Digitalizar o interior

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

Quem vive e trabalha no interior deve ter direito a serviços digitais rápidos e eficientes, só assim, neste caminho de futuro, as terras mais afastadas do litoral poderão beneficiar dos novos paradigmas do desenvolvimento económico-social.

Uma sociedade digital

O Partido Socialista veio defender para o interior do país, na sua recente Convenção para a Sociedade Digital, a plena cobertura com Internet rápida, serviços públicos digitais, plataformas interativas para os negócios e a desmaterialização de processos.

Claro que são promessas de período pré-eleitoral, ditadas por um partido que está no poder e que lançou o Programa Nacional para a Coesão Territorial, que pouco ou nada trouxe para as regiões classificadas de baixa densidade populacional. Mas, essa ideia que o partido se prepara para inserir no seu programa eleitoral, toca na razão de fundo do atraso do interior – estar longe dos grandes centros.

Não basta construir auto-estradas para que o longe se faça perto. São necessários serviços digitais que verdadeiramente aproximem as pessoas que estão no interior (em permanência ou de mera passagem) do resto do mundo.
O interior tem que estar próximo dos serviços públicos, dos bancos, do comércio, do entretenimento e de tudo o que hoje a Internet oferece, nomeadamente aos jovens, diminuindo os custos de mobilidade.

Não tenhamos ilusões. Estamos em plena revolução digital, onde os mercados tradicionais fecham as portas sendo substituídos pelo comércio online. Até as lojas antigas, tal como o geral das pequenas e médias empresas, estão a sofrer uma transformação profunda, aderindo às plataformas interativas para garantirem a sua subsistência neste novo mundo tecnológico. Isso passa-se nas grandes cidades e nos territórios que as envolvem, não podendo o interior ficar fora desse processo transformador.

Mesmo quem está no interior de passagem, em turismo ou em actividade profissional, não pode aqui permanecer sem ter uma ligação rápida e eficiente com o resto do mundo.

É por isso que a aposta nos serviços online assegurados pelo acesso a uma Internet veloz, poderão ser a via para a sobrevivência do interior enquanto território dinâmico, onde seja bom passear, viver, investir e trabalhar.
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«Contraponto», de Paulo Leitão Batista

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