discoteca. Eu fui para o quarto às 22:00 horas. Afinal, não houve disco. Preparei malas.

>> 16.08.1992 >> Levantar às 08:00 horas. Arranjar malas. Dei um passeio em Nova Delhi e troquei numa loja os meus sapatos acastanhados, de borracha amarela por baixo, por uma caixa de arroz prensada e comprei uma flauta por 100 rupias, quando um chato, na rua, começou por pedir 200 ou mais, seguindo-me pelo passeio, sem me largar. Choveu imenso toda a manhã. As lojas estavam todas fechadas. Regresso ao hotel, mudei a camisa toda molhada. Deixei o quarto e pus as malas no porteiro. Fui almoçar ao Wimpies. Fui dar um passeio enorme. Visitei um templo sikh, igreja católica, palácio presidencial, arco de triunfo e jardins e regressei ao hotel pelas 16:00 horas. Procurei a casa da Moni, mas o n.º 32 era uma loja fechada. Encontrei três moças israelitas no jardim, com quem conversei mais de hora e meia. Escreveram-me o alfabeto hebraico. Regressei ao hotel. Ainda comprei mais uma pintura em tecido. Fui comer algo aos Wimpies. Hotel. Espera umas duas horas pelo táxi (11:00 horas). Entretanto, o meu falso Rolex parou. Partida para o aeroporto. Longa espera. Conversa com a Francis, professora inglesa em Oxford. Partida a horas. Não houve problema com as malas, que pesavam 27,5 kgs, fora dois sacos que levei comigo, que pesavam mais de 10 kgs. Viajei num avião da Lufthansa entre um sikh e um indiano que roncava. Dormi razoavelmente. Serviram-nos algo para comer e bebi vinho branco e whisky (aleluia!).

>> 17.08.1992 >> Saída de Nova Delhi para Frankfurt, com chegada pelas 08:15 horas. Check-in. A bagagem havia sido despachada para Lisboa. No avião da Lufthansa deram pequeno-almoço. Para recordação, fiquei com dois talheres e uma manta. Espera de cinco horas no aeroporto, mas recostado numa cadeira-cama. Ainda fui à casa de banho e barbeei-me.

>> 18.08.1992 >> Partida para Lisboa pelas 13:10 horas e chegada a Lisboa pelas 15:10 horas.

– Quem de entre os leitores tinha espírito aventureiro para se meter nestas alhadas?

Gastei no total da viagem, para além dos aviões e hotéis, 555+190=745 dólares, e 720$00+700$00 de táxis.

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1992 – CARNAVAL – OLIVENÇA

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No Carnaval de 1992 dei uma volta no meu Mercedes até Olivença, onde visitei o castelo, que ainda conserva inscrições e símbolos portugueses e o antigo palácio dos condes de Cadaval, agora alcalderia, por fora. Dei uma volta pela cidade.

Igreja da Boa Nova em Terena

Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova em Terena

Vista de Mértola com  o seu castelo

Vista de Mértola com o seu castelo

Regressei a Elvas, atravessando a nova ponte ao lado da velha, toda caída, em direcção ao Alandroal. Visitei a igreja da Boa Nova com a imagem de Nossa Senhora de Terena, já cantada por Afonso X, o Sábio, em Cantigas de Santa Maria. Segui por Minas de São Domingos para Mértola, que foi sede da Ordem de Santiago no séc. XIV. Aí visitei a igreja matriz ou de Nossa Senhora da Anunciação, construída sobre uma antiga mesquita, o castelo e o museu. Jantei bem num restaurante e dormi numa pensão.

No dia seguinte fui até ao Pulo do Lobo, que ainda fica longe, e parti depois para Lisboa. Apanhei então um avião para Ponta Delgada, na minha habitual viagem profissional.

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1992 – FINAIS DE AGOSTO – DOURO

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Regressado do Paquistão, em 18 de Agosto, ainda tive tempo para fazer a subida do Douro até à Régua de barco, que apanhei no cais de Gaia com irmãs e cunhados.

Saímos de Lisboa pelas 05:00 horas da manhã no meu Mercedes verde esmeralda 30-98-VG, que vendi depois ao meu cunhado Horácio. Chegámos a Gaia pelas 08:30 horas. Esperámos até apanhar o barco, tendo o carro ficado em Gaia. Almoçámos no barco. Foi uma viagem agradável rio acima, com vinhedos dum lado e doutro. Parámos num certo sítio para visitar uma quinta com vinha e adega do vinho do Porto. A certa altura o rio era baixo, pelo que houve lugar ao enchimento de comportas. A viagem terminou na Régua, onde nos esperava um autocarro que nos levou até Gaia. Regressámos a Lisboa no meu Mercedes, tendo parado na Mealhada para comer o apreciado leitão.

(Fim da Etapa 37.)

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«Viagens dum Globetrotter», por Franklim Costa Braga

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