Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (35)

Franklim Costa Braga - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Toda a gente gosta de mostrar aos amigos uma foto tirada algures longe da morada. Organizam-se excursões para visitas cá e lá fora, com viajantes que, por vezes, mal têm para comer. Mas, como é moda, toda a gente viaja.
>> ETAPA 35 >> MARROCOS, TIBETE, Norte da ÍNDIA, CAXEMIRA e AÇORES.

Mapa de Marrocos com Marraqueche, Meknes e Casablanca

Mapa de Marrocos com Marraqueche, Meknes e Casablanca


II – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 90

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1992

Para além da já habitual viagem de trabalho aos Açores no Carnaval, efectuei mais uma viagem a Marrocos em Julho de 1992.

A minha 5.ª viagem a Marrocos de 2 a 6 de Julho de 1992.

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Não encontro relatos sobre esta viagem a Marrocos, nem sequer os bilhetes de avião. Por isso, o que vou escrever é de memória.

Tenho carimbo de entrada em Marrocos em 2.7.92 e de saída em 6.7.92, isto é, de quinta a segunda-feira. Devo ter aproveitado a pausa entre exames.

O motivo era ir conhecer a moça que o casal de professores marroquinos, que conheci no restaurante do hotel Alibaba em Agadir na passagem de ano, me tinha proposto. Como me deram o endereço da moça, troquei alguma correspondência com ela. Mas a verdadeira razão era o meu desejo de aventuras.

Nem me recordo como fui para Marrocos. Devo ter ido de avião até Casablanca e apanhei outro para Marraqueche, ou talvez tenha ido de autocarro de Casablanca para Marraqueche. Fui de táxi até casa dela, nos subúrbios da cidade. Conheci a mãe e irmãs, conversámos e até almocei em sua casa, embora tenha sido eu a pagar os ingredientes do almoço-cous-cous fraco. Concluí que era gente pobre que vivia numa pequena casa.

Franklim almoçando em casa da moça marroquina

Franklim almoçando em casa da moça marroquina

Franklim com a moça em sua casa

Franklim com a moça em sua casa

À noite fui com ela a um restaurante da cidade. Nesse dia dormi num pequeno hotel de Marraqueche.

Franklim e a moça marroquina à saída de Marraqueche

Franklim e a moça marroquina à saída de Marraqueche

Como não fiquei interessado nela, no dia seguinte fui dar uma volta. Ainda não tinha perdido o gosto da boleia e aproveitei a ocasião. Um táxi parou e levou-me até Meknes. Era dia de partida ou regresso dos peregrinos de Meca. No fim da viagem o taxista pediu-me dinheiro. Discuti com ele e chamei um polícia que estava junto do aeroporto. Como o taxista apanhou outra pessoa no caminho, o polícia decidiu que eu não tinha de pagar a viagem. Decidi dar-lhe 100 dinares e ficou o assunto arrumado.

Recordei-me da cena com outro taxista em Istambul, que já relatei.

Dormi em Meknes num bonito hotel. De noite, uma prostituta bateu-me à porta do quarto. Despachei-a.

Devo ter dado mais umas voltas e fui apanhar o avião a Casablanca no dia 6 de Julho. De pouco me recordo.

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12 de Julho a 17 de Agosto de 1992

Pakistão, Tibete, norte da Índia, Caxemira

Curiosidades
Viagem tratada pela Agência Abreu. Custo da viagem e hotéis=563.000$00.

1.ª parte: Lisboa > Karachi > Katmandu > Tibete > Katmandu

Mapa do Tibete (com Lhasa e Xigatsé)

Mapa do Tibete (com Lhasa e Xigatsé)

>> 12.7.1992 >> Pelas 13:30 horas parti de táxi para o aeroporto de Lisboa, pelo qual paguei 720$00. O avião da Lufthansa saíu para Frankfurt com 30 minutos de atraso, pelas 17:00 horas. Bom serviço no avião. Era um grupo de 15 pessoas, muitas delas de idade, das quais conhecia três (a família Fonseca) da viagem ao Reino Unido em 1975. Fiquei a conhecer a Ana Maria Santiago e madrinha, o casal Ferreira, para além do resto do grupo. Dormida em Frankfurt no hotel Holliday Inn, quarto 808. Comi dois queijitos. Saí a passear uns 30 minutos. Cama às 23:00 horas.

>> 13.7.1992 >> Passeio até ao rio Meno. Saída às 10:00 horas para o aeroporto. Avião da Lufthansa às 13:35 horas para Karachi. Bom serviço a bordo. Ao meu lado ia a Cristina Fonseca, já minha conhecida. Agradável companhia. Paragem no Dubai durante 15 minutos. Chegada a Karachi às 00:15 horas. Estavam 24 graus. Houve aborrecimentos por falta de visa do grupo. Só eu tinha visto de entrada no Pakistão. Mas precisava de dois vistos, porque deveria regressar ao Pakistão depois da visita do Tibete. Por isso obtive muito tarde o visto geral do grupo e guardei o meu para a outra entrada. Há um carimbo no passaporte válido por dois dias, só para Karachi.

>> 14.7.1992 >> Duas horas no aeroporto a aguardar visa, que nos foi dado por 72 horas (3 dias). Apareceu uma mala estranha nos nossos carrinhos. Fiquei no Karachi Sheraton, quarto 447. Bom, com cesta de fruta.

Levantar às 11:00 horas e logo tomar o pequeno-almoço. Fraco. Andei pela cidade. Visitei um museu, a mesquita e o mausoléu de Jinah. Entrei numa loja de tapetes. Regresso ao hotel. Saída breve para jantar, mas acabámos por jantar no hotel, cujo chefe, Edgar, era filho de uma goesa e falava Português. Paguei 1.000$00 por peixe, galinha, fruta, água e chá. Fazia anos o Sr. Ferreira, que festejámos no seu quarto. Deitar às 23:00 horas.

>> 15.7.1992 >> Levantar às 08:30 horas. Bom pequeno-almoço. Partida de táxi com a Ana Maria e mais dois para Chankundi Tombs ver túmulos dos sécs.13 a 16. Pagámos 100 rupias cada. Paragem para comprar fruta. Muita mosca. Alguns fomos visitar as ruínas de pirâmides. Andámos nos mini-autocarros públicos todos enfeitados. Ao meio-dia regressámos ao hotel. Dormi. Às 14:00 horas fui a pé pela feira da ladra, de roupa usada. Vi dentistas a trabalhar na rua, com a cadeira debaixo duma árvore. Dormi até às 16:00 horas. Jantei peixe no restaurante do goês por 605 rupias paquistanesas. Algumas senhoras ainda foram comprar ouro de 24 quilates. Cama às 23:00 horas.

Curiosidades: 1 dólar=24,66 rupias paquistanesas. Gastei 521 rupias + 70$.

Minibus todos enfeitados

Minibus todos enfeitados

Cadeira do dentista na rua em Karachi

Cadeira do dentista na rua em Karachi

>> 16.7.1992 >> Levantar às 05:00 horas. Fraco pequeno-almoço. Às 06:00 horas partida para o aeroporto, onde comprei casaco de pele por 70$. Saída de Karachi para Katmandu num avião paquistanês da PIA pelas 08:30 horas. Comida no avião, omelete, fraca. Chegada pelas 11:30 horas (a hora local tem mais 45 minutos). Obtenção de visas. Ficámos no hotel Everest, eu no quarto 332. Razoável. Almoço, self-service. Visita da cidade com os chatos dos vendedores sempre à perna, stupa do séc. XV. Às 18:00 horas fomos para o hotel. Dormi duas horas. Comi maçãs e restos da comida do avião. Conversa com o marido da dentista e com o doente dos pezinhos no hall. Cama às 23:00 horas.

>> 17.7.1992 >> Ida a Patã. Várias compras. Almoço num restaurante local. Choveu. Regresso ao hotel numa caranguejola pelas 16:30 horas. Às 18:00 horas ida a Katmandu. Comprei uns calções. Apanhei o bus do hotel. Às 21:00 horas, ida ao casino, onde nos deram rupias para jogarmos. Ganhei 50 rupias, mas joguei mais para as perder. Deitar às 23:00 horas.

Franklim em frente da porta de um templo nepalês

Franklim em frente da porta de um templo nepalês

>> 18.7.1992 >> tenho um carimbo de saída do Nepal.

Saída às 09:30 horas para o aeroporto. Partida às 10:30 horas para Lhasa (Tibete) num avião chinês. Ofereceram um cinto e caixa de chá, sopa de feijões e cerveja. Em Lhasa, longa espera. O aeroporto era bera. Duas senhoras ficaram doentes (altitude 4.000 metros). Ofereceram-nos um cachecol branco, que nos puseram ao pescoço. Deixei-me dormir no autocarro que nos levou ao hotel. Ficámos no hotel Holliday Inn, cuja recepcionista era muito gira. Fiquei no quarto 2422. Ofereceram-nos chá grátis. Jantar. Comida boa. Encontrei a guia chinesa Wang Chin, de 25 anos. Meti a guia chinesa no quarto mas ela não quis nada, indicando um microfone no tecto, por onde alguém poderia espiar. Tomei chá no meu quarto com ela e passeámos. No hall do hotel encontrei um médico naturista espanhol, Dr. Francisco Rios, de Zaragoza. Consultou-me. Deitar às 23:00 horas. Fomos avisados que deveríamos tomar muita água e chá. A secura do clima era tal que, se puséssemos roupa a secar, esta ficava seca em pouco tempo.

Franklim entre a guia Wang Chin e o guia Lee

Franklim entre a guia Wang Chin e o guia Lee

>> 19.7.1992 >> Acordaram-me às 07:00 horas. Não dormi nada, como todos. O pequeno-almoço era leite amanteigado de iaque. Intragável. O iaque é o animal mais apreciado do Tibete. Por isso tem uma estátua numa grande avenida, Às 09:30 horas fomos visitar o templo do ano 647. Lhasa = cidade das cabras. Bonito. Grandes filas de peregrinos. Compras. Almoço às 13:00 horas num restaurante na cidade. Assim, assim. Hotel. Partida para outro templo, a cinco quilómetros, funcionando como seminário. Regresso ao hotel. Ida às compras. Comprei um casaco verde e um ábaco. Era um regalo ver a empregada a mexer rapidamente as bolinhas do ábaco para fazer a conta. Hotel. O jantar foi bife de porco. Conversa, espreitar boíte. Deitar às 22:15 horas.

>> 20.7.1992 >> Levantar às 08:00 horas. Pequeno-almoço. Saída às 09:30 horas para o palácio Potala, a 3.700 metros de altitude. Monumental, bonito, mas montões de gente em bichas. Foi a principal residência de Inverno do Dalai Lama, construído em 1645 pelo 5.º Dalai Lama. É património mundial da Humanidade. Como a maioria dos templos tibetanos, é feito em madeira trabalhada e pintada. Durante a fúria cultural chinesa nos tempos de Mao Tsé Tung, muitos templos foram danificados.

Cá em baixo, no largo em frente, havia um local de oração num rés-do-chão sem janelas, onde havia um grande rodízio de orações, em frente do qual se ajoelhavam e deitavam a rezar muitas pessoas. Comprei um pequeno rodízio. Almoço no hotel. Pelas 15:30 horas visita ao hospital de medicina tibetana e depois ao palácio de Verão do Dalai Lama, do séc. XVIII. Hotel. Partida às 19:00 horas para um restaurante, onde se comeu e bebeu muito e houve danças. Pelas 22:00 horas, regresso ao hotel. Vi o filme feito pelo Eng.º Gomes e bebemos whisky. Deitar às 23:00 horas.

Palácio Potala

Palácio Potala

Uma sala do 'palácio Potala

Uma sala do Palácio Potala

Ervas da medicina tibetana

Ervas da medicina tibetana

O criador da Medicina Tibetana,You Thok Yontan Gongbo (708-833 a.C.)

O criador da Medicina Tibetana,You Thok Yontan Gongbo (708-833 a.C.)

Franklim à entrada dum local de oração num largo de Lhasa

Franklim à entrada dum local de oração num largo de Lhasa

>> 21.7.1992 >> Levantar às 08:00 horas. Não dormi nada. Má cara. Às 09:30 horas partida para um mosteiro a 60 quilómetros por terra batida, aos ziguezagues, até ao cimo da montanha. Miúdos a pedir, chegavam lá abaixo primeiro que nós. Almoço=2 ovos e 1 pêssego. Dei o resto. O mosteiro é razoável. Hotel pelas 16:00 horas. Às 16:30 horas saída para compras com a Cristina, Ana Maria e outros. Jantar. Saí à noite para danças mas não entrei. Quarto às 22:00 horas a arranjar as malas. Troquei 20 dólares, ao câmbio de 528,44 remimbi.

>> 22.7.1992 >> Saída pelas 09:00 horas para viagem de autocarro de 360 quilómetros para Xigatzé. Belas paisagens de montanha e rio caudaloso lá em baixo. Almoço no caminho de caixa igual à do dia anterior. Chegada pelas 16:00 horas. Ficámos no Xigaze Hotel, eu no quarto 302. Muito fraco, com tapetes todos sujos. Fui com a Ana Maria às compras e encontrámo-nos todos. Bugigangas. Cidade porca e sem nada. Jantar no hotel. Fraco. Jogo de cartas-copas e king com a Cristina e casal Simões. Deitar à meia-noite. Dormi razoavelmente.

Franklim frente ao mosteiro dos Pantcha Lama

Franklim frente ao mosteiro dos Pantcha Lama

Franklim junto a uma gruta na montanha com a imagem dum Buda

Franklim junto a uma gruta na montanha com a imagem dum Buda

>> 23.7.1992 >> Pelas 09:30 horas ida ao mosteiro dos Pancha Lama. O 10.º era muito venerado. Mosteiro lindo, com muitos cães no largo em frente. Os budistas acreditam na reincarnação em animais. Estes monges acreditavam na reincarnação em cães. Por isso, protegiam-nos. Houve um problema com o Sr. Ferreira por ter tirado uma foto no mosteiro, onde era proibido. Almoço no hotel. Jogo de cartas-sueca com casal Ferreira e Sr. Fonseca. Pelas 15:30 horas ida a uma casa particular e depois ao mercado de artesanato. Comprei uns aloquetes. Pelas 18:00 horas, hotel. Descanso. 19:30 horas, jantar. Estava mal da barriga. King com a Cristina e casal Simões. Deitar às 23:00 horas.

>> 24.7.1992 >> Levantar às 06:00 horas. Não havia água. Lavei-me com a do termo grande. Saída às 07:30 horas. Visita ao mosteiro de Xyantzé. Bonito. Subi à stupa e à fortaleza, onde os ingleses foram vencidos. Montanhas bonitas e com neve. Almoçámos junto a um lago. Chegámos a 4.880 metros por curvas e curvas. Visita ao mosteiro Monte de Arroz, perto de Lhasa. Novamente no hotel Holiday In, quarto 2529. Ida à compra do livro de medicina tibetana e depois outro para o Sr. Simões e dois quadros do Buda e oferta de uma figura. Regresso ao hotel pelas 22:00 horas. Fazer malas. Cama.

Franklim junto ao Mosteiro Monte de Arroz na montanha

Franklim junto ao Mosteiro Monte de Arroz na montanha

>> 25.7.1992 >> Tenho um carimbo do Tibete (saída). Levantar às 04:30 horas. Partida às 05:30 horas para o aeroporto de Lhasa. Confusão na entrada, pois não havia lugar para todos. Cena com alemão e Cristina, esta pontapeando o alemão que queria passar à frente no despacho da bagagem. A Cristina ainda se pegou com a Ana Maria Santiago por esta ter peso a mais. A Cristina andou de amores com o guia Lee. Este conseguiu despachar-nos as malas. Não paguei pelos 5 kgs. a mais. Partida às 10:30 horas num avião chinês. Chegada a Katmandu uma hora depois, vendo o Everest e Himalaias do avião. Fiquei com a comida. Ficámos no aeroporto à espera dos aviões que nos levariam para diversos locais. Saí de Katmandu, só, às 18:15 horas (8h). O grupo saiu duas horas antes. Foi no aeroporto do Nepal que nos separámos: uns continuaram para Portugal, um casal (ele, alto, era médico) foi para as Maldivas e eu fui sozinho para Benares (Varanasi).

(Fim da Etapa 35.)

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«Viagens dum Globetrotter», por Franklim Costa Braga

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