Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (26)

Franklim Costa Braga - 1980 - Colaborador - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Toda a gente gosta de mostrar aos amigos uma foto tirada algures longe da morada. Organizam-se excursões para visitas cá e lá fora, com viajantes que, por vezes, mal têm para comer. Mas, como é moda, toda a gente viaja. (Etapa 26).

Mapa de Marrocos

Mapa de Marrocos

III – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 80

1987/1988 – Fim-de-Ano em Marrocos – Circuito das Cidades Imperiais

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De 27.12.1987 a 3.01.1988
Viagem organizada pelas Viagens Mapa Mundo.

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Curiosidades
Não tenho comigo o programa da viagem, pelo que tudo o que aqui escrevo é por memória.

Tirei algumas fotos mas devem ter sido levadas pela minha ex.

Connosco iam a Florinda e o José, casal algarvio nosso amigo, residente em Lisboa.

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>> 27.12.1987 >> Partida do aeroporto de Lisboa com a Royal Air Maroc, pelas 10:50 horas, para Tânger, onde chegámos às 11:45 horas. Tenho uma anotação no passaporte que entrei com câmara de filmar JVC em 26 de Dezembro de 1987 (a data deve estar errada, pois só entrei em Tânger em 27.12) em Cherrad/Abdelkrim, aeroporto de Tânger, e saí em 3 de Janeiro de 1988. Lembro-me duns barracões onde fui à polícia mostrar a máquina e dar entrada dela e depois a saída.

À nossa espera estava um autocarro da agência Maghreb Tours e o guia. Este ofereceu-nos whisky, que ele próprio bebeu. Ficámos no hotel Oumnia. De tarde, visita da cidade, a começar pela Medina, onde entrámos numa loja de tapetes. Espalharam no chão grande quantidade deles e ofereceram-nos um chá. Mas não comprámos nenhum. Jantar no hotel. Pagámos=97 dirhams. Já não me recordo quanto valia um dirham nesta altura.

>> 28.12.1987 >> Saída de autocarro para Fez, uma das cidades imperiais, com muitos burros carregando lenha e água. Visitámos o Palácio Real do séc. XIII, com uma porta capeada de metal trabalhado com figuras geométricas, a tapar um arco em ferradura todo encrustado de azulejos multicoloridos; a Madraça (Universidade) também do séc. XIII. O mercado é forte em objectos de cerâmica e de cobre. Destaca-se o bairro dos andaluzes que albergou no fim do séc. XIX grande quantidade de pessoas expulsas da Andaluzia pelos Omíadas. Foi numa das masmorras da muralha que o nosso D. Fernando, o Santo, passou um longo cativeiro até à morte, tomado como prisioneiro no desastre da conquista de Tânger.

Um homem montando burro que passa em frente à Muralha de Fez

Um homem montando burro que passa em frente à Muralha de Fez

Continuámos para Meknes, conhecida como a Versailles marroquina. Tour em Meknes e visita ao mausoléu de Bab Mandur, com azulejos verdes e com muitos bonitos arcos.

Continuação para Casablanca. Ficámos no Hotel Basma, onde jantámos.

>> 29.12.1987 >> Casablanca-Rabat-Casablanca. Tour de Casablanca, capital económica e industrial do reino com visita da Mesquita de Hassan II e sua Cotobia.

À tarde, saída para Rabat e visita da capital administrativa de Marrocos, com especial relevo para o Mausoléu de Mohamed V e do Kasbah (forte) dos Udaias. Regresso a Casablanca, com jantar no hotel.

>> 30.12.1987 >> Casablanca-Marrakech. Partida para Marrakech, a cidade vermelha pela cor das suas casas e muralhas, ao pé da Cordilheira do Atlas. De tarde, visita desta cidade – a Praça Jemaa el-Fna –, onde se encontram encantadores de serpentes, aguadeiros, tocadores de tambores e outros instrumentos, gente vestida das cores mais garridas à maneira árabe, camelos e de tudo um pouco; a Medina, cidade murada medieval do Império Berbere, com uma imensidade de souks (lojas), onde se vende de tudo: tapetes, vestuário árabe de homens e mulheres, cerâmica, objectos de cobre e lembranças de todo o Marrocos, incluindo revólveres. Comprei dois para decoração e uma guimbra; o minarete da Mesquita Koutoubia, do séc. XII, ex-libris de Marraquexe. O seu portal principal é muito bonito.

Aguadeiro em Marraquexe

Aguadeiro em Marraquexe

Jantar no hotel Sahara Inn, onde ficámos. À noite fomos assistir a um espectáculo de luta entre berberes com guerreiros a cavalo que disparavam velhas armas.

Guerreiros berberes

Guerreiros berberes

>> 31.12.1987 >> Marrakech. Continuação da visita da cidade. Tarde livre. Jantar de Gala de Passagem de ano no hotel.

>> 01.01.1988 >> Excursão ao Vale de Ourika, nos contrafortes do Alto Atlas, onde se encontra a pitoresca aldeia de Ourika. Creio que foi aqui que o guia local, patusco vestindo djilabah, avaliava as mulheres por camelos. As mais gordas valiam mais camelos.

O camelo é o animal mais apetecido pelos povos do deserto, já que são o melhor meio de transporte. Não admira, pois, que apreciem outras mercadorias em função do valor do camelo.

Ao fim da tarde, saída para Casablanca, com jantar no hotel Basma, onde ficámos novamente.

Mercado de camelos perto de Marraquexe

Mercado de camelos perto de Marraquexe

>> 02.01.1988 >> Casablanca. Dia livre. Meia-pensão no hotel. Creio que fomos almoçar a um pequeno restaurante num 1.º andar. Eu pedi «du vin rouge». Foi uma risada por parte dos circunstantes. Não havia.

>> 03.01.1988 >> Casablanca-Lisboa. Partida pelas 08:50 horas com a Royal Air Maroc para Lisboa, onde chegámos pelas 10:00 horas.

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1988

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Viagens Profissionais.

Como já disse, comecei a trabalhar como Revisor Oficial de Contas numa empresa de fabrico de pão, em Torres Vedras. Pouco tempo depois arranjei outra empresa em Torres Vedras, de fabrico de rações.

Ia, pois, frequentemente a Torres Vedras em serviço.

Em Março de 1988 comecei a trabalhar como ROC (Revisor Oficial de Contas) para o Centro Comercial Barão, com sede em Viseu. Por isso deslocava-me frequentemente a Viseu, onde tive ocasião de visitar o Museu Grão Vasco, a Sé e outros lugares.

(Fim da Etapa 26.)

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«Viagens dum Globetrotter», por Franklim Costa Braga

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