Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (36)

Franklim Costa Braga - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Toda a gente gosta de mostrar aos amigos uma foto tirada algures longe da morada. Organizam-se excursões para visitas cá e lá fora, com viajantes que, por vezes, mal têm para comer. Mas, como é moda, toda a gente viaja.
>> ETAPA 36 >> PAQUISTÃO, NEPAL, TIBETE, Norte da ÍNDIA e CAXEMIRA.

Mapa com os Estados da Índia

Mapa com os Estados da Índia


II – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 90

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1992 – Entre 12 de Julho e 17 de Agosto

1.ª Parte – PAQUISTÃO, NEPAL, TIBETE, NORTE DA ÍNDIA E CAXEMIRA

2.ª Parte (25.07 a 17.08) – Benares (Varanasi) – Calcutá – Patna – Bodh Gaya – Delhi – Caxemira – Amritsar

Curiosidades
Viagem tratada pela Agência Abreu. Custo da viagem e hotéis = 563.000$00.

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>> 25.7.1992 >> Chegada a Benares (Varanasi), cidade santa, 01:15 horas depois de sair de Katmandu num avião indiano, isto é, às 19:30 horas. Procuraram o meu nome nos registos, mas depois foi fácil e o guia apareceu. Dormi no hotel Paris, quarto 71, muito bera, espelunca e cheirando imenso a remédio de matar percevejos.

>> 26.7.1992 >> Saída às 09:30 horas para visita à cidade com o guia Gupta. Razoável. À tardinha comprei 8 metros de seda para um sari e muitos panos pintados ao Radju e a outro vendedor. Bebi quatro cocas oferecidas pelo Radju enquanto fazíamos negócio. Os indianos no negócio não têm pressa, como no resto da vida. O Radju ensinou-me como se vestia o sari, com todas as voltas que era preciso dar, creio que 21. À noite fui comprar gravatas, pano de seda e duas camisas perto do hotel. Na televisão vi a abertura dos jogos olímpicos em repetição. Escrevi à Mizra de Goa e à Moni. Jantei bananas, pera e bolachas.

>> 27.7.1992 >> Saída às 05:00 horas para andar de barco no rio Ganges e visitar a cidade do lado de lá do Ganges. O mesmo do dia anterior. Conheci a Linda, canadiana, que havia de visitar-me em Lisboa. Comi qualquer coisa, encomendei duas camisas de seda, fiz as malas e mandei-as guardar no hotel. Pelas 02:30 horas, nova excursão a Sakara, onde Buda pregou o primeiro sermão, e depois um forte. Chegada às 19:00 horas ao hotel. Tempo de ir buscar as camisas e comprar mais três gravatas e ir mudar-me ao hotel, antes de partir para o aeroporto às 19:30 horas. Jantar incluído no aeroporto.

Franklim em Benares frente ao Birla Temple

Franklim em Benares frente ao Birla Temple

Templos junto das escadarias Scindia em Varanasi

Templos junto das escadarias Scindia em Varanasi

Cremação nas escadarias de rituais hindus Manikarnika, na margem do Ganges

Cremação nas escadarias de rituais hindus Manikarnika, na margem do Ganges

Cheguei a Calcutá às 23:00 horas num avião indiano. Ninguém me esperava. Andei de autocarro à procura do hotel em Calcutá que me deixou longe do hotel. O condutor enganou-me, dizendo que era já ali. Até que dei com ele já a pé, procurando aos que dormiam na rua.

Um indiano pegou nas malas e bati a outro hotel, que me indicou onde ficava o New Kenilworth. Afinal, ficava na Little Russell Street. Fui com as malas num carreton dum indiano que se levantou da calçada, onde dormia. Até já alta noite esperam por clientes. Entrei no hotel à meia-noite. Dormi num anexo, no quarto 114. Mau. Um telefonema custou 6 rupias.

>> 28.7.1992 >> Passeio pela avenida principal da cidade de Calcutá, capital de Bengala Ocidental. Mudei de quarto para o 223. Visitei o Museu Indiano, tendo pago 41 rupias, e também o Nehru Children’s Museum.

>> 29.7.1992 >> Passeio pela cidade. À tarde fui cortar o cabelo. Troquei 50$ num banco, onde nunca mais se despachavam. À noite meti-me em aventuras com a Covita, uma muçulmana boazona. Acabei por pagar mais que o combinado. A porta da casa onde pernoitava era guardada por um nepalês.

>> 30.7.1992 >> Visita da cidade pelo Turismo, toda a manhã e tarde por 50 rupias. Comi nos indianos, já que o vegetariano de boa água estava fechado. Lavei roupa. Fui jantar ao Reitu, Hotel Taj, que havia conhecido no aeroporto. Bom.

Franklim junto ao Jain Temple de Calcutá

Franklim junto ao Jain Temple de Calcutá

Franklim  frente ao Templo Kali Mandir ou Daksineswar Kali Tempe em Calcutá

Franklim frente ao Templo Kali Mandir ou Daksineswar Kali Tempe em Calcutá

Victoria Memorial Temple e Catedral de S. Paulo em Calcutá

Victoria Memorial Temple e Catedral de São Paulo em Calcutá

>> 31.7.1992 >> Fui confirmar os bilhetes à JAL. Mandei consertar o relógio e as sapatilhas. Tinha febre. Almocei no mesmo sítio do dia anterior. Hotel. Banho. Arrumar malas. Deixei o quarto às 14:00 horas. Não queriam aceitar o voucher. Esperei no hall até 15:30 horas. Enfim, a agência telefonou a dizer que me procurava. O avião era às 18:00 horas. Já dentro deste, tive de sair e 30 minutos depois fui noutro da Índia. Eram 10:00 horas. Em Patna esperavam-me três pessoas. Fiquei no Hotel Pataliputra Ashok, quarto 118. Razoável. Em Patna paguei 1.600 rupias pelo táxi de turismo.

>> 1.8.1992 >> Visita a Patna, capital do Estado de Bihar, noutros tempos conhecida por Pataliputra, capital do grande império de Chandragupta Maurya, que derrotou o general de Alexandre, o Grande, Seleucus Nicator. Depois passeei uma hora em rikchó. Tinha febre e grande tosse. Comprei remédios. Almoço. Fui para o quarto, donde só saí para jantar. O Turismo teve de ir ao meu quarto pagar-se da viagem a Bodh Gaya. Deitei-me às 21:00 horas.

Grande templo de Bodh Gaya

Grande templo de Bodh Gaya

Franklim e a Shaila(budista) junto ao local da iluminação de Buda

Franklim e a Shaila (budista) junto ao local da iluminação de Buda

>> 2.8.1992 >> Levantar às 05:30 hora para ida a Bodh Gaya, a 174 quilómetros de Patna, umas quatro horas de caminho. Uma certa decepção por não haver turistas nem peregrinos. Pelo uso da máquina paguei cinco rupias. Visita de templos japoneses, tailandeses, tibetanos e chineses, que os construíram neste local. Encontrei a Shaila budista. Regresso por Rajgir para ver a stupa no cimo do monte. Custoso de subir e onde apanhei uma valente molha e estive sem comer até às duas horas da tarde. Depois, já em Patna, comi um ananás inteiro perto dum templo japonês e após visitar um templo hindu com banho para mulheres. Partida para Nalanda, ruínas da universidade do séc. IV. Chegada às 14:00 horas. Banho. Jantar. Quarto às 20:00 horas a ver a Tv.

Venerando o pénis de Xiva num templo de Patna

Venerando o pénis de Xiva num templo de Patna

>> 3.8.1992 >> Levantar às 08:00 horas. Fui de rikchó até ao moderno templo hindu, onde veneravam o pénis de Xiva, por cima do qual escorria água de rosas e por cima dele colocavam pétalas e colares de flores. Era o deus da fertilidade. Aí conversei com uma estudante de Sociologia. Passeei um pouco. Comi três bananecas e um ananás. Pegaram-me às 11:30 horas. Almocei no avião. Medidas severas de segurança e implicaram com a bateria da máquina de filmar. Voo a horas para Delhi num avião indiano. Chegada a Delhi pelas 15:00 horas. Tudo a postos. Hotel Imperial, quarto 173. Razoável e muito grande. Havia muitos turistas. Compras, comida nos Wimpies e quarto às 20:30 horas. Arrumei malas e vi televisão.

Até aqui gastei 555 dólares +720$00 do táxi.

Mapa de Caxemira

Mapa de Caxemira

CASEMIRA

Fui para Caxemira de avião e saí também de avião de lá para a Índia.

Deixei dois sacos na agência Cok & Kings, em Delhi. Ofereceram-me um saco, tipo pasta.

>> 4.8.1992 >> Partida às 09:00 horas para Srinagar num avião indiano. Escala em Amritsar e Jamu. Tudo O.K.

Em Srinagar dormi num barco num lago, para o qual ia num barquito que estava amarrado no cais. Fiquei instalado nas House Boat Alexandra Palace-Khyber. Bom. Na primeira noite estive só no barco. Na segunda e terceira já com o Stephano, italiano entomologista. Descansei, pois estava febril. Fui visitar as redondezas, apesar de ser perigoso. Avistavam-se carros que iam para o Ladaque (Tibete indiano). Bom jantar de carne. Cama cedo. Não se podia sair depois das 19:00 horas. Tiroteio à noite. Aí foram querer vender-me tapetes.

Franklim no barco-hotel no lago Dal em Srinagar

Franklim no barco-hotel no lago Dal em Srinagar

Franklim no caminho para Pahalgam

Franklim no caminho para Pahalgam

Franklim frente a um templo em Srinagar

Franklim frente a um templo em Srinagar

>> 5.8.1992 >> Pequeno-almoço. Ida à cidade a informar-me no Turismo. Muitos militares por todo o lado. Visita dos jardins mogóis e da mesquita. De tarde dei um passeio de uma hora pelo lago num barquito a remos. Custou 75 rupias. Muito comércio mesmo no lago Dal. Importunos vinham chatear-nos a toda a hora no barco para vender coisas. Até durante o passei no lago. Deitei-me cedo, a seguir às notícias.

>> 6.8.1992 >> Pelas 08:00 horas parti para as montanhas de Pahalgam, a 96 quilómetros de Srinagar, em bus público. Demorou cinco horas com paragem de um hora numa cidade. Estava sempre a parar para meter ou sair pessoal. Só estive uma hora em Pahalgam. Parecem umas termas. Há um rio caudaloso ao longo da estrada e muitos arrozais e nogueiras. Regressei às 18:15 horas. Perdeu-se tempo, parado nos controlos militares à entrada de Srinagar. Tropa é aos montes por todas as estradas. Patrulhas constantes na cidade. Parece mesmo uma ocupação da Caxemira. Deitei-me cedo.

>> 7.8.1992 >> Levantar às 05:00 horas. Pequeno-almoço. Pus a escrita em dia à varanda do barco. Partida às 13:00 horas num pequeno avião. Cinco ou seis revistas às malas e, antes de entrar no avião indiano, mais umas três apalpadelas. Não deixaram levar as máquinas de vídeo e fotográfica comigo. Entregaram-mas à chegada às 15:00 horas a Amritsar. Ninguém à espera, mas um táxi levou-me ao Ritz, sede da agência, sem pagar. Fiquei no quarto 111. Bera, sem água para beber. Saí logo para a cidade a pé. Visitei Amritsar, capital dos Siks. Vi o templo dourado, com muita gente a tocar e a cantar. Tal como nos templos hindus, budistas e mesquitas muçulmanas, também nos templos Sikh é necessário descalçar-se. O templo está rodeado por um lago. Ainda apresenta sinais do tiroteio de que foi alvo uns anos antes. Uma maravilha. Regressei ao hotel pelas 19:30 horas. Jantei bananas, abrunhos e um pirolito. Deitei-me às 20:30 horas depois de tomar banho e ver televisão.

Templo Dourado dos Sikh em Amritsar, no meio dum lago

Templo Dourado dos Sikh em Amritsar, no meio dum lago

Franklim descalçono recinto do Templo Dourado

Franklim descalço no recinto do Templo Dourado

Franklim à porta do Templo Dourado

Franklim à porta do Templo Dourado

>> 8.8.1992 >> Saí do hotel pelas 08:00 horas em motoreta para a estação de caminho de ferro. Diziam que o bilhete se tirava aqui, ali, acolá, de mala para cá e para lá, até que na plataforma 3 vi a casota dos bilhetes, que deveria abrir às 09:00 horas, mas só abriu às 09:15 horas. Paguei 38 rupias por um bilhete de 2.ª classe, de bancos de madeira. Tomei lá o pequeno-almoço. Partida às 09:30 horas. Às 10:00 horas parou na alfândega indiana. Bichas para o passaporte e revista das malas. O comboio só arrancou às 14:15 horas. Uma seca. Conversei com a miudagem, a Maria, Hana, Sádia e de outras famílias.

(Fim da Etapa 36.)

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«Viagens dum Globetrotter», por Franklim Costa Braga

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