Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (32)

Franklim Costa Braga - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Toda a gente gosta de mostrar aos amigos uma foto tirada algures longe da morada. Organizam-se excursões para visitas cá e lá fora, com viajantes que, por vezes, mal têm para comer. Mas, como é moda, toda a gente viaja. (Etapa 32).

Mapa da Tunísia

Mapa da Tunísia

II – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 90

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1991

Carnaval de 1991 – 14.02.91 a 17.02.1991
Fui a Ponta Delgada em viagem profissional.

Páscoa de 1991 – Viagem à Tunísia de 29.3 a 7.4.1991

Curiosidades

Viagem programada por Viagens Mapa Mundo. Preço de avião, transportes e hotéis: 131.800$00.

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>> 29.3.1991 >> Vindo do Algarve, onde fora em trabalho, após ter chocado com o Toyota cinzento, a estrear, em dois sinais de trânsito junto a Ourique, por ter adormecido por um segundo (só mais tarde soube que tinha apneia do sono), pedi ao Zézé, filho de um condómino do prédio, que me levasse ao aeroporto no meu carro, pelas 15:30 horas, já que o meu colega e vizinho Comba Lopes se enganou na hora. Partida às 17:00 horas em avião da Ibéria. Chegada a Madrid às 18:30 horas (hora local). Fui de autobus para o terminal, na Praça Colón. Apanhei o Metro. Mudança na Av. América e fiquei no hotel Convención, quarto 525, de 4 estrelas, razoável, mas o quarto individual dava para um saguão.

>> 30.3.1991 >> Partida para o aeroporto pelas 08:00 horas, após me enganar na sala do pequeno almoço. Avião da Ibéria pelas 11:30 horas, com paragem em Barcelona, e saída para Tunis, onde chegou pelas 14:30 horas. À espera estava uma menina não muito simpática. Ida de autocarro para o hotel Mechtel, quarto 435, de 4 estrelas, com um casal basco, que não conhecia, com quem fiz grupo nesta viagem, juntamente com o condutor e um guia, Becir, numa carrinha de 9 lugares. Choveu. Dormi de tarde. Jantar às 08:00 horas. Enganei-me na sala (Marco Polo-Ciprestes). Eram muitas as salas para tomar as refeições. Troquei 100$ de travellers Check. Recebi 91.600 Dinares. 1$=916 dinares. Conversei com a Latifa, estudante, que revelou o ódio dos árabes aos ocidentais.

>> 31.3.1991 >> Domingo de Páscoa. Bom pequeno almoço. Saída às 07:30 horas numa carrinha para os três mais o chauffeur, Salat, e guia, Becir. Paragem em Sousse. Meia hora a ver a medina com um frio e vento terríveis, e eu só tinha levado roupa de Verão. Continuação para Monastir, junto do mar. Visita do castelo com óptima vista da torre. Visita do mausoléu de Bourguiba e jardim típico com pinturas. Almoço num hotel-hamburguer. Paragem em El Djem para ver o coliseu romano sempre com o casal basco José Maria e Ana, e o guia Becir. Chegada a Sfax pelas 16:30 horas. Fiquei no hotel Sfax Centre, quarto 409. Bom. Visitei a medina, comprei um pulover, pois estava frio, e passeei pela cidade. Retorno ao hotel. Jantar.

Franklim em Monastir

Franklim em Monastir

Franklim em frente ao mausoléu de Bourguiba

Franklim em frente ao mausoléu de Bourguiba

Anfiteatro romano em Jem

Anfiteatro romano em Jem

>> 1.4.1991 >> Bom pequeno almoço. Saída de Sfax às 07:00 huras rumo a Gabés-Matmata. Aqui vimos as casas dos trogloditas abaixo do solo uns 3 ou 4 metros e o hotel também. Comprei um tapete-quadro. Visita do mercado. Rumo à ilha de Jerba por barco. Visita de oleiros e sinagoga, a Ghriba. Almoço de chícharo. Fraco. Visita das pracetas cheias de lojas. Comprei um púcaro e um almofariz. Rumo a Gabés. Hotel fraquíssimo, sem água quente, nem televisão. Quarto 104. Visita à cidade e praia. Nada para ver. Jantar assim, assim. Cama às 09:15 horas.

Franklim em Matmata com o tapete-quadro na mão

Franklim em Matmata com o tapete-quadro na mão

Franklim em Matmata com um morador

Franklim em Matmata com um morador

Interior da Ghriba em Jerba

Interior da Ghriba em Jerba

>> 2.4.1991 >> Pequeno almoço fraco. Saída às 08:00 horas para Kebili e Douz. Almoço bom em Douz num bom hotel. Os espanhóis andaram de dromedário, eu fui a um oásis e comi tâmaras. Continuação Kabili-lago, Tozeur-Nefta (palmar da cesta). Em Tozeur, visita ao zoo, em que um camelo bebia coca-cola. Em Tozeur visitei o Museu Dar Cherat com os tesouros da civilização tunisina. Entrada por 2.500 DT. Ficámos no hotel das Villas (cadeia Mediterranée), quarto 207(girafa). Bom. Jantar razoável. Cama.

Franklim num palmar em Douz

Franklim num palmar em Douz

Franklim junto de uma cáfila a descansar no deserto

Franklim junto de uma cáfila a descansar no deserto

>> 3.4.1991 >> Pequeno-almoço razoável no hotel Les Villas às 08:30 horas. Dormi muito, embora a respirar mal. Visita ao palmar e belveder. Bom almoço às 12:30 horas. Partida para Gafsa, onde visitámos as piscinas romanas. Chovia. Ida para Sbeitla/Sufetula. Visita ao arco de Deocleciano e cidade romana. Hotel às 18:00 horas, fora da cidade, mauzinho. Aqui comprei Hennée em pó. Havia montes dela em folhas e em pó. Perguntei ao guia para que servia. Disse-me que fazia crescer ou fortalecia o cabelo. Comprei um quarto de quilo em pó. Jantar assim, assim. Jogámos cartas, a escova, com o chauffeur Salat e os espanhóis. Deitar às 22:00 horas. Quarto 1.

Arco de Deocleciano em Sbeitla

Arco de Deocleciano em Sbeitla

>> 4.4.1991 >> Pequeno-almoço fraco depois de uma noite mal dormida. Partida às 08:00 horas para Kairouane, cidade santa do Islão, com a grande mesquita Okba. Visita das mesquitas e aljube. Almoço num hotel de bom aspecto. Razoável. Saída para Tunis com chegada às 15:30 horas. Hotel Mechtel, quarto 565. Ida à medina. Comprei um saco de cabedal. Jantar frango. Deitar. Fui para o quarto e pus a hennée com a mão, não tendo o cuidado de evitar sujar a cara, testa e pescoço, pensando que, ao lavar, sairia facilmente. Ficou basta. Esperei umas duas horas e fui lavar a cabeça. Olhei para o espelho e estava cor de cenoura. Vim cá abaixo ao hall e encontrei o casal basco, de Beasain (José e Ana Aguirre). Disseram: Eh! Peli rojo! – Contei-lhes o sucedido. Esfreguei e lavei e tornei a esfregar e lavar e nada.

Grande Mesquita Okba em Kairouane

Grande Mesquita Okba em Kairouane

Sala das orações da Grande Mesquita Okba

Sala das orações da Grande Mesquita Okba

>> 5.4.1991 >> Pequeno almoço fraco às 07:30 horas. O cabelo estava cor de açafrão avermelhado. Partida atrasada por causa do guia Mohamed. Visita às ruínas de Cartago, cidade destruída pelos romanos no ano 146 a.C.. Tirei aí foto engraçada (de cabelo ruivo). Visitámos um museu com muitos mosaicos romanos em Sidi Abou Said, parecida com Óbidos, o museu do Bardo. O edifício era todo azul e com janelas à andaluza. Os miúdos metiam-se comigo. Tive de fazer de conta que nada tinha de diferente. Almoço (bife). Levaram -nos até à medina e deixaram-nos. De tarde fui a uma cabeleireira pintar o cabelo. Disse-lhe que queria que o cabelo ficasse castanho. Ela pôs-me tinta castanho foncé. Mas ficou meio azul. Devia ter usado tinta preta para ficar castanho. Comprei um tripé para o grande prato de cobre comprado em 1985 no Egipto. Regresso a pé ao hotel às 18:00 horas. Descansar. Jantar às 20:00 horas com vinho branco de 1989 e um bife. Fraco. Sentei-me na sala a ver o movimento. Era Ramadão. Deitar às 22:00 horas.

Franklim com o cabelo cor de cenoura nas ruínas de Cartago

Franklim com o cabelo cor de cenoura nas ruínas de Cartago

Termas de Antonino em Cartago

Termas de Antonino em Cartago

Anfiteatro dos Mártires em Cartago

Anfiteatro dos Mártires em Cartago

Franklim no Museu do Bardo

Franklim no Museu do Bardo

Av. Bourguiba em Tunis, com uma igreja católica

Av. Bourguiba em Tunis, com uma igreja católica

>> 6.4.1991 >> Levantar às 08:00 horas. Pequeno-almoço às 08:30 horas. Bom. Visita ao zoo, debaixo de muita chuva. Hotel às 12:00 horas. Fui de avião para Madrid às 14:20 horas (atrasado) e chegada a Madrid pelas 17:00 horas, onde fiquei no hotel Convencion, no quarto 3029. Lavei novamente a cara, testa e pescoço, agora até com limão. Mas não havia meio de ficar bem.

Visitei Moncloa, Arco de Triunfo, Universidade Complutense, Goya. Comi em 2 bares -Los Torreznos e hotel.

Saí cedo para o Metro e só tinha vergonha de encontrar pessoas. Às hospedeiras que encontrei no aeroporto pedi toalhinhas embebidas em álcool, que costumam oferecer nos aviões. Bem esfreguei. Melhorou, mas não saiu.

A Tunísia pareceu-me um país bastante ocidentalizado. Não conhecia que se tratava de um país com tantos vestígios romanos, alguns bem conservados. Um país digno de ser visitado.

>> 7.4.1991 >> No aeroporto de Madrid encontrei o administrador da Melvar, minha cliente, e esposa, a quem contei o sucedido. Respondeu-me: «Isso não é nada, comparado com o que me aconteceu. Roubaram-me todo o dinheiro e cartões de crédito. Só escapou um cartão.» Ofereci-me para lhe emprestar algum dinheiro, mas ele respondeu que, felizmente, lhe ficara um cartão.

Em Lisboa, sempre com vergonha de encontrar pessoas, comprei álcool e esfreguei mais umas tantas vezes. Até raspei com navalha. Melhorou.

Fui a uma cervejaria perto de casa, que costumava frequentar, o «Ferro de Engomar», e contei o sucedido. Um empregado indicou-me uma cabeleireira que poderia ajudar-me. Ajudou um pouco. Comprei acetona e esfreguei a testa e cara. Já ardia, de tanto esfregar. No dia seguinte fui dar aulas com uma boina na cabeça. Uma aluna minha, o n.º 27, que era cabeleireira, quando lhe contei o sucedido, disse-me que era muito fácil tirar as manchas da cara e pescoço. Bastava usar cinza de cigarros. Fiquei pasmado e, ao mesmo tempo, danado por não conhecer tal informação que me poderia ter evitado tantas vergonhas e mesmo sofrimentos.

Acabei por dar o resto do pó de hainée a minha irmã Maria. Não sei se o usou.

Lá que fiz rir muita gente com o meu bonito cabelo, isso é pura verdade!

Gastei 5.665 dinares e 1.720 pesetas já em Espanha.

(Fim da Etapa 32.)

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«Viagens dum Globetrotter», por Franklim Costa Braga

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