Um Rio, uma Reserva, um Território

António Martins - Capeia Arraiana

Caminhando cerca de sete quilómetros nas margens do rio, para montante, no sentido da nascente do Côa, entre as aldeias de Vale de Espinho e Fóios, encontramos cerca de 20 cascatas, resultantes das açudes construídas no rio.

Rio Côa

Um percurso cheio de sons e beleza rara num rio que é parte integrante de uma reserva natural!

Falta demarcar este triho e limpar alguns metros de mato nas margens para converter este sitio num pólo turístico!

Num país onde impera a demarcação de trilhos complementados com a construção de passadiços que tornam os rios e natureza envolvente facilmente acessíveis e visitáveis a todos, custa a aceitar porque ainda não foi aproveitada esta fonte de riqueza e beleza natural do nosso concelho.

Algumas regiões de Portugal têm passadiços de 500 metros, outros têm de 5 Kms, outros de 8 kms e com este investimento conseguiram converter as suas regiões em pólos de atracção nacional e internacional.

Logo após a construção dos passadiços/trilhos desenvolveram a sua economia local (Turismo hoteleiro, comercio e restauração) na ordem dos 300%, ao ponto de ter que se limitar e cobrar os acessos para a sua visita.

Os passadiços e a procura de recursos naturais cada vez mais se tornaram atracções e um dos maiores motores ou alavancas do desenvolvimento local em territórios pouco ou nada conhecidos!

As populações procuram muito os circuitos e a proximidade da agua! Por isso está o litoral sobrelotado e o interior convertido num deserto demográfico!

Não temos mar nem somos litoral, mas temos um rio e seu leito!

Temos um rio, praias fluviais, albufeiras e açudes de enorme atractividade natural!

Nós temos um rio que atravessa, percorre aproximadamente 70 kms do nosso concelho, de uma beleza extraordinária, única e que muito poucos conhecem o seu fabuloso leito, inacessível pela dificuldade que existe em trilhar/caminhar sempre ao longo das suas margens.

As margens (até ± 10 a 15 metros) e leitos de rio são publicas e pertence a sua gestão e aproveitamento aos municípios e poder local, logo só pode ser este a investir naquele recurso natural, para criar procura e consequentemente desenvolvimento da economia.

Numa altura em que tanto se pretende trazer gente ao interior, esta é uma das melhores formas de o fazer.

Não procuremos nem esperemos que venha de fora, o que já temos cá dentro! Arranjemos formas de o mostrar ao mundo e às gentes e estes por sua vez hão-de vir até nós.

Temos a firme convicção que esta é uma das nossas maiores riquezas patrimoniais do concelho do Sabugal!

Se não é possível construir 50 kms de trilho/passadiço, então que se façam 1000 metros de trilho/passadiço por cada ano e ao fim de 10 anos temos 10 kms de beleza acessível.

Não tem que ser tudo em construção de madeira, pode ser em areão/brita decalcada ou até terra batida. O que importa é criar também algum atractivo que nos diferencie, como construir algumas pontes de madeira ou outras (pontes de corda, lianas de tarzan, slides sobre as açudes, arborismo,etc), que permitam atravessar de uma margem para outra, em alguns sítios de maior encanto, como são as quedas de agua nas açudes.

Se juntarmos a este maravilhoso Rio, a grandiosa albufeira/barragem do Sabugal (que espera lamentavelmente há 19 anos por dinamização), as 7 praias fluviais paradisíacas já existentes e outras a criar em todas as freguesias banhadas pelo rio, a Reserva Natural da Malcata, os bosques e florestas de carvalho negral (da Rede Natura 2000), os barrocos e a diversificada geologia (ainda por referenciar), das cinco serras envolventes do concelho (Mesas, Homem de Pedra, Malcata, Penha e S. Cornélio), os 5 castelos, as cinco pontes medievo-romanas, as canadas dos campos agrícolas (património rústico/rural exclusivo de algumas aldeias do concelho pouco ou nada divulgado), a aldeia museu de Sortelha.

A juntar a estes ingredientes e património material, temos a a nossa gastronomia (bucho e enchidos raianos) e as nossas maravilhosas carnes de produção local (borrego, cabrito, vitela das terras frias e pastos frondosos) e por fim o nosso património cultural imaterial – Capeia Arraiana, que já faz parte do Inventário Nacional.

O leito do rio Côa banha 13 das 30 freguesias do concelho do Sabugal, o qual pode ser visto e vivido como um elemento natural unificador do nosso dividido e diversificado território e dos povos existentes nas suas margens!

Somos um território dividido e diferente no relevo, fisionomia geográfica e climática, assim como nos hábitos, culturas e tradições dos povos das duas margens, que nos torna mais ricos na diversidade, mas unidos no aproveitamento da beleza e de tudo aquilo que este Rio nos pode trazer…

Gente de visita ao nosso território!

Fixar naturais!

Ou trazer outros da nossa diáspora de regresso às nossas raízes !

Tudo isto para vos dizer que…

Caso tenham um espírito de aventureiro é muito fácil de desfrutar deste espaço que vemos neste pequeno filme. Que constitui apenas uma breve amostra do imenso potencial natural que existe ao longo do percurso do rio Côa.

Mas para quem não está tão habituado a estas andanças, fica mais inacessível, mas vale bem todo o esforço.

Ou em ultimo recurso, resta-lhe esperar ou insistir, divulgando este apelo, para que que o nosso município assuma as suas responsabilidades, meta mãos à obra e devolva o rio ao seu povo e crie condições para o apresentar e divulgar ao país e ao mundo!

Enfim,,, Atrevam-se a Explorar um Rio que é uma Reserva Natural !!!

Sai-se de lá de Alma Purificada!

Não fosse este um Rio, de seu nome, Côa!!!!

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António Martins

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