A crise hídrica do Sabugal

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

A carência de água na barragem do Sabugal, sobretudo advinda do transvase para o Regadio da Cova da Beira, exige medidas de contingência que façam frente ao problema emergente do abastecimento hídrico das populações. Mas, como medida de fundo, é necessário um novo paradigma de gestão da água nas albufeiras nacionais.

Com a albufeira próxima de níveis mínimos o transvase tem que parar

Face aos níveis mínimos de água levantou-se um coro de vozes no Sabugal. Foi a Associação Malcata com Futuro que deu o alerta, mas depressa as várias entidades do concelho (a Câmara em último lugar, como é seu apanágio) manifestaram preocupação, de que a comunicação social deu eco. Não é caso para menos, porque a escassez de água na barragem coloca em risco o abastecimento domiciliário.

A construção da barragem do Sabugal, no ano 2000, foi o culminar de uma luta de décadas pela salvaguarda das populações. O autotanque dos bombeiros deixou de abastecer as aldeias durante o estio, o regadio tornou-se uma realidade e até se beneficiou com a produção de electricidade no braço do transvase para a barragem da Meimoa.

Mas há limites. O risco de deixar a população a jusante do Sabugal sem abastecimento de água ou com água de má qualidade, é uma fronteira a que as entidades responsáveis não podem chegar.

De momento são necessárias medidas de contingência, suspendendo o transvase e controlando com todo o rigor a qualidade da água que resta na albufeira. Mas, para que o problema se evite no futuro, são necessárias medidas de fundo que assegurem um armazenamento mínimo de água para o consumo humano e para a agricultura.

Os transvases ajudam a fazer a gestão da água, encaminhando-a de umas albufeiras para outras. Mas quando uma albufeira se aproxima de níveis mínimos, o encaminhamento tem que parar, sobretudo se a albufeira beneficiária não estiver em risco eminente.

Ora, se a barragem da Meimoa está presentemente muito acima dos níveis mínimos, qual a razão para continuar a transferência fazendo perigar o armazenamento da água no Sabugal?

As regras são necessárias e têm que ser imperativas, sobretudo em momentos críticos porque, como diz o povo: cada um quer levar a água ao seu moinho e deixar seco o do vizinho.

:: ::
«Contraponto», de Paulo Leitão Batista

One Response to A crise hídrica do Sabugal

  1. José Martins diz:

    Vamos continuar a lutar pelos recursos hídricos com origem no nosso concelho. Brevemente ocorrerá mais um grande evento orientado para a sensibilização dos cidadãos e da classe política para a importância da água e da necessidade de voltar a colocar regras justas para a melhor utilização. Nunca é tarde para corrigir o que foi entortando!

Deixar uma resposta