Um encontro imaginário muito interessante

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Uma das coisas que mais adoro é ver opor do sol na praia. E felizmente como optei sempre pela Costa Alentejana o espaço e privacidade tornam bem agradável uma estadia de descanso, mesmo após um dia de trabalho. Um dia estava sozinho a sentir a brisa fresca do mar, quando ao largo, no lusco fusco vejo um submarino surgir do nada, vindo das profundezas do mar. Sempre sonhei desde garoto em encontrar um anjo, mas um submarino, francamente…

Encontro imaginário com um submarino

Encontro imaginário com um submarino

Vejo então vir uma lancha rápida em direção à costa. Se fosse mais novo fugia a sete pés, mas com a idade perdi o medo do inesperado. Provavelmente seria russo, mas felizmente estive há pouco tempo em Londres, no Madame Trousseau e tirei uma selfie com o Putin, ou melhor, com o boneco.

Ao aproximar-se vejo a bandeira com o selo do Presidente dos Estados Unidos. E a silhueta grande que desequilibrava a lancha não enganava. O amigo Donald era, de facto, um imigrante ilegal a entrar em Portugal.

Desembarcou com um conjunto de marinheiros e observa com agrado a paisagem. De repente uma luz vira-se para mim. A tecnologia era de topo. Qualquer ser estranho a 500 metros do Presidente era logo detetado. Ponho as mãos no ar e levanto-me a aguardar pelo meu futuro. Rezei a todos os Santos e Santas que conhecia, sem tentar ver se via a Primeira Dama. Podia ser que pedindo clemencia me safasse.

Entretanto um marinheiro vem até mim. Pergunta-me se falo inglês e por sinal, ou sorte, até me desenrasco. Educadamente me pediu para o acompanhar até ao Sr. Presidente. Nem com uma escada «Magirus» conseguia chegar à mão para o cumprimentar. Era enorme. Mas simpaticamente curvou-se e esmagou-me a mãozinha. Já sabia tudo a meu respeito e até o nome do meu Avô paterno, falecido em 1930. Depois do «banho» que levou do Marcelo já não brinca com os portugueses.

A conversa foi cordial, e na realidade o Presidente só queria encontrar uma zona inóspita sem gente, mas que pudesse servir de abrigo aos americanos em caso de ataque externo. Portugal estava bem situado, estava perto das capitais europeias e os preços até nem eram caros.

Lembrei-me logo do nosso Interior, mas veio-me à memória o ditado popular «mais vale só que, mal-acompanhado», e achei que o melhor seria contactar o nosso Presidente Marcelo, que tem sempre solução para tudo.

Não me fez boa cara. Marcelo era um «good guy» mas um chato! Estava farto do cozido à portuguesa e do bacalhau à Brás, para não falar do pastel de nata. Donald era mais amante dos hambúrgueres. Até perguntou se haverá por perto uma casa com o famoso «M» amarelo, mas por sinal só em Beja, a uns 100 km, ou melhor 62 milhas.

Pergunta se finalmente já estamos independentes de Espanha, por causa do referendo. Aí comecei a transpirar. Um verdadeiro imbróglio diplomático. Mas, entretanto, veio uma excelente ideia.
Se o submarino emerge até à Catalunha? São muito parecidos connosco e o governo anda num «treme treme». Até podia tornar a Catalunha no 51.º Estado, e eles seguramente agradeciam. E em caso de necessidade poderiam facilmente invadir a Líbia sem grandes custos.

Por acaso não tinha o telemóvel do Puigdemont, mas a CIA facilmente o punha em contacto. Ele não quer é ser espanhol.

Bem, um Presidente tem sempre que fazer e a próstata já não é o que era. Maldita Budweiser.

Agradeceu-me e regressaram ao submarino.

Ainda tentei tirar uma foto com o telemóvel, mas incrível estava totalmente bloqueado.

Bem, ainda não foi desta que me apareceu um anjo, mas amanhã, quem sabe, talvez uma sereia! Ou Puigdemont!

Boas férias para quem pode!

Algures na Costa Alentejana, 31 de agosto de 2019

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«No trilho das minhas memórias», crónica de António José Alçada

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