Habitação no interior

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

Existe uma manifesta crise habitacional em Portugal, reflectida nos preços e rendas exorbitantes das casas nas grandes cidades. O interior do país pode ser parte da solução, exigindo-se medidas nesse sentido.

Há excesso de oferta de habitação nas terras do interior

Há estudos que apontam para a falta de 70 mil casas em Portugal para fazer face aos problemas habitacionais das grandes cidades. Pouca oferta e muita procura fazem subir o preço das casas para fora do alcance das famílias.

A maior dificuldade vive-se em Lisboa e no Porto, mas as restantes cidades do litoral também se defrontam com este problema.

Uma certa dinâmica, entretanto recuperada pelo sector da construção, dá a falsa sensação de que o mercado está a agir para colmatar a necessidade habitacional. Mas a construção está a ser dirigida para o mercado médio-alto, não dando resposta às necessidades da classe média e média-baixa, que é quem mais sofre com a ausência de casas.

Porém, se existe falta de habitações nas grandes cidades e seus arredores, há um excesso de oferta nas terras do interior, onde imensas casas devolutas estão a caminho da degradação, sem que os proprietários as consigam vender ou sequer arrendar.

A solução, ou parte dela, poderá passar por levar as pessoas a fixarem-se no interior, tendo em conta os preços de habitação que aqui são praticados.

A poucos dias de eleições legislativas, verifica-se que os maiores partidos são sensíveis a esta problemática e preconizam soluções. O programa do PS fala em «Promover a fixação de pessoas nos territórios do interior», facilitando a mobilidade habitacional e territorial dos agregados familiares, em especial jovens, e apoiando a reabilitação do edificado abandonado das vilas e aldeias, colocando-o no mercado para novos residentes ou para novas funções económicas, turísticas, sociais ou culturais. Fala-se ainda em bolsas de casas para arrendamento e em incentivos à recuperação de casas em territórios despovoados.

O programa do PSD não aborda essa questão de forma tão direta, embora defenda uma política nacional de habitação que parta do reconhecimento da dualidade territorial. Assim, há duas frentes de actuação: por um lado, retirar pressão aos concelhos onde o mercado está a empurrar a classe média para fora do acesso à habitação e, por outro, estimular a dinâmica das áreas condenadas ao abandono pela inexistência de um mercado a funcionar. Defende ainda a limitação de vistos gold para Lisboa e Porto com o objetivo de levar os investimentos para o interior e aliviar a pressão imobiliária nas duas principais cidades.

Havendo predisposição política para resolver a questão da crise habitacional promovendo o povoamento do interior, resta ter a esperança da mesma se concretizar em medidas concretas a levar a cabo pelo próximo governo.

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«Contraponto», de Paulo Leitão Batista

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