Serra da Malcata e suas riquezas naturais

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

Ramiro Matos escreve no Capeia Arraiana todas as quintas-feiras, desde Setembro de 2007. Esta semana o «nosso» cronista esta a recuperar de uma intervenção cirúrgica e, apesar de já estar em casa, não foi possível escrever a sua habitual crónica. Assim, resolvemos voltar a publicar o que pensava Ramiro Matos em Maio de 2013 sobre a, novamente actual, problemática da Albufeira do Sabugal e do Ordenamento da Reserva Natural da Serra da Malcata. Aqui fica…

Vista aérea da Barragem do Sabugal

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Serra da Malcata e suas riquezas naturais

A serra da Malcata só interessa ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNB) e à Câmara Municipal de Penamacor?

Vai realizar-se esta sexta-feira, dia 3 de Maio de 2013, uma conferência em Penamacor com o tema do título desta crónica, leva-me a escrever de novo sobre a importância que a serra da Malcata e a Albufeira da Barragem do Sabugal têm para o nosso Concelho e a lamentar que até hoje pouco ou nada se tenha feito para colocar estas duas pérolas ao serviço do desenvolvimento das nossas terras.

E volto a contrariar algumas ideias feitas de que pouco ou nada se pode fazer, face aos Regulamentos muito restritivos que estão publicados.

No que respeita à serra da Malcata, o Plano de Ordenamento da Reserva Natural da Serra da Malcata publicado em março de 2005, permite, como já o afirmei há alguns anos, desenvolver um «pacote turístico» assente nos seguintes aspetos essenciais:

– Alojamento, pois permite criar uma rede de alojamento, quer em Casas da Natureza, quer em Unidades de Turismo em Espaço Rural, quer recuperando e adaptando edifícios existentes para fins turísticos;

– Animação e Interpretação Ambiental, com base numa oferta diversificada de animação e interpretação ambiental – ecomuseus, observatórios ambientais, percursos temáticos -, mas apostando também nas artes e ofícios tradicionais, gastronomia, feira, festas e romarias, jogos tradicionais, etc.

– Atividades desportivas de natureza, como pedestrianismo, orientação, atividades equestres. Ciclismo (BTT e Cicloturismo), desportos radicais de natureza, etc.

E a este tipo de atividades devem somar-se ainda todas as que são permitidas na albufeira da barragem do Sabugal, das quais destaco:

– A pesca desportiva e de competição;

– A navegação recreativa com embarcações motorizadas equipadas com propulsão elétrica e não motorizada – remo, vela e pedais -, incluindo a construção de pontões flutuantes ou embarcadouros;

– Os banhos e a natação;

– Competições náuticas desportivas e outros eventos turístico-culturais ou turístico-desportivos com autorização das entidades competentes;

– Parque de Campismo, com autorização das entidades competentes;

A Câmara pode ainda autoriza nas zonas indicadas no regulamento: Turismo em Espaço Rural; espaços de recreio balnear; atividades de educação ambiental; parques de merendas; parques de estacionamento; e percursos pedestres.

É previsto ainda um espaço de recreio e lazer onde pode vir a ser instalado: um estabelecimento hoteleiro; um aldeamento turístico; um Centro náutico; uma zona de instalação de pontão flutuante ou embarcadouro; uma zona de recreio balnear; uma piscina flutuante; um parque de estacionamento; um parque de merendas; e um restaurante. O hotel e o aldeamento têm um limite muito alargado de 300 camas.

Como fica claro, existe um largo campo de manobra para que a serra da Malcata e a albufeira da barragem possam, com os regulamentos atuais, serem exploradas em prol do desenvolvimento do Concelho do Sabugal.

O problema não são regulamentos mais ou menos restritivos. O problema, como o afirmei em outubro de 2007, é que «A serra da Malcata e a albufeira da barragem não podem ser analisadas de forma isolada, antes devendo, as atividades turísticas que venham a ser definidas, integrar uma estratégia de desenvolvimento do Setor Turístico a nível concelhio e regional».

Isto é, o problema é que se continua hoje sem rumo e sem uma estratégia de desenvolvimento que permita aproveitar, a riqueza imensa que representam para o futuro do Concelho do Sabugal estas duas joias naturais.

Enquanto isso, parece que para os lados de Penamacor há quem não fique à espera do «dom sebastião»…

Ramiro Matos, Capeia Arraiana, 2 de Maio de 2013
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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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