O Século XIX

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Um facto que sempre me intrigou enquanto estudante, durante o Estado Novo, foi o «desaparecimento» do século XIX dos compêndios de História. Falou-se por alto nas Guerras Liberais, a independência do Brasil foi quase ocultada, a Revolução Liberal de 1820 no Porto foi uma coisa «insignificante». Porquê isto tudo se o século XIX foi tão fértil em Revoluções, principalmente a nível europeu? Por isso mesmo! As Revoluções sempre assustaram o Estado Novo e a Igreja Católica que era um dos seus sustentáculos.

Revoluções no Século XIX na Europa

Revoluções no Século XIX na Europa

Estas Revoluções são todas niilistas, vão contra a ordem estabelecida – contra os regimes políticos, contra a ordem social e contra a dominação estrangeira – todas são a favor da Liberdade, da Democracia politica ou social e da independência ou unidade nacionais.

De onde vem toda esta agitação politica e social? Da Revolução Francesa – 1789 – embora nenhum destes movimentos revolucionários se reduza somente ao pensamento desta grande Revolução, porque o século XIX ia avançando, e outros pensamentos e movimentos iam surgindo.

O movimento Liberal é a primeira vaga de movimentos que combatem o que ainda ficou do Antigo Regime, principalmente na Europa Ocidental – 1820-1830. Chegaram depois as Revoluções Democráticas, que nada tinham a ver naquele tempo com o Liberalismo, eram inimigos. A Democracia era o Sufrágio Universal, o governo do Povo, o Liberalismo era o governo de uma elite, o mesmo está a acontecer no actual momento histórico que atravessamos, ou seja, duzentos anos depois! Por isso se chama Neoliberalismo. Vou contar uma pequena história, mas que é significativa sobre esta diferença entre Democracia e Liberalismo: um dos grandes liberais modernos Friedrich Hayek, em 1962 ofereceu um livro a Salazar intitulado «A Constituição da Liberdade» dizendo que essa oferta era para ajudar Salazar «Na sua tarefa de desenhar uma Constituição que tivesse em conta os abusos da democracia».

Vem depois a Revolução Industrial, a exploração do trabalhador, esta Revolução forma uma classe a que se chamou proletariado, que por sua vez deu origem a movimentos operários e sindicais de base socialista.

Querido(a) leitor(a), já reparou que a China consegue ser um Liberalismo Económico e uma Ditadura Política onde a Democracia não existe? Quer melhor exemplo do que nos poderá acontecer um dia, a nós europeus? Tem de compreender uma coisa querido(a) leitor(a), Democracia e Liberalismo são incompatíveis.

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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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