O retábulo de Santa Bárbara

António Gonçalves - Colaborador - Orelha - Capeia Arraiana

O Retábulo de Santa Bárbara, de Dirão da Rua, de influência maneirista, terá sido construído em meados do século XIX e foi sujeito a intervenções de conservação e restauro em 2013.

Retábulo de Santa Bárbara, da capela com o mesmo nome em Dirão da Rua, após as obras de restauro de 2013

Durante as obras de requalificação do telhado da capela de Santa Bárbara, em 2012, constatou-se que o retábulo se encontrava em péssimo estado de conservação.

Fui incumbido de recolher propostas de conservação e restauro. Após análise das mesmas, foi aceite a de Joaquim Augusto Capelo Mendes, residente em Santo Estêvão.

O restauro realizou-se em 2013 e “devido ao péssimo estado de conservação, em que o retábulo se encontrava, houve a necessidade de se proceder à sua desmontagem e consequente acomodação na sacristia; com o intuito de possibilitar: a sua conservação e consequente controlo de degradação”.(1) Verificava-se o envelhecimento descontrolado dos materiais com o risco de perda de estabilidade do suporte.

Retábulo de influência maneirista, de autor desconhecido, que se encontrava bastante adulterado em consequência de anteriores intervenções desajustadas.

Constituição do retábulo:

• Peanhas (que por norma deveriam estar alinhadas com a base das colunas); base; colunas laterais; corpo com nicho ao centro; entablamento; remate e pináculos.

Sob a base do retábulo, encontrava-se uma base de madeira resinosa, que acolhia a Pedra Ara.

Durante as obras tivemos oportunidade de analisar os materiais e trocar informações. Assim, da análise superficial à sobreposição de pinturas, constatámos que esta deveria ser a terceira intervenção do género, revelando a última algum amadorismo; da recolha de informação oral, junto dos mais velhos, soube que a anterior se realizou em finais da década de 1950 e terá sido efetuado por um carpinteiro de Pousafoles do Bispo, que ninguém foi capaz de identificar. Reunida a informação deduzimos que a sua edificação deverá ter ocorrido em meados do século XIX. Saliente-se que em meados do século XVIII já existia a capela. Isto significa que durante cerca de 100 anos não teve altar! Ou seja, o povo foi construindo/acrescentando na medida das suas possibilidades.

Para terminar de referir o excelente trabalho do Joaquim Mendes, mostrando grande profissionalismo e competência.

>> Veja o pormenor dos trabalhos realizados… (Aqui.)

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«Memórias de Sortelha», por António Augusto Gonçalves

Notas:
1. Mendes, Joaquim Augusto Capelo, “Relatório final de conservação e restauro do retábulo de Santa Bárbara” (Introdução).

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