As mulheres emparedadas

Entre os séculos XII e XV houve uma prática na Europa, fruto de uma visão extrema dos preceitos religiosos, que levou a que muitas mulheres se auto-enclausurassem em pequenas celas, designando-se essas mulheres por emparedadas.

Emparedada

Segundo escreveu o polígrafo Frei de Santa Rosa Viterbo, eram mulheres varonis, que, inteiramente desenganadas do mundo se sepultavam em vida numa estreita cela, cuja porta se fechava com pedra e cal, e só por morte se abria para levar a sua habitante à sepultura.

No lugar da porta, ao tempo de a tapar, deixavam apenas uma pequena fresta, por onde se lhe ministrava o absolutamente necessário para a vida, que era basicamente pão e água, recebendo ainda por aí a comunhão da mão de um sacerdote.

A essas mulheres de má fortuna, de se fecharem entre pareces se lhe chamava emparedadas. Também alguns autores daquele tempo lhes chamaram enceladas, por viverem numa espécie de cela.

Em Portugal há registos de ter havido emparedadas, nomeadamente em Lisboa, Porto, Coimbra, Santarém e Lamego.

:: ::
Paulo Leitão Batista, «Histórias de Almanaque»

Deixar uma resposta