Safanões e cacetadas

É bem conhecida a frase do ditador António Salazar referente aos maus-tratos ministrados pela polícia aos presos políticos, classificando-os como «uns safanões dados a tempo». Mas aos «safanões» juntar-se-iam mais tarde as «cacetadas», como método necessário e benfazejo.

António de Oliveira Salazar

Em Dezembro de 1932 António de Oliveira Salazar, entrevistado para o Diário de Noticias por António Ferro, disse algo que ficou célebre. Quando questionado sobre os métodos de tortura aplicados aos opositores ao regime, classificou tais práticas como «meia dúzia de safanões dados a tempo nessas criaturas sinistras».

Duas décadas depois, em Maio de 1955, agudizava-se a crise da soberania portuguesa nos territórios da Índia, face à exigência da União Indiana em os integrar no seu território. A pressão passou das palavras aos actos quando as possessões portuguesas se confrontaram com os satyagrahis – movimento de pacifistas goeses radicados na Índia que, às centenas, atravessavam a fronteira com o objectivo de influenciar o resto da população a aderir à causa da anexação.

Tratando-se de definir uma forma de actuação das autoridades portuguesas fixadas em Goa para fazer frente aos pacifistas, Salazar deu instruções ao ministro da defesa, Santos Costa, indicando-lhe que, para além de uns tiros para o ar que afugentassem os manifestantes, «umas cacetadas seriam possivelmente igualmente eficazes e com efeitos mais duradouros».

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Paulo Leitão Batista, «Histórias de Almanaque»

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