Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (31)

Franklim Costa Braga - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Toda a gente gosta de mostrar aos amigos uma foto tirada algures longe da morada. Organizam-se excursões para visitas cá e lá fora, com viajantes que, por vezes, mal têm para comer. Mas, como é moda, toda a gente viaja. (Etapa 31).

Mapa da Malásia e Sri Lanka

Mapa da Malásia e Sri Lanka

II – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 90

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VERÃO DE 1990 – II PARTE

Viagem de rico seguindo a Rota dos Descobrimentos: Bombaim, Goa, Mormugão, Madras, Bangalore, Mysore, Sri-Lanka, Malásia e Singapura.
Viagem preparada para mim pelas Viagens Mapa Mundo. Custou-me uma nota preta.

Curiosidades

Ceilão – Moeda: rupia cingalesa. 1 rupia cingalesa = 4$00 portugueses.

Kuala Lampur – Troquei 20$ EUA. Deram-me 60$ malaios. 1$ EUA=2,68$ a 3$ da Malásia.

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>> 10.08.1990 >> Parti de táxi para Mysore. Pelo caminho visitei Sriranhapatna, antiga capital de Hyderali e seu filho Tippu, entre Bangalore e Mysore, a 19 quilómetros desta cidade. Aí visitei o palácio do sultão Tipu, o Tigre de Mysore, que venceu os ingleses em 1799.

Templo de Sriragapatan

Templo de Sriragapatan

Túmulo de Tipu

Túmulo de Tipu

Em Mysore fiquei no hotel Lalitha Mahal Palace, bom, que fora um antigo palácio mandado fazer pelo marajá. A cama tinha dossel e casa de banho enorme, embora fraca. Em Mysore visitei Chamundi Hills com o templo de Chamundeshwari, do séc. XII. A meio caminho da escadaria de 1008 degraus que leva ao templo encontra-se uma estátua de Nandi, o touro sagrado, de 7,60m de altura. Nandi era o veículo do deus Shiva e estava também associado à fertilidade. À entrada do templo está uma estátua de um demónio com uma espada e uma serpente que protege o templo. Visitei ainda Maharaja’s Palace, o Forte, Summer Palace e Krishnaraja Sagar Dam, onde paguei 10 rupias para usar a câmara. Fui ver um espectáculo de luzes no jardim do palácio do 25.º marajá.

Palácio do Marajá em Mysore

Palácio do Marajá em Mysore

Franklim frente ao templo de Chamundeshwari

Franklim frente ao templo de Chamundeshwari

A estátua de Nandi

A estátua de Nandi

O demónio, guarda do Templo

O demónio, guarda do Templo

>> 11.08.1990 >> De táxi parti no dia 11 para Bangalore, visitando Somnathpur pelo caminho, com o seu belo templo de Chennakesava, típico da assombrosa arquitectura do sul da Índia, com o rendilhado da pedra toda repleta de estatuetas, e seguindo de avião para Madras, pelas 16.40 horas com a Indian Airlines, com chegada a Madras, hoje Chennai, pelas 17:20 horas, onde fiquei no hotel Chola Sheraton (razoável), quarto 224. Madras tem vários templos com muitas figuras polícromas.

Comi no hotel Mayura por 43 rupias, mais 25 da bebida e ainda as taxas. Não deixei de provar o célebre crepe salgado e picante Masala dosa.

Supremo Tribunal de Bangalore

Supremo Tribunal de Bangalore

Assembleia de Bangalore

Assembleia de Bangalore

Franklim no templo de Kesava em Somanthapur

Franklim no templo de Kesava em Somanthapur

>> 12.08.1990 >> Visitei Kanchipuran, a que os portugueses chamavam Congiverão, e Mahabalipuram (ou Mamallapuram).

Os belos templos de Kanchipuram, com belas gopurans, são dedicados a Shiva e à esposa Durga, mãe de Ganesh. Ganeshi, Krisha (com flauta), Nandi (o touro) e Garuda estão presentes. A guia, só para mim, era a sra. Lalika. Regressei ao hotel e visitei o parque das serpentes. Nesta viagem à Índia, só, (rota dos descobrimentos) vi na rua um faquir dependurado num carro por pregos nas costas. Eu ia num táxi com a guia. Em Mahabalipuram almocei na praia e bebi cerveja caríssima, 45 rupias. Comi por 75 rupias e mais 45 por uma cerveja e 6 por um chá, no Silversands.

Templo de Canchipuram

Templo de Canchipuram

Shore Temple em Mamallapuram

Shore Temple em Mamallapuram

Descida do Ganges, imagens esculpidas num rochedo em Mahabalipuram

Descida do Ganges, imagens esculpidas num rochedo em Mahabalipuram

>> 13.08.1990 >> Manhã livre. Em Madras visitei um templo hindu e a Igreja da Luz, onde fotografei o padre. O templo está esculpido com inúmeras estatuetas polícromas de deuses e animais. É a pura arte na pedra. Transporte do hotel ao aeroporto. No aeroporto de Madras fiz compras (bracelete, duas estatuetas de Shiva em metal e uma base para queimar pauzinhos de sândalo e respectivos pauzinhos) e fui enganado e acusado pelo logista à polícia que saía com moeda local, o que era proibido. Eu escondera as rupias nas meias. O polícia revistou-me mas nada encontrou. Saída de Madras para o Sri Lanka. Voo pelas 13:20 horas. Chegada a Colombo, capital do Sri Lanka, antigo Ceilão, pelas 14:30 horas. Fiquei hospedado no Hotel Holiday Inn.

>> 14.08.1990 >> Viajei de táxi para Habarana, cruzamento de estradas onde construíram uma village à moda do Sri Lanka, isto é, um autêntico covil, com um colchão no chão de um cubículo, quarto E-11, à beira de um lago. Esta zona era a área dos Tamil e não se podia andar para longe da village. Daí via-se Sigiriya.

Franklim em Polonnaruwa

Franklim em Polonnaruwa

Ruínas de Polonnaruwa

Ruínas de Polonnaruwa

Ruínas de Polonnaruwa

Ruínas de Polonnaruwa

Franklim com a Rocha do Leão atrás, em Sigiriya

Franklim com a Rocha do Leão atrás, em Sigiriya

>> 15.08.1990 >> Parti para Polonnaruwa (ruínas), capital dos reinos Chola e Cingalês a partir do ano 993. É património da Humanidade. Havia uma manifestação de monges budistas pela paz. Decidi não dormir segunda noite em Habarana e fui de tarde para Candy, passando por Sigiriya. Sigiriya foi antiga capital, com a fortaleza construída na Rocha do Leão no séc. IV a.c. pelo rei Kassyapa. Subi a montanha de 370m. de altura por escadas de ferro, num total de 750 degraus em escada de ferro cravada na rocha, com uma ventania terrível, que abanava a escada e metia medo. Cá em baixo viam-se canais antigos a mostrar a técnica dos agricultores da região. No último patamar já não quis subir mais uns 20 metros para ver as pinturas.

Rochedo de Dambula, com caverna onde foi construído um templo budista

Rochedo de Dambula, com caverna onde foi construído um templo budista

Templo de Dambula

Templo de Dambula

Interior do Templo de Dambula

Interior do Templo de Dambula

Pelo caminho vi os templos de Dambula, lá no alto do monte. Tenho bilhete com a contribuição de 4$. Vi ainda o jardim das especiarias em Matale. À noite fui a umas danças passando com os pés descalços por cima de brasas. Antes visitei o templo do dente de Buda em Kandia, onde tocavam tambores. Fui ao Kandyan Cultural Show pelas 07:30 horas por 150 rupias. Fiquei no hotel Jal, quarto 207.

>> 16.08.1990 >> Seguimos em direcção a Colombo, visitando pelo caminho o parque dos elefantes, jardim botânico com muitos vampiros dependurados das árvores e duas mangustas. Vi plantações de chá e montes de ananases e de frutas, como grandes bolas amarelas, as dúrias. Comi bananas vermelhas e uma dúria, que cheirava mal.

Franklim montando um elefante no Parque dos Elefantes

Franklim montando um elefante no Parque dos Elefantes

Venda de dúrias e outras frutas

Venda de dúrias e outras frutas

Em Colombo fiquei no hotel Holiday Inn, quarto 803. Fui a Kolte usando três autocarros à procura de vestígios de Portugal, conforme me haviam informado, e não encontrei nada dos portugueses. Deambulei por Petah, onde comprei uma camisa e bonecada. Fui a um supermercado, onde vi à venda vinho Mateus Rosé.

A antiga Ceilão tem muitos monumentos antigos, ao contrário do que se poderia pensar. Moeda: rupia cingalesa. 1 rupia cingalesa = 4$00 portugueses.

>> 17.08.1990 >> Levantei-me às cinco horas da manhã, apanhei um avião da UL (Lanka) para Singapura, com óptimo serviço, incluindo aperitivos, vinho e conhaque à discrição. Havia menu, que ainda guardo. Cheguei a Singapura atrasado e tive de apanhar (sem problemas) um avião diferente do meu para Kuala Lumpur. A agência não me esperou e era ela que tinha os vouchers. Eu nem sabia qual era o meu hotel. Aguardei longo tempo. Consegui que me levassem numa carrinha para o Holiday Inn, mas estava cheio. Fui ao Melia e estava cheio. Fui a outro hotel e nada. O condutor da carrinha deixou-me na calçada e Indicou-me o Federal Hotel, ali perto. Com tanta sorte que era o que tinha a minha reserva. Fiquei no quarto 416. Troquei 20$ EUA. Deram-me 60$ malaios. 1$ EUA=2,68$ a 3$ da Malásia.

>> 18.08.1990 >> Bom pequeno-almoço. Apareceu o empregado da agência e deu-me os vouchers. Saí para a visita da cidade com um jovem casal inglês. Fomos à Mesquita Nacional, Parlamento e centro de artesanato de Karyaneka, onde comprei um objecto em madeira para colocar canetas, com o mapa da Malásia gravado num lado e com uma borboleta amarela numa cavidade tapada por um vidro no outro lado. Após o almoço visitei grátis uma fábrica de estanho e um templo hindu com grandes escadas e macacos. Na Chinatown comprei camisas, meias e um Rolex.
Kuala Lumpur é uma cidade muito limpa. Nem parece uma cidade de religião nem de arquitectura muçulmanas. É proibido deitar papéis no chão, sendo multado quem o faz.

Estátua aos soldados da 2.ª Grande Guerra

Estátua aos soldados da 2.ª Grande Guerra

Parlamento de Kuala Lumpur

Parlamento de Kuala Lumpur

Mesquita Masjid Jame no local berço de Kuala Lumpur

Mesquita Masjid Jame no local berço de Kuala Lumpur

>> 19.08.1990 >> De expresso segui para Melaka (Malaca portuguesa). Fiquei no hotel Ramada Renaissance, bom, no quarto 1705. Visitei o Portuguiz Setlement, ao fundo da Av. Aranjo (corruptela de Araújo), onde ainda se fala o papiá cristão-português dos soldados do séc. XVI. Após o almoço no Restaurante San Pedro, conversei com alguns pescadores-Jalan Teixeira, Jalan d’Albuquerque, Jalan Sequeira e Jalan d’Aranjo. Dei-lhes jornais que levara de Portugal e conversei na Portuguese Square com o Sr. George d’Alcantra, dono do Restaurante de Lisbon, que colecciona coisas portuguesas. Jantei lá peixe grelhado por 18,60 dólares malásios. Na segunda visita ao Portuguese Setlement presenciei um acidente com o autocarro onde eu ia. Nada sofri. O autocarro 17 entrou por uma loja. Em Kuala Lumpur visitei o muzium Negara.

A Formosa, porta da fortaleza portuguesa de Santiago

A Formosa, porta da fortaleza portuguesa de Santiago

Malaca antiga

Malaca antiga

A Malaca dos holandeses

A Malaca dos holandeses

>> 20.08.1990 >> Visita a Malaca, incluindo a Catedral de São Paulo, o Museu da Cidade, a Porta de Santiago da fortaleza portuguesa (a Formosa), Bukit China, e o templo chinês de Cheng Hoon Teng.

À tarde, partida para Singapura com paragem em Ayer Hitam, centro de vegetais e frutas. Continuação pela estrada Johore, que liga a Malásia a Singapura. Fiquei no Hotel Imperial, em Singapura.

>> 21.08.1990 >> De manhã visita à cidade de Singapura: Orchard Road, Merlion Park, Supremo Tribunal, China Town e Mount Faber. Deixei o quarto pelas 13:00 horas. Pelas 20:00 horas banho no hotel Meliá e partida às 21:00 horas para o aeroporto, onde esperei até às 03:00 horas da manhã. Carimbo de saída de Singapura. Mas, por avaria do avião, tornei a dar entrada para ir dormir no hotel Pan Pacific, enorme, com elevadores por fora, com 32 andares e 800 quartos. Deitei-me às 04:00 horas no quarto 2701, por conta da Lufthansa, pela avaria.

>> 22.08.1990 >> Almocei no hotel Pan Pacific. Bom. Novo carimbo de entrada e, em novo carimbo de saída. Só partimos no dia seguinte, pois foi preciso trazer uma peça da Alemanha. Saída pelas 16:00 horas com a Lufthansa para Frankfurt, onde cheguei às 23:00 horas, tendo tomado duas refeições a bordo. Dormi em Frankfurt, no quarto 4001 do Frankfurt Sheraton Hotel, razoável, sem luxo.

>> 23.08.1990 >> Frankfurt-Lisboa. Saída para Lisboa com a Lufthansa pelas 13:10 horas, com chegada a Lisboa pelas 15:10 horas.

Apreciação: Já tive ocasião de dizer que a Índia é fascinante. Tanto a zona de Amber como a do sul da Índia transportam-nos para um mundo diferente com costumes, modo de vida, religião e templos e outras construções que não encontramos na Europa. É uma vida pacífica, aconselhável para descansar.

Recordações: Trouxe muitos bilhetes postais, folhetos, livros turísticos, bilhetes e tickets da bagagem dos aviões, que me ajudaram a reconstituir esta viagem.

Gastos: 120$ no total. Já tinha pago viagem e hotéis em Portugal.

(Fim da Etapa 31.)

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«Viagens dum Globetrotter», por Franklim Costa Braga

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