Casteleiro – Mezinhas para doenças

José Carlos Mendes - Orelha - Colaborador - Capeia Arraiana - 180x135

Há para aí uns 60 anitos, quando nós, os miúdos, tínhamos sarampo ou outra mazela qualquer, como é que os mais velhos e sobretudos as mães faziam para nos ajudarem? Leia e saiba mais umas coisas do antigamente….

Ervas medicinais são partes de plantas extraídas ou preparadas para benefícios da saúde

Ervas medicinais são partes de plantas extraídas ou preparadas para benefícios da saúde

Hoje, um texto mais pequeno, sobre um assunto muito importante: a sabedoria da «medicina» popular. Esse é um mistério permanente para mim ainda hoje. Agora, quando estamos doentes, é fácil… médico, farmácia, químicos e, se tudo correr bem, em dois tempos fica tudo como novo. Dantes não era assim. Dantes, não havia os actuais produtos farmacêuticos, como imaginam.

Por isso, o Povo teve de se socorrer ao longo dos séculos de ervas e produtos da terra para minorar os efeitos das doenças. Mas houve doenças em que não havia solução: tantas pessoas morreram antes de se descobrir a penicilina ou as vacinas…

No entanto, a sabedoria popular resolveu muita coisa. Um médico português do século XVII escreveu um livro com as mezinhas populares e ajudou a divulgar os seus benefícios.

Flor de sabugueiro tem qualidades medicinais

Flor de sabugueiro tem qualidades medicinais

Mezinhas usadas no Casteleiro

Vamos, então, a duas ou três mezinhas simples que eram muito usadas no Casteleiro.

Infecções graves por golpes profundos
Lavagem com borato (de sódio) – um pó branco como o bicarbonato, diz a minha fonte – e depois punha-se mel como se fosse uma pomada.

Dores de intestinos e dores menstruais
Chá de malvas e bredos mercuriais (parece erva cidreira e dá-se nas paredes. Tinha muitíssima fama há 60 anos).

Constipações e dores de garganta
Chá de sabugueiro misturado com leite. Era difícil de tomar. Tinha um sabor esquisito, dizia sempre a minha mãe. Ou então: aguardente queimada, mel e chá de alecrim.

E, não, não. Tirem daí o sentido: ao contrário do que eu queria escrever, há três ervas que não servem para nada de útil nesta campo: nem os cocilhos, nem urtigas, nem as azedas. Se não sabe do que se trata, pergunte aos mais velhos.

Gozem a vida moderna e tenham uma boa semana, caros leitores.

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«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

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