Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (28)

Franklim Costa Braga - 1980 - Colaborador - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Toda a gente gosta de mostrar aos amigos uma foto tirada algures longe da morada. Organizam-se excursões para visitas cá e lá fora, com viajantes que, por vezes, mal têm para comer. Mas, como é moda, toda a gente viaja. (Etapa 28).

Mapa Perú

Mapa do Perú

II – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 80

1989 – Julho e Agosto – Perú e Brasil
Viagem programada pela Top Tours.

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Em 17 de Março de 1989, uma Sexta-Feira, faleceu meu pai. Recebi a notícia por telefone, estava eu no Liceu Camões em aulas, à noite. Deixei as notas do 2.º período a uma colega e parti para Quadrazais. O funeral ocorreu no dia 19 de Março, dia do pai.

Oficialmente, entrei de férias da Páscoa em 20 de Março.

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Curiosidades
Moeda=inti, que substituiu o sol em 1986, moeda esta que ainda se usava.
1 inti=1.000 soles. 1 dólar=3.000 intis.
O Perú tinha 20 milhões de habitantes. A língua dos indígenas é o quetchua.

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I Parte

Quase não há carimbos no passaporte. Apenas um em 29 de Julho de 1989, de entrada em Miami nos Estados Unidos e outro na mesma data pela entrada no aeroporto Jorge Chavez que serve Lima.

>> 29.07.1989 >> Partida de Lisboa para Madrid na Ibéria pelas 09:50 horas e Madrid/Miami pelas 13:05 horas também com a Ibéria. As malas foram despachadas logo para Lima. Ao meu lado ficou uma americana de ascendência colombiana. Conversei com ela. Houve logo «trombas da ex» e má criação. O costume para estragar a viagem. Miami/Lima com a Eastern Airlines, pelas 18:05 horas. A alfândega americana foi terrível na revista. Chegámos a Lima, aeroporto Jorge Chavez, pelas 23:00 horas locais (quatro horas de viagem), ou seja, cinco horas da manhã de 30 de Julho em Portugal. Não apareceram as malas nem o saco preto. Reclamei-as. Eu vi a mala no armazém da Lanchile. A agência Viracocha esperava-nos mas o carro demorou. Ficámos no hotel Diplomat, quarto 606, em Miraflores. Fraco, sem televisão. Não havia luz por ter havido um ataque do Sendero Luminoso.

>> 30.07.1989 >> Domingo. Pequeno-almoço fraco. De autocarro fomos ao museu do ouro. Não abriu por falta de luz. Fomos para junto da Catedral. Vimos o quarteirão. Tirei fotos às janelas de madeira. Visita à cidade. Tarde livre. Andámos num autocarro quase sem fundo, todo podre. Fomos ao mercado das velharias junto do rio Rimac. Comprei meias por 2.500 intis, uma capa por 35.000. Comemos frango por 2.900 mais 1.300 por coca-cola. Fomos a outro mercado na rua Enogue. Foi aí que comprei uma camisola de alpaca e ela uma capa vermelha. Na paragem do autocarro havia ladrões (rateros). Dormimos duas horas. Jantámos uma sandes com batatas fritas e uma água= 19.000 intis. Um roubo. Telefonei para o aeroporto a saber das malas e saco. Disseram-me que já tinham as malas. Faltava o saco preto.

>> 31.07.1989 >> Ainda sem luz, não fiz a barba. Aprendi a levar sempre comigo em bagagem de mão os utensílios mais usuais. Pequeno-almoço americano. Partida para Arequipa com duas horas de atraso na Aeroperu PL 491. Entrámos no avião, começou a andar, mas depois tivemos de sair por avaria mecânica. O voo foi cancelado. Pedido dos bilhetes, reclamações. Marcação do hotel Savoy (péssimo). Aeroperu pagou o hotel e jantar (bebi uma garrafa de vinho branco peruano por 10 soles). Fomos no ónibus do hotel. A sra. Liliana da agência deslocou-se ao hotel. Fita no aeroporto por eu ter marcado viagem para Juliaca. Perdi novamente o saco. Apareceu no hotel Turistas, onde fiquei em Juliaca. Visita da cidade: igreja La Merced e igreja de Santa Catalina.

Palácio Presidencial em Lima

Palácio Presidencial em Lima

>> 01.08.1989 >> Levantar às 03:30 horas. Despacho das malas para Arequipa, pois o avião só ia sair às 10:00 horas. Arequipa-Juliaca-Puno. A viagem para Arequipa faz-se por entre montanhas desertas. Visitámos à pressa a Praça d’Armas, a catedral, o convento de Santa Catalina e igreja da Companhia (de Jesus) em pedra silhar, cor de barro, mas normalmente branca. Foi aí que vi um colibri numa árvore. Para Juliaca partimos com um atraso de três horas. Estava o Carlos, médico, à nossa espera. Faltava o saco preto. Reclamei e deram-me a garantia que o guardariam em Cuzco. Em Puno fiquei no Hotel Esteves, quarto n.º 306. De tarde, visita num barco a motor às ilhas artificiais de Totora dos índios Uros, antigos habitantes do lago Titicaca, o lago mais alto e navegável do mundo. Visita ao museu da reserva natural. Tarde livre. Comprei uma camisola e um barquito de junco e ela umas luvas. Mais uma vez ela sentiu-se mal. Acabei por comer o meu jantar e o dela. Comprei-lhe comprimidos, puseram-lhe oxigénio e bebemos chá de coca.

>> 02.08.1989 >> Pequeno-almoço americano. Pelas 06:30 horas partida de Puno para Cuzco com 11 horas maçadoras de comboio, mais duas de atraso. Ainda conservo o bilhete, que custou 125 intis. Vale monótono. Vimos alpacas pelo caminho. Muitas casas nas aldeias tinham no telhado um como catavento com duas vaquinhas jungidas. Era símbolo de trazer felicidade à casa. Depois das 17:30 horas não se via nada, pelo que não vale a pena vir de comboio. Jogámos ao king com uns italianos (Paolo e Gino). Chegada às 11:00 horas a Cuzco, ao hotel Picoaga (bom). Quarto 305.

Terraças de Ollantaytambo

Terraças de Ollantaytambo

Trajecto do combóio de Puno a Cuzco

Trajecto do combóio de Puno a Cuzco

>> 03.08.1989 >> Cuzco-Urubamba-Pisac-Ollantaytambo-Cuzco – Visitei o mercado índio de Pisac, para turistas, onde ela comprou dois ou três quadros pintados sobre tecido de lã de alpaca ou vicunha. Almocei em Urubamba (vale sagrado do Rio Wilcanorte) e depois visitei a Fortaleza Inca e Templo do Sol em Ollantaytambo, situada no Vale Sagrado dos Incas. Os incas construíram aí um armazém para guardar o trigo. Aí vi como os incas faziam escorregar grandes pedras ladeira abaixo do monte em frente, com as quais construíram o conjunto de Ollantaytambo.

Regresso a Cuzco à tardinha. Jantar com vinho Tacama.

Mercado de Pisac

Mercado de Pisac

Machu Pichu

Machu Pichu

Fonte inca em Ollantaytambo

Fonte inca em Ollantaytambo

>> 04.08.1989 >> Cuzco – Manhã livre. Visita a tapetes, museus e S. Blaz. De tarde, visita da cidade com o guia Santiago. A cidade antiga, capital do império Inca, tem uma rua em que as paredes das casas eram blocos bem unidos, onde não cabia um canivete. A técnica de construção consistia em encaixar os blocos de pedra uns nos outros, havendo que cortar parte dum bloco para o outro poder encaixar naquele. Por toda a parte se encontram monumentos feitos de grandes blocos de pedra a lembrar o Egipto. A visita incluiu a Plaza de Armas, a catedral (cópia das espanholas), a igreja de Santo Domingo (Koricancha), produto da fusão da cultura Inca com as Hispânica, construída sobre um antigo templo do sol, cujos muros eram forrados a ouro na parte interior, as ruínas de Kenko (nas redondezas) e de TampuMachay, Puka-Pukara, templo da água e a fortaleza de Sacsayhuamán. Um assombro! Para a tomarem, deixaram que os índios se embebedassem com chicha, espécie de cerveja de milho, numa certa noite da lua, que eles sempre festejavam. Jantar fraco. Tinha febre. Deitar cedo.

Templo do Sol em Ollantaytambo

Templo do Sol em Ollantaytambo

Muro das Hornicidas em Ollantaytambo

Muro das Hornicidas em Ollantaytambo

>> 05.08.1989 >> Cuzco-Machu Picchu-Cuzco – Levantar às 05:30 horas. Pequeno-almoço americano, ida para a estação do comboio e viagem de quatro horas, em que o comboio avançava, subindo, e recuava depois em terreno plano, para subir de novo pela montanha até atingir o topo e seguir através do Vale do Urubamba. Seguimos para Machu Picchu de autocarro, a que houve correria, durante 20 minutos, subindo a montanha. Visita do Vale de Pampa Sangrenta e de Machu Piccho pelo caminho dos estudantes, com o guia Santiago. Machu Pichu é um assombro! Miúdos a subir a serra a direito, de 3.800 metros de altura, chegavam primeiro que nós, que íamos por curvas e curvas. O grupo era de catalães, como na véspera. Por carreiros conseguíamos visitar as ruínas de antigas casas lá no alto. Os Incas eram óptimos agricultores. Conseguiam levar a água até às alturas de Machu Pichu através de canais. Havia quintais onde cultivavam batatas e outras hortaliças. A batata foi-se apurando pelo cultivo em zonas baixas até às mais altas.

Franklim junto ao edifício de blocos de pedra encaixados

Franklim junto ao edifício de blocos de pedra encaixados

Franklim na fortaleza de Sacsayhuaman

Franklim na fortaleza de Sacsayhuaman

Franklin na Plaza de Armas de Arequipa

Franklin na Plaza de Armas de Arequipa

Cá em baixo, junto à estação de caminho de ferro, comprei granadinas e folhas de coca, que serviam para fazer chá e até serviam para fazer crescer o cabelo. Esperámos quatro horas pelo comboio. Só chegámos ao hotel de Cuzco à meia-noite. Não havia água para limpar tanto pó de Machu Picchu.

Franklim em  Machu Pichu

Alpacas e vicunhas no campo

Alpacas e vicunhas no campo

Franklim em Machu Pichu

>> 06.08.1989 >> Cuzco-Lima – Levantar às 06:00 horas. Pequeno-almoço americano. Ida para o aeroporto, para o voo na Aeroperu Pl 434 para Lima, com três horas de atraso. A Aeroperú era uma desgraça em atrasos e avarias. De novo no Hotel Diplomat em Mira Mar, quarto 409, onde chegámos às 13:00 horas. Tarde livre. Vimos o museu do ouro e o museu arqueológico. O taxista (simpático) cobrou 20$. Vista do mercado da pintura de Miraflores e ida ao show no hotel Grillon= 35$ (um roubo, já que não jantámos lá).

A esposa do Franklim na Plaza Mayor em Lima

A esposa do Franklim na Plaza Mayor em Lima

O casal em Sacsayhuaman

O casal em Sacsayhuaman

>> 07.08.1989 >> Visita à cidade de Lima: a catedral, Plaza de Armas, Praça da Inquisição, o Palácio Torre Tagle e ainda o bairro chique de Miraflores. Tarde livre em Lima. Comprei um tumi. Este representa uma figura antropomorfa sobre um pedestal. Servia para fazer operações.

Embarque na Varig RG 833 para São Paulo pelas 01:30 horas de 8 de Agosto.

(Fim da Etapa 28.)

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«Viagens dum Globetrotter», por Franklim Costa Braga

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