Suprimir as portagens no Interior

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

É absolutamente prioritário suprimir as portagens nas autoestradas do Interior de Portugal, como incentivo para o desenvolvimento. Muito se tem falado sobre esta necessidade, porém a decisão tarda e isso prejudica o progresso harmónico do país.

As portagens nas ex-scut são um entrave ao desenvolvimento

A introdução de portagens na A23 e A25 prejudicou as pessoas que vivem e trabalham no Interior e condenou aqueles territórios, mormente os distritos de Castelo Branco e da Guarda ao atraso. As portagens são um custo adicional que desincentiva a instalação e a manutenção de negócios e coloca entraves à deslocação das pessoas, o que é agravado pela manifesta falta de vias alternativas às autoestradas.

Um estudo da Universidade de Aveiro, recentemente divulgado, garante que o resgate das rendas pagas aos concessionários das ex-SCUT (autoestradas sem custos para o utilizador) permitiria ao Estado poupar 11 mil milhões de euros. Isso significa que há um custo excessivo para o erário público com a manutenção das rendas pagas aos concessionários das SCUT – previstas até ao ano 2040.

Tem que haver coragem política para por cobro a estas parcerias público-privadas rodoviárias, proporcionadas pelo negócio com as portagens nas ex-SCUT, que para além de lucros fabulosos, prejudicam o desenvolvimento das terras do interior do país.

Contas feitas, o resgate imediato destas rendas teria um custo de 5,5 mil milhões de euros, em vez dos 18 mil milhões calendarizados até 2040. Isso significa que, agindo já, o Estado poupa os tais 11 mil milhões acima referidos.

As portagens são injustas, constituem um mau negócio para o Estado e prejudicam a mobilidade de quem vive e trabalha no interior, pois são uma barreira ao desenvolvimento.

É pois importante exigir a revogação das portagens, não sendo sequer aceitável a sua redução progressiva e calendarizada.

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«Contraponto», de Paulo Leitão Batista

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