Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (27)

Franklim Costa Braga - 1980 - Colaborador - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Toda a gente gosta de mostrar aos amigos uma foto tirada algures longe da morada. Organizam-se excursões para visitas cá e lá fora, com viajantes que, por vezes, mal têm para comer. Mas, como é moda, toda a gente viaja. (Etapa 27).

Mapa do Brasil

Mapa do Brasil

III – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 80

1988 – Verão – Viagem ao Brasil

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De 03.08 a 23.08.1988
Viagem organizada pela Top Tours para mim e esposa.

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Curiosidades
Não há carimbos no passaporte. Como fiz outra viagem ao Brasil em 1989, faço algumas confusões entre as duas viagens na minha mente. Tentarei refazer as viagens dentro do Brasil por memória, apoiando-me nos bilhetes de avião. Infelizmente não tenho o compte-rendu que costumava fazer e não legendei as fotos, o que me teria sido útil.

Paguei um pacote da Varig no Rio para visitar Manaus, Fortaleza, Brasília, Baía, Rio, São Paulo e Iguaçú.

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>> 04.08.1988 >> Partida de Lisboa cerca da meia-noite de 3 de Agosto de 1988 para o Rio de Janeiro, com a Varig, com chegada às 05:35 horas do dia 4. Ficámos no hotel Luxor Regente em frente da praia de Copacabana.

Tomámos banho na praia de Copacabana, onde conhecemos um casal, ele português de Guimarães, ela inglesa, e fomos até Ipanema.

Franklim no mercado dos hippies no Rio

Franklim no mercado dos hippies no Rio

>> 05.08.1988 >> Tinha voucher para meio dia de city tour no Rio. Demos uma volta ao centro do Rio, visitámos a Candelária, o mercado dos hippies, etc. À noite, na Avenida em frente ao hotel havia vendedores de roupa feminina, colares, bijuteria e cintos de homem. Entre eles estava um português. Ela comprou camisolas com lantejoulas e colares.

Igreja da Candelária no Rio de Janeiro

Igreja da Candelária no Rio de Janeiro

>> 06.08.1988 >> Continuámos visitando a cidade e banhando-nos em Copacabana. Vimos algumas lojas. A inflação era tal que alguns artigos de manhã tinham um preço e à tarde já tinham outro superior. À tarde fomos ver o Corcovado num eléctrico como o do Bom Jesus de Braga que subia a montanha por entre floresta. Um pouco mais acima ficava o Cristo Rei, que visitámos, donde se avistava o Rio.

ranklim no Cristo do Corcovado

ranklim no Cristo do Corcovado

>> 07.08.1988 >> Dia livre para ir à praia e fazer outras visitas. Passeava eu pela Avenida de Copacabana quando um negrito me abordou para me dar lustro aos sapatos. Como estava de ténis, disse-lhe que não precisava. Mais à frente dei-me conta que tinha um pedaço de unto no ténis. O negrito, sem eu dar conta colocara-me o unto. Voltei atrás e obriguei-o a tirá-lo.

Museu e Palácio de Petrópolis

Museu e Palácio de Petrópolis

No Rio é preciso ter muito cuidado. Andámos de autocarro mas, felizmente, não fomos assaltados, o que era frequente. Fomos a Petrópolis visitar o palácio do imperador do Brasil, os jardins e museu, a cerca de 50 quilómetros do Rio.

Museu e Palácio de Petrópolis

Museu e Palácio de Petrópolis

>> 08.08.1988 >> Partida do Rio às 13:15 horas e chegada às 16:15 horas a Manaus. Ficámos num pequeno hotel no meio da cidade, cujo nome não recordo. Passeio pela cidade, onde se admira sobretudo o teatro do séc. XIX, século de ouro de Manaus pelo comércio da borracaha. Os ingleses conseguiram plantar árvores da borracha na Malásia e o monopólio e a riqueza de Manaus com o seu esplendor acabaram.

>> 09.08.1988 >> Passeio no Rio Amazonas com almoço incluído. Começámos no rio Negro. Fizemos uma paragem na selva para, guiados por um índio num barquito, visitarmos um pequeno lago cheio de nenúfares. Seguimos pelo rio Solimões que, com o Rio Negro, se junta ao Amazonas, formando uma extensão de água a perder de vista em largura e duma profundidade pouco vulgar. Parámos num barco-hotel para almoçar. Quem quis foi ao tapiri, onde se poderia ver a luta entre jacarés e crocodilos, devendo dormir em redes suspensas. Vimos preguiças e outros bichos que um habitante numa palafita mostrou. Era só água por todo o lado. Não sei como podem viver ali pessoas.

Franklim e esposa na Amazónia junto a um lago de nenúfares

Franklim e esposa na Amazónia junto a um lago de nenúfares

>> 10.08.1988 >> Em Manaus. Passeando na rua, vi num quiosque uma revista que falava da operação aos olhos para tirar a miopia e que eu já havia tentado com o russo Feodorov. Este pediu-me determinados exames antes de poder ir à Rússia fazer a operação. Dirigi-me ao Instituto de Oftalmologia Gama Pinto para os fazer. Quando disse o que pretendia, o médico que me atendeu e o director quase me engoliam a dissuadir-me de tal operação, mostrando-me fotos dos olhos após operações. E não me fizeram os exames que eu pretendia. Mas eu, desejoso de me ver livre dos óculos, que usava desde os 12 anos, já com 6,5 diopterias no olho esquerdo e 7,5 no olho direito, mantive a ideia de fazer essa operação.

Em Manaus até a faziam. Ainda fui à clínica falar com o médico. Disse-me que eram necessários alguns dias. Como eu ia no dia seguinte para Brasília e depois para São Paulo, aconselhou-me a ir a Campinas fazer a operação.

Franklim em frente do relógio Municipal de Manaus

Franklim em frente do relógio Municipal de Manaus

>> 11.08.1988 >> Partida de Manaus às 14:30 horas e chegada a Brasília às 18:10 horas.

Ainda demos um passeio por Brasília, cidade toda moderna, obra do arquitecto Óscar Niemeyer.

>> 12.08.1988 >> Tenho voucher de meio dia de city tour a Brasília. Vimos a catedral, o Parlamento e a Igreja de São João Bosco. Contaram-nos o sonho de São João Bosco de ser criada uma grande cidade no interior do Brasil. Essa criação foi obra de Juscelino Kubitchec de Oliveira. Dizem que ganhou milhões com os terrenos sua propriedade. Fomos até ao lago Paranoá (nome do chefe dos índios que habitavam a região), que rodeia a cidade, lago artificial, criado pelo desvio dum rio. Já não me lembro do hotel onde ficámos. À tarde fomos para o aeroporto para seguir para São Salvador da Bahía, com partida de Brasília às 19:00 horas e chegada às 20:40 horas à Bahia. Ficámos no hotel Meridien. Bom.

>> 13.08.1988 >> Na Bahia com voucher para meio dia de city tour no carro dum negro forte. A Bahia tem muitas igrejas barrocas. Visitámos a praça do Pelourinho, a Igreja de São Francisco, usámos o elevador Lacerda, o Farol da Barra com o Museu Náutico. Tirei fotos mas o rolo estava mal metido e não fotografou nada. Ela comprou um conjunto de objectos em prata, cujo nome me não lembra, que os negros usavam para pagar a sua liberdade. Visita da cidade. Havia negros tocando e dançando a capoeira. Comprei um conjunto de peças para tocar capoeira.

>> 14.08.1988 >> Fomos visitar a Igreja do Senhor do Bonfim, onde se vendem muitas pulseiras de tecido colorido, com inscrições de promessas. Comprei um Cristo em madeira.

Franklim frente à catedral de Brasília

Franklim frente à catedral de Brasília

>> 15.08.1988 >> Bahia / São Paulo (de passagem)/ Iguaçú, com partida às 12:45 horas e chegada às 14:15 horas. Ficámos no Hotel das Cataratas, pertinho das Cataratas de Iguaçú. Notei insegurança na guarda dos valores. Tinha voucher para uma excursão de meio-dia às quedas de água de Iguaçú, do lado brasileiro. Visitámos as cataratas, imponentes pelo volume de água e extensão em largura, que dividem o Brasil da Argentina. Não quis ir de helicóptero ver as cataratas do ar.

>> 16.08.1988 >> Fui num carro ao lado argentino das cataratas. Pelas 17:30 horas partimos para São Paulo, onde chegámos pela 19:00 horas. Ficámos num hotel de que não recordo o nome. Telefonei ao Miro, quadrazenho ainda familiar, e ele foi buscar-nos no dia seguinte para sua casa.

>> 19.08.1988 >> Fortaleza. Ficámos num pequeno hotel – Praiano (ou algo assim parecido), em cujos cofres deixei o dinheiro. À noite passeámos junto à praia onde se vendiam muitas recordações e enchiam garrafas com areia de diversas cores, fazendo com elas imagens dentro da garrafa.

>> 20.08.1988 >> Andámos de jipe nas dunas e fomos à praia. Infelizmente tinha o mesmo rolo da Bahia na máquina e nada ficou registado. À tarde, quando fomos ao hotel para sair para o aeroporto pedi os meus valores. Encenaram que o patrão é que tinha a chave e não estava. Tudo fizeram para eu não ter tempo de contar os valores quando mos entregaram. Conclusão: roubaram-me 75 contos, que me haviam tocado da venda dum terreno em Quadrazais. Saída para São Paulo.

>> 21.08.1988 >> São Paulo. Em casa do Miro falei no que o médico de Manaus me havia dito, e a Tânia, brasileira sua esposa, disse-me que uma prima já havia feito a mesma operação aos olhos em São Paulo. Deu-nos a morada do médico. O Miro levou-me lá. Contei ao médico Isaac Neustein, um judeu, os exames que o russo Feodorov me havia pedido e ele fez-mos de imediato e disse-me que poderia entregá-los ao russo. Eu respondi-lhe que preferia que fosse ele a fazer-me a operação. Como era necessário ficar em São Paulo por uns 20 dias, pediu-me para lá voltar no ano seguinte, já que eu não podia ficar tanto tempo dessa vez.

>> 22.08.1988 >> São Paulo / Lisboa, com partida às 21:00 horas e chegada às 12:40 horas do dia 23 de Agosto a Lisboa.

(Fim da Etapa 27.)

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«Viagens dum Globetrotter», por Franklim Costa Braga

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