Fundão – despedida do pároco

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

O Padre Jorge Manuel Tavares Colaço, nasceu na cidade da Guarda no dia 18 de Setembro de 1968, filho de pequenos comerciantes, na localidade de Sequeira, junto ao Outeiro de São Miguel.

Igreja matriz do Fundão

Estudou na Escola Primária de Sequeira (Guarda), frequentou o Seminário do Fundão e regressou de novo à Guarda para frequentar estudos superiores no Seminário Maior da Diocese, onde foi ordenado sacerdote, em Dezembro de 1994.

As suas primeiras missões apostólicas desenvolveu-as nas periferias da cidade egitaniense. Regressou ao Seminário do Fundão como docente e ecónomo, voltando à Guarda com as mesmas funções, dividindo a sua atividade pastoral entre as duas cidades. Há treze anos foi nomeado Pároco da cidade fundanense.

Nesta hora de despedida, seleccionei na minha simples opinião as actividades de maior relevo que o Padre Jorge Colaço desempenhou nestes anos na Paróquia do Fundão.

No serviço paroquial, um dos pontos fundamentais para o seu cabal funcionamento e desenvolvimento é a organização e programação dos diversos serviços, pastorais, administrativos, catequéticos, acólitos, grupos corais, escutistas e outros.

A primeira iniciativa foi para a descentralização de todos os serviços, nomeando comissões para os mesmos, tendo em cada um deles um ou uma responsável. Contou com muitos colaboradores que com simplicidade e humildade serviram e servem a Paroquia, realçando “o serviço de D. Ana Carroça, que de uma forma discreta, abnegada, muitas vezes às escondidas de tudo e de todos, esteve sempre disponível para servir na Igreja Paroquial.”

De uma forma colegial ouvia os seus colaboradores, mas as decisões mais importantes pertenciam-lhe, e não assobiava para o lado, nem ficava indiferente à resolução dos problemas.

A Igreja Matriz do Fundão, cujo orago é São Martinho, necessitava de obras de vulto para a salvaguarda, não só do edifício, como do vasto património religioso. O Padre Jorge Colaço, não hesitou em avançar com as obras de restauro. Uma aventura difícil, mas conseguiu os seus objetivos, e não há dúvida que aplicou o lema “de que a sorte protege ao audazes.”

A comunidade do Fundão dispõe de um edifício restaurado, vê valorizado o seu património e com valências de maior comodidade e modernidade. É um ex-libris da cidade.

Também neste contexto é importante salientar o trabalho na recuperação das diversas Capelas da Paróquia do Fundão, para as quais nomeou respectivas comissões.

No referente ao Movimento Escutista, realce-se a sua acção junto do Agrupamento 120 do CNE: prestou-lhe todo o apoio, foi assistente religioso e ninguém do Fundão se vai esquecer das diligência efectuadas pelo Padre Jorge Colaço para a existência do Campo Gardunha/Escuteiros, um Parque considerado pela Junta Central como Campo de Excelência, ao serviço não só dos escuteiros fundanenses, mas também nacionais e estrangeiros. Tem capacidade para quinhentos escuteiros com todas as condições, estruturas e logística. Este Campo Escutista enriquece o movimento do Corpo Nacional de Escutas a nível local e nacional.

Por este apoio e serviços prestados ao movimento escutista do Fundão, a Junta Central do CNE, atribuiu-lhe na Ordem de Serviço nº 703, de 19 de Agosto, a Cruz de S. Jorge de 1ª Classe – Ouro.

Também neste âmbito, a ele se deve o apoio incondicional para a criação de um Núcleo da FNA (Fraternidade Nuno Álvares) na cidade do Fundão, já em funcionamento com um grupo de escuteiros adultos a quem prestou a assistência religiosa.

Já com larga experiência no Seminário Maior da Guarda, desempenhou uma missão importante no Seminário Menor do Fundão, quando este deixou de ter alunos pelas razões conhecidas. Foi um guardião daquelas instalações centenárias, salvaguardando todo um vasto espólio, reunido num Museu. Com muitas horas de trabalho, fez o levantamento de inúmeros objectos e utensílios e livros didácticos, que ajudaram durante dezenas e dezenas de anos muitos milhares de jovens alunos na vida eclesial e profissional.

Reformulou aquelas centenárias instalações, adaptando velhas camaratas a espaços mais adequados e modernizados ao recebimento e acolhimento de grupos e de pessoas individualmente.

Diligenciou para a criação de um Politécnico para a formação de alunos ligados à Indústria Petrolífera de Angola, cujo director é um fundanense, o que não chegou a concretizar-se, teria sido uma grande valia para a cidade de Fundão.

Dada a grande afectividade aos Seminários Diocesanos – Fundão-Guarda – é Vice-Presidente da Associação dos Antigos Alunos.

Em 3 de Setembro de 2006 foi nomeado Pároco da cidade do Fundão e, após treze anos ao serviço do povo fundanense, pediu a 2 de Fevereiro do corrente ano a demissão ao Bispo da Diocese, deixando perplexa toda a comunidade cristã.

Numa entrevista à Rádio Cova da Beira, o Padre Jorge Colaço afirmou que a sua demissão foi “uma decisão tomada com mágoa, com angústia interior, mas sobretudo com muita oração.”

Não explicou as razões, mas exprimiu uma palavra de gratidão a todos.
O Povo do Fundão, a Comunidade Paroquial Fundanense, gente humilde e simples que não aparece nos holofotes da comunicação social, organizou uma Festa de Despedida, uma homenagem de gratidão ao Padre Jorge Colaço, que teve lugar no dia 1 Setembro, no Campo Gardunha/Escuteiros, onde compareceu cerca de um milhar de paroquianos e amigos.

Novos desafios pastorais o esperam e para os quais se deseja frutuosa missão, em diversas Paróquias do Arciprestado de Celorico da Beira, e ainda como Assistente Eclesiástico da Liga das Servas de Jesus e no Instituto do Outeiro de São Miguel.

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«Aldeia de Joanes», crónica de António Alves Fernandes

One Response to Fundão – despedida do pároco

  1. Manuel P. Rito diz:

    Muito bem – Gostamos, os nossos parabéns. Ana Maria e Manuel Rito

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