António Bogas vai ser general da GNR

Hoje destacamos... - © Capeia Arraiana (orelha)

O Diário de Notícias destaca na edição deste domingo, 4 de Agosto, que a partir de 2020 a GNR terá já três oficiais generais da «casa» prontos para assumir o leme da maior força de segurança do país. Outros se seguirão. Actualmente o topo da hierarquia ainda está todo ocupado por generais do Exército. Aos três primeiros coronéis que vão ascender a generais o jornal chama-lhes «Meninos de Ouro». Entre eles destacamos um nome: António Bogas, natural do Sabugal. Aqui fica, com a devida vénia, o artigo da jornalista Valentina Marcelino…

Coronel António Bogas (Foto: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Coronel António Bogas (Foto: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Artigo da jornalista Valentina Marcelino no Diário de Notícias

Quando terminaram o curso há 23 anos na Academia Militar sabiam que este dia chegaria. Sem falsa modéstia, assumem que não ficaram surpreendidos por terem sido os escolhidos para o Curso de Promoção a Oficial General (CPOG).

Estão entre os primeiros classificados do primeiro curso, terminado em 1996. De origens humildes, António, Paulo e Rui preparam-se para fazer história. Serão os primeiros generais da «casa», são líderes natos e conhecem a GNR como ninguém, da base ao topo da hierarquia.

São três os que vão ao próximo CPOG: Rui Ribeiro Veloso, o oficial ranger; Paulo Silvério, o oficial da serena energia; e António Bogas, o oficial das contas certas.

Na escola, António Bogas, era aquele miúdo que tinha sempre um estojo arrumado e onde não faltavam a esferográfica azul, a preta, a verde e a encarnada. Gostava de fazer contas e já era organizado e meticuloso. «Na Academia Militar tinha sempre o quarto tão arrumado que podiam fazer revistas a qualquer hora», recorda ao DN.

Se estivesse vivo, certamente que o seu pai iria emocionar-se quando soubesse que o seu menino, que foi obrigado a deixar na então vila beirã do Sabugal por ter emigrado para Alemanha com a mãe, poderá ser um dos primeiros oficiais generais da GNR. Com os pais longe, António Bogas não teve uma infância fácil.

Contou com a tenacidade da irmã mais velha sete anos, que foi como uma segunda mãe e o ajudou a fazer as escolhas corretas no seu caminho. A opção pela licenciatura em Administração Militar foi tão natural como respirar. «Foi mesmo por convicção», assume.

Hoje é o responsável pela gestão de cerca de 850 milhões de euros que constituem o orçamento anual da GNR e é um dos três escolhidos para frequentar o Curso de Promoção a Oficial General. Acena negativamente quando perguntamos se não se sente parte de uma «elite» que vai fazer história na Guarda.

«Sempre pautei a minha vida pela discrição. Lá na terra, só souberam que eu era militar no funeral do meu pai, quando viram alguns camaradas fardados», diz.

Insistimos: foi difícil chegar aqui? Respira fundo.

«Foi uma maratona. No meu caso posso dizer que sou fruto da competência e do desempenho, mas também das circunstâncias e da sorte que me deram muito trabalho a conquistar. Claro que sabíamos quando entrámos na Academia que este dia podia chegar, mas nunca fiz disto um cavalo de batalha, embora fosse um desiderato assumido. Os primeiros oficiais generais da GNR tinham sempre de ser os licenciados da Academia. Era uma questão de princípio, independentemente de eu estar incluído», assinala.

Tem de memória todos os nomes dos colegas de curso, datas de entradas e saídas, onde estão colocados presentemente, momentos tristes como os da morte dos camaradas Calado, a meio do curso, e do Raimundo, já quando era tenente.

António Bogas foi o primeiro classificado do curso e teve um «passaporte» direto para o quartel-general da GNR no Carmo, logo que saiu da Academia. «Vi pela primeira vez na vida um cheque de 700 mil contos», lembra, também com um sorriso sincero.

Foi responsável pela área financeira e logística das maiores Unidades da GNR, desde o Comando-Geral à ex-Brigada Fiscal e à ex-Brigada n.º 4, que cobria os distritos de Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda e Viseu. Foi chamado aos serviços sociais ainda como capitão, mas a desempenhar funções de tenente-coronel como vogal no conselho de direção daquele organismo.

Seguiu para a Escola da Guarda, em Queluz, onde foi diretor de cursos e chefe do Núcleo de Formação e Ensino. Foi ainda professor na Academia Militar e no Instituto Universitário Militar. Integrou uma missão de cooperação técnico policial em Angola, onde assessorou o Instituto Superior de Polícia.

Desde 2011 que está colocado no Comando da Administração e Recursos Internos (CARI), primeiro como chefe de divisão e desde há quase três anos à cabeça da Direção de Recursos Financeiros.

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O Capeia Arraiana congratula-se com o mérito militar alcançado pelo sabugalense António Bogas.

jcl (com Diário de Notícias)

One Response to António Bogas vai ser general da GNR

  1. Luís Carriço diz:

    A integridade e a preserveranca mais cedo ou mais tarde são recompensadas
    Nos anos 80 foi escolhido pelo então comandante do CB Sabugal para ser um dos dois primeiros TAS do Corpo de Bombeiros, escolha criticada por mim não por medo da competência, mas por saber que essa o levaria rápido a outros voos .
    Parabéns ao Tomane

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