Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (29)

Franklim Costa Braga - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Toda a gente gosta de mostrar aos amigos uma foto tirada algures longe da morada. Organizam-se excursões para visitas cá e lá fora, com viajantes que, por vezes, mal têm para comer. Mas, como é moda, toda a gente viaja. (Etapa 29).

Mapa com a localização das regiões turísticas do estado de São Paulo

Mapa com a localização das regiões turísticas do estado de São Paulo (Brasil)

II – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 80

1989 – Julho e Agosto – Perú e Brasil
Viagem programada pela Top Tours.

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Curiosidades
Moeda = inti, que substituiu o sol em 1986, moeda esta que ainda se usava.
1 inti = 1.000 soles. 1 dólar = 3.000 intis.
O Perú tinha 20 milhões de habitantes. A língua dos indígenas é o quetchua.

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II Parte – Brasil

>> 08.08.1989 >> Chegada a São Paulo às 06:50 horas. Ficámos no Hotel Brasilton. O Miro foi-nos buscar para casa da mãe. Levou-me ao médico Isaac e ficou marcada a operação aos olhos.

>> 09.08 >> Viagem de São Paulo a Belo Horizonte na Varig RG-364. Uma hora de voo. Ficámos no Hotel Del Rey. Tarde livre.

>> 10.08 >> Em Belo Horizonte. Excursão a Ouro Preto, com almoço incluído. Visita a várias igrejas barrocas, entre elas a igreja de Nossa Senhora da Conceição, com vários altares cobertos de talha dourada, a igreja de São Francisco de Assis e a igreja do Pilar, também ela com abundante talha dourada nos altares. Visita ao museu das pedras, onde vimos toda a casta de pedras semi-preciosas abundantes em Minas Gerais, lugar muito apreciado pelas mulheres que se deleitavam em compras de colares, pulseiras, etc. Ainda visitámos o museu da Inconfidência, na praça do Tiradentes, dentista apoiante da independência, cuja estátua se encontra na praça com o seu nome. Regresso a Belo Horizonte.

Bairro António Dias em Ouro Preto

Bairro António Dias em Ouro Preto

Igreja de Nossa Srª da Conceição

Igreja de Nossa Senhora da Conceição

interior da Igreja de Nossa Srª da Conceição

Interior da Igreja de Nossa Senhora da Conceição

Praça do Tiradentes com o Museu da Inconfidência

Igreja do Pilar

Igreja do Pilar

Praça do Tiradentes com o Museu da Inconfidência

Igreja de S. Francisco de Assis

Igreja de São Francisco de Assis

>> 11.08 >> Dia livre em Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais. À tarde, pelas 20:15 horas, seguimos para o aeroporto local para viajar para o Rio de Janeiro no SC 491. No Rio ficámos no hotel Luxor Regente, na Av. Copacabana, mesmo em frente da praia com o mesmo nome.

Franklim em frente à praia de Copacabana

Franklim em frente à praia de Copacabana

>> 12.08 e 13.08 >> Permanecemos no Rio de Janeiro. Dias livres.

>> 12.08 >> Fomos numa excursão à praia de Búzios, a cerca de 174 quilómetros do Rio. Já não me lembro se fomos de autocarro ou de barco, mas creio que foi de autocarro. Vimos grandes extensões de laranjais, tendo comprado corgalhos de tangerinas. Foi comer até mais não poder.

O casal em Búzios

O casal em Búzios

>> 13.08 >> Fomos ao Pão de Açúcar num funicular, à Floresta da Tijuca e, novamente, ao Mercado dos Hippies, onde comprei dois ou três pequenos quadros. À noite fomos ao teatro no Canecão com a actuação de Ney Matogrosso. Aí, estava sentada uma grega na nossa mesa. Conversei com ela lembrando algumas palavras do grego clássico que havia aprendido no Seminário de Évora com o cónego Sebastião Martins dos Reis. Houve trombas da ex mais uma vez.

>> 14.08 >> Manhã livre, que aproveitámos para ir à praia. De tarde deveríamos seguir para Madrid. Porém, dado que deveria fazer a operação aos olhos, trocámos os bilhetes e seguimos para São Paulo. O Miro foi buscar-nos ao aeroporto de Guarulhos e levou-nos para casa da mãe, paredes meias com a sua.

À mesa em casa da “irmã” Maria

À mesa em casa da «irmã» Maria

>> 15.08 >> Ida ao médico oftalmologista, Dr. Isaac, acertar os pormenores da operação aos olhos. De tarde fomos visitar o local da fundação de São Paulo pelo jesuíta Padre Manuel da Nóbrega em 25.01.1554, em cujo local construíram um colégio para os jesuítas. À noite fomos jantar num restaurante-miradouro com muitos andares.

>> 16.08 >> Passámos o dia em visitas aos pais da Tânia, mulher do Miro, do quadrazenho Moura, de alcunha Padre Ficô-se, e esposa. Também conhecemos o filho destes, o Luís, médico casado com uma moça de origem árabe. Foram-nos apresentados outros portugueses que viviam em Vila Maria, nos arredores de São Paulo. Entre eles estava o Sr. Manel, transmontano, que nos deu a provar vinho feito por ele. Também visitámos o quadrazenho Zé Manel Maja (j lido à espanhola), que havia emigrado juntamente com o Zé Manel Manal, pai do Miro. Vivia com a esposa Florinda e uma das filhas, médica, em frente do Miro. Convidou-nos para jantar em sua casa. Comemos um valente churrasco. As vivendas tinham todas portões de ferro e as janelas eram protegidas por grades de ferro. O Brasil é povoado por muitos ladrões e o pai do Miro foi vítima de um tiro de um bandido.

No dia 17 de Agosto de 1989, pelas 15:00 horas, dei entrada no hospital Osvaldo Cruz e fiz operação a um olho (o direito com 7,5 diopterias), já que o médico Isaac me aconselhou a operar um olho de cada vez. Saí do hospital logo nesse dia, embora de olho tapado. Cada olho levou 16 cortes com faca. Ainda não se usava o laser. A única coisa que senti durante uns meses é que via as estrelas e outros objectos cortados em 16 pedaços.

No dia seguinte voltei ao consultório do médico para ser visto por ele. Passei o dia em casa, deitando gotas constantemente, já que o olho inchara. O mesmo aconteceu no dia seguinte.

>> 20.08 >> Visitámos o Museu Paulista da Universidade de São Paulo, mais conhecido por Museu do Ipiranga.

Franklim, esposa e a Tânia em frente ao Museu do Ipiranga

Franklim, esposa e a Tânia em frente ao Museu do Ipiranga

>> 21.08 >> Fomos visitar as praias de Caraguatatuba a 172 quilómetros de São Paulo. Devemos ter ido de autocarro.

Franklim e a esposa na praia de Caraguatatuba

Franklim e a esposa na praia de Caraguatatuba

Em 22 de Agosto fui operado ao olho esquerdo, o que tinha menos diopterias(6,5), no mesmo hospital. Paguei o correspondente a 72.800$00 em Português, em novos cruzados.

>> 23.08 >> Permaneci em casa da irmã Maria (como tratava a mãe do Miro, que foi criada em casa de meus pais) com o olho tapado e deitando-lhe colírios constantemente.

>> 24.08 >> Fomos com o Miro no seu carro visitar o Parque de Ibirapuera em São Paulo, onde fica o museu de arte moderna, que também visitámos. Não apreciei muito. Lembro-me de um cordão de areia muito comprido como se fosse uma cobra, coberto de pedacinhos de papel. Era de um autor conhecido, cujo nome não lembro.

Franklim e esposa no parque de Ibirapuera, frente ao Museu de Arte Moderna

Franklim e esposa no parque de Ibirapuera, frente ao Museu de Arte Moderna

>> 25.08 >> Visita a Monte Sião, a 160 quilómetros de São Paulo, no carro do Miro, provando aí vários licores.

A ex em Monte Sião

A ex em Monte Sião

>> 26.08 >> Demos umas voltas pelo comércio de Vila Maria, visitámos a loja de roupa do Miro e visitámos a igreja de Nossa Senhora da Candelária com uma grande escadaria.

>> 27.08 >> O Miro levou-nos a Santos, a 72 quilómetros de São Paulo. Depois viemos por Saõ Sebastião e, no caminho, passámos por uma cachoeira.

Franklim, esposa e amiga em S. Sebastião

Franklim, esposa e amiga em São Sebastião

>> 28.08 >> Fomos ao Simba Safari, hoje Zoo Safari, com uma extensão de quatro quilómetros junto de São Paulo. Andávamos no carro do Miro por entre leões, tigres, macacos, quatis, órix, e muitos outros animais. O carro tinha uma protecção em ferro à frente do pára-brisas. À noite o Miro levou-nos a um candomblé, cerimonial de orixás.

No Simba Safari

No Simba Safari

Em 29.08 fui ao médico e entregaram-me resumo dos custos hospitalares e comprei dois bilhetes de São Paulo para o Rio por 251,80 cruzados na Embratur para viajar na TransBrasil, seguindo depois para Lisboa.

Regressei sem óculos, que já usava desde os 12 anos e que odiava. Como transpiro muito, as hastes tornavam-se brancas e as lentes embaciavam frequentemente quando treinava atletismo. Quando chovia, quase não conseguia ver. Aconteceu-me ter de desistir num corta-mato em Setúbal por a chuva me impedir de ver o trilho. Já podem ver a minha satisfação por me ter visto livre de tal empecilho, mesmo contra a vontade dos médicos do Instituto Gama Pinto. Há meia dúzia de anos, o médico Araújo Gomes, ao operar-me às cataratas, também torceu o nariz àqueles cortes. Mas conseguiu fazer a operação. Até fotografou os meus olhos para apresentar num congresso de oftalmologistas. E já lá vão quase 30 anos sem óculos, agora apenas os usando para ler.

>> 1989 >> Viagens profissionais e outras.

Em Janeiro de 1989 comecei a trabalhar em mais uma empresa da zona de Torres Vedras, a Cerâmica Torreense. Daí que começasse a ir mais frequentemente a Torres Vedras, para além das idas a Viseu. Em Setembro de 1989 fui a Ponta Delgada para conhecer a nova empresa onde iria ser Roc-a Ediçor. Aproveitei para conhecer a ilha de São Miguel.

Em Maio de 1989 fomos a Coimbra à Queima das Fitas, tendo visitado a Fonte dos Amores na Quinta das Lágrimas.

(Fim da Etapa 29.)

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«Viagens dum Globetrotter», por Franklim Costa Braga

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