A dinâmica estudantil no interior

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

As escolas superiores do interior do país estão a apostar no futuro, facultando cursos de ampla diversidade temática e duração temporal, boa parte voltados para estudantes estrangeiros, nomeadamente provindos de países de língua oficial portuguesa.

O IPG aposta nos estudantes internacionais

Os institutos politécnicos de Bragança, Guarda, Castelo Branco e Portalegre, entre outros, abriram vagas para esses estudantes, concedendo apoios para a sua instalação. Algumas parcerias estabelecidas permitiram reduzir as propinas, apoiar o alojamento, a alimentação e a aquisição de materiais escolares por parte de jovens provindos de países pobres e que necessitam de ter uma oportunidade para estudar.

O IP de Bragança disponibilizou alojamentos, dentro e fora da cidade, entre a residência de estudantes da própria escola até unidades hoteleiras e casas particulares, formando uma vasta rede, que inclui Bragança, Macedo de Cavaleiros, Mirandela e outras localidades. Com um sistema de transportes adequado estes estudantes rejuvenescem e conferem dinâmica a todo o distrito.

O IP da Guarda está também a cativar estudantes, dando-lhes apoios diversos, o que trouxe à cidade mais alta uma dinâmica juvenil que há muito não era vista. Na verdade, a cidade e o distrito precisam de juventude já que ela escasseia entre os residentes habituais. As terras interiores estão envelhecidas, porque os jovens procuram outras terras para estudar e para trabalhar – num processo imparável que dura há muitas décadas.

A solução passa em parte por cativar os jovens aqui nascidos ou descendentes de quem aqui tem raízes, mas também outros que nada têm a ver com estas terras, mas que podem aqui fixar-se e conferir actividade ao interior.

Se, como em Bragança, os jovens estudantes da Guarda fossem colocados em residências espalhadas por outras terras do distrito, servidas por uma boa rede de transportes, a dinâmica juvenil seria mais intensa e com ela muitas terras poderiam ganhar alma.

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«Contraponto», de Paulo Leitão Batista

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