Lágrima furtiva

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

A memória exagera, exagera tanto que muitas vezes se torna misteriosa, mas faz bem à nossa alma todo esse mistério, é como se nos estivesse a ensinar o caminho do fim.

Lágrima furtiva

O Côa levou a minha lágrima…

Leva-me vento misterioso, leva-me até à Montanha Sagrada, a minha alma está destroçada, o meu corpo é uma miragem, deixa que aquele perfume divino e subtil inunde este meu Ser, Terra Santa, Paraíso Terrenal, quero ouvir a voz daqueles que amei e me amaram! Daqueles que já partiram… Não! Não estão nos túmulos, estão percorrendo esses teus caminhos atapetados de pétalas de flores onde um ar divino os eternizará.

Uma furtiva lágrima deslizou pelo meu rosto, caiu na água do Côa, nesse velho e fundo pego onde me refugio lembrando-me da minha infância e da minha juventude, dos meus sonhos puros e cristalinos como a água desse rio; o Côa levou a minha lágrima, lágrima que só serviu para alimentar a Saudade…

Segui por um carreiro através do verde das margens do rio, não ia só, comigo caminhavam a minha infância e a minha juventude, entramos numa rua sem ninguém, evoquei as pessoas com quem me cruzava, já eram sombras no infinito do Céu.

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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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