O respeito pela velhice

Os cabelos brancos, núncios de uma idade avançada, têm sido respeitados em todos os tempos. Há vários exemplos desse apreço pelos mais velhos na história dos povos.

O respeito pelos idosos vem do fundo da história da humanidade

Há poucos anos um político da nossa praça referiu-se aos idosos chamando-lhes «peste grisalha», apodo que mereceu acalorada e persistente polémica, por, pretensamente, desrespeitar aqueles que atingiram a velhice.

Não admira a controvérsia causada pelo inusitado motejo, pois o respeito pelos que atingiram idades avançadas vem do fundo da história da humanidade.

Valério Máximo (15 AC – 35 DC), escritor e defensor acérrimo das virtudes dos romanos, fez, num dos seus escritos, menção à honra que os embaixadores de Lacedemónia prestaram a um velho homem no teatro de Atenas. O idoso não encontrava lugar entre os seus concidadãos e os embaixadores levantaram-se e fizeram-no sentar entre si.

Ainda entre os romanos, mesmo depois da extinção da República, encontram-se abundantes exemplos deste extremo respeito pela velhice. No governo de Tibério, o jovem Sila, soberbo do seu nascimento, assistindo a um combate de gladiadores, negou-se a um acto de cortesia para com o idoso Domicio Corburlo, antigo pretor. Corburlo, indignado, queixou-se ao Senado. O assunto foi discutido, e o Senado obrigou os pais de Sila a dar uma satisfação ao velho magistrado desconsiderado por seu filho.

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Paulo Leitão Batista, «Histórias de Almanaque»

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