Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (25)

Franklim Costa Braga - 1980 - Colaborador - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Toda a gente gosta de mostrar aos amigos uma foto tirada algures longe da morada. Organizam-se excursões para visitas cá e lá fora, com viajantes que, por vezes, mal têm para comer. Mas, como é moda, toda a gente viaja. (Etapa 25).

Mapa do México

Mapa do México

III – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 801987

Verão de 1987- Viagem ao México de 2 a 18 de Agosto de 1987

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Viagem programada pela Agência Abreu. Pagámos 226.000$00 cada um pelo avião e hotéis.

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Houve necessidade de obter previamente visa dos Estados Unidos porque parámos umas horas em Miami, e visa do Canadá porque parámos meia-hora em Monte Real.

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Curiosidades: moeda = peso mexicano. 1 escudo = 10 pesos. Diferença horária = menos 6 horas.

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>> 2.08.1987 >> Saída de casa pelas 08:10 horas de táxi para o aeroporto. Paguei 500$00. Partida às 10 horas com a Ibéria em direcção ao aeroporto de Barajas (Madrid), onde chegámos às 11:00 horas (12 horas de lá). O guia foi connosco. Mudança de avião em Madrid. Espera até às 15:30 horas e saída em novo avião da Ibéria, um Boeing 747 de 540 lugares, pelas 16:45 horas. Parámos meia hora em Monte Real, depois de sete horas de voo. Gastámos mais cinco horas para chegar ao México, já no dia seguinte.

>> 3.08.1987 >> Chegámos às 09:00 horas ao aeroporto Gabriel Gonzalez Avelino. As malas demoraram a sair. Ida para o hotel Plaza Florença com dois portugueses, duas italianas e dois gregos, que foram ficando pelos seus hotéis, onde chegámos às 10:00 horas. Ficámos no quarto 501 (com 2 camas).

Partida num ónibus velho da agência Avisa com o guia Sr. Raul, chistoso, para Nossa Senhora de Guadalupe ou Sra. Morena, padroeira do México e de toda a América Latina. Construíram uma catedral moderna ao lado da velha, esta muito danificada por terramotos. Compras no recinto.

Ida a Tehotiahuacan visitar as pirâmides da Lua e do Sol, de 300 anos pós Cristo, passando pelos subúrbios muito populosos e de favelas. Os Tehotiahuacanos tiveram uma civilização avançada. Construíram uma grande cidade com a Avenida dos Mortos, enorme, a começar junto da pirâmide do Sol com 242 degraus e 84 mtros de altura, quase a pique, onde subimos, e a ir dar à pirâmide da Lua. Visita ao Templo de Queotzalcoatl (a serpente emplumada), que fica ao lado da cidadela. Dentro do templo vêem-se mosaicos com o monstro Tláloc, deus da água e da chuva. Na pirâmide do sol comprei duas imagens de obsidiana ou ónix preto por 10.000 pesos e outra maior por 7.500. Antes havíamos visitado uma fabriqueta de objectos em pedra, onde um burrito bebia coca-cola e nos mostraram o que os Aztecas faziam com o cacto Macheci (ou o agave Maguey): papel, agulhas, punke afrodisíaco e tequilha. Bebi uma coca-cola por 800 pesos. Comprei aí uma máscara, uma marioneta, um pífaro afrodisíaco e uma tartaruga.

Depois fomos almoçar a um restaurante típico, onde índios dançavam e tocavam. O almoço era bom (14.800 pesos pelos dois). De tarde fomos com os outros dois portugueses da Figueira da Foz até ao metro de Insurgentes e depois até Zocalo e Garibaldi. Aqui os Mariachi tocavam o que lhes pediam, desde que pagassem. Um parzinho pediu uma canção e dançaram na praça. Comemos por ali bife à milanesa por 1.600 pesos mais uma sopa e cerveja, num total de 3.100 pesos.

Franklim na base do Templo do Sol em Tehotiahuacan

Franklim na base do Templo do Sol em Tehotiahuacan

Os Mariachis tocando

Os Mariachis tocando

>> 4.08.1987 >> Estada na cidade do México. Levantar às 08:00 horas e pequeno-almoço à inglesa. Visita da cidade com novo guia local, menos simpático, mas razoável. Visita ao parque e castelo de Chepultepec, na zona luxuosa, construído nos finais do séc. XVIII, que foi residência do imperador Maximiliano de Áustria e da imperatriz Carlota, Museu Nacional de Antropologia, onde vimos o calendário Azteca da Vida e da Morte e uma urna (Oceloti-Cuauhxicalli) em forma de jaguar, onde eram depositados os corações das vítimas sacrificadas aos deuses. Fomos ao Zoo, avenidas, Zocalo (Praça da Constituição), onde se encontra o Palácio Nacional, de 1692, construído sobre as ruínas do palácio do imperador Moctezuma, com azulejos que contam a história do México e com pinturas de Diego Rivera sobre a mesma história do México; primitiva cidade azteca (fundamentos), e catedral metropolitana iniciada em 1573 e terminada três séculos depois. Comemos na zona rosa, num café, com o casal português. Tarde livre. Fomos ao hotel e à agência. Tomámos um táxi até Belas Artes e depois até ao mercado San Juan. ida a uma loja cara e regresso de metro ao hotel. À noite fomos ao teatro. Para ir ao teatro apanhámos um carro particular que tinha um papel no para brisas a dizer táxi, mas sem fundo no assento.

Franklim e esposa em frente da Catedral Metropolitana da Cidade do México

Franklim e esposa em frente da Catedral Metropolitana da Cidade do México

>> 5.08.1987 >> Após pequeno-almoço, partida da Cidade do México para Taxco de autocarro velho. O guia era o Sr. Juan. Paragem em Cuernavaca, a cidade da eterna Primavera, famosa pelas flores e excelente clima, antiga residência de Verão do imperador Maximiliano. Visita à catedral mandada construir por Cortez, igreja dos franciscanos, Câmara Municipal (El Ayuntamento) com pinturas e cadeiras antigas, e aos jardins Borda.

Continuação para Taxco, cidade situada na Sierra Madre, também conhecida por cidade de Plata, pelas minas deste metal.

Comemos um bom almoço à entrada de Taxco. De tarde visita a Taxco: igreja de Santa Prisca e San Sebastião; mina e plateria, fábrica de peças de ouro, mas tudo caro, na Casa Figueroa Joalharia. Visitámos outra, Los Castillos. Passeámos pelas ruas da cidade, bonita, a lembrar Óbidos. Ficámos no hotel La Misión, muito bonito, com um quarto muito grande e terraço a lembrar a Pousada de San Lourenço. Quarto 27, no 3.º piso. Jantámos num hotel de 9 quartos, muito amplos, donde se avistava toda a cidade. Na mesa ficaram uns australianos. Foi caro.

Los Caetillo, plateros em Taxco

Los Caetillo, plateros em Taxco

Igreja de Santa Prisca em Taxco.

Igreja de Santa Prisca em Taxco.

>> 6.08.1987 >> Pelas 08:30 horas partimos de Taxco para Acapulco. Eram 240 quilómetros, entre montanhas através do deserto cheio de cactos enormes em forquilha. Parámos para comer frutas. Pelas 14 horas chegámos ao hotel. Demorámos a poder ir para os quartos porque o empregado queria levar um a um para receber a gorjeta. As camas estavam por fazer. Almoço com prato de marisco para dois por 18.000 pesos. Aqui, ficámos no hotel Paradiso Radison, no quarto n.º 526 (n.º 26 do 5.º andar), de 1.ª categoria, sobre o mar, com 440 quartos. Não tinha televisão, nem rádio, mas havia muita música barulhenta no rés-do-chão. Tempo livre. Fomos ao mercado de artisania, ao longo da praia até ao forte San Diego. Comprámos pratos numa loja. Passeio, tomei chá por ter dor de cabeça e cama. Choveu muito quando regressámos das compras.

Cactos do deserto mexicano

Cactos do deserto mexicano

>> 7.08.1987 >> Em Acapulco de manhã fomos à praia. A água era quente. Feri-me numa perna. Uns chatos vinham de minuto a minuto perguntar o que queríamos tomar. Almoço num 1.º andar dum restaurante. Pelas 16.00 horas demos uma volta no iate Fiesta pela baía de Acapulco. Vimos os clavadistas, que se lançavam ao mar de um penhasco com mais de 30 metros de altura. Tempo livre. De regresso ao hotel, reencontrámos os portugueses. Demos uma volta e fomos dormir.

>> 8.08.1987 >> Sábado. De manhã fomos à praia. Bandeira vermelha. Uma pessoa quase se afogou. Lojas, para compra de t-shirts e seguimos para Oaxaca no avião da Air Mexico. Esperava-nos a menina da Camacho Tours que nos levou à Misión de los Angeles (espécie de aldeamento turístico, muito bom). Quarto 220. Demos uma volta à cidade de Antequera, muita bonita. Em Oaxaca vimos a igreja de San Domingos, Zocalo e mercado de abastos. Veio uma chuvada. Um particular deu-nos boleia para o hotel.

Igreja de Santo Domingo em Oaxaca

Igreja de Santo Domingo em Oaxaca

>> 9.08.1987 >> Visita a Mitla e ao mercado de Tloluca, onde comprei duas garrafas de Mezcal, feito do cacto ou agave Maguey. Visita ao mercado de artisanias e do museu regional. Almoço já tarde no hotel. Descanso e depois visita ao mercado de artesanais e ao museu regional.

Zona arquológica de Mitla, Oaxaca

Zona arquológica de Mitla, Oaxaca

>> 10.08.1987 >> Em Oaxaca. Visita a Monte Alban. Visita mais uma vez da cidade e mercado de artisanias. Comprei um serapis por 35.000 pesos, o equivalente a 3.500$. Ida às danças folclóricas no hotel de Monte Alban. Danças bonitas e mexidas. Bom jantar, barato, com vinho.

A Pirâmide de Monte Alban, Oaxaca

A Pirâmide de Monte Alban, Oaxaca

>> 11.08.1987 >> Troquei 80 libras. Ida ao Zocalo. Pelas 12:45 horas partimos rumo ao aeroporto. Saímos pelas 13:35 hroas. Fizemos transbordo na Cidade do México, donde partimos pelas 16:00 horas. Chegada a Mérida às 19:00 horas. Viajes Estrada estava à nossa espera. Hotel El Castellano, quarto 611, razoável, com televisão.

>> 12.08.1987 >> Devíamos partir às 09:00 horas para Chichen Itza, mas só saímos às 10:00 horas. Eram 140 quilómetros. Visita a Chichen Itza com uns gregos e romenos. Almoço sem garfo. Visita del Castillo e do cenote, poço onde se abasteciam de água, Num deles lançavam o vencedor do jogo da pelota, jogado num relvado nas traseiras, sacrificado aos deuses. No Yucatan não há rios. Os cenotes eram os reservatórios da água das chuvas. Crê-se que os habitantes de Chichen Itza, os Maias, a abandonaram por ter havido grandes secas em anos seguidos.

Chegada ao hotel de Mérida às 18:00 horas. Visita da catedral e mercado de artisanias. Jantámos no Pátio de los Pelegrinos com vinho branco Padre Kino. Hotel e cama.

Franklim na base do Castillo de Kukulkan, em Chichen Itza

Franklim na base do Castillo de Kukulkan, em Chichen Itza

>> 13.8.1987 >> De manhã fui trocar dinheiro e atrasei-me. O autocarro foi-se. Felizmente, Viajes Estrada foi-nos levar ao hotel onde o ónibus foi buscar uma mexicana. Parámos perto de Uxmal para beber uma coca. Visitámos o Templo del Adivino. O Sr. Ernesto, que sabia de religião, explicou bem a história de Uxmal. Em Kabah, como a chuva ameaçava, vimos rapidamente a parte central, onde se encontra o Planetário Maia, e fomos ao arco que indicava o caminho. O grande templo parece um monte de pedras ao abandono. Bom almoço no Inn Hoteles Misión de Mérida. Passeio pela cidade, confirmação do voo, fotocopiei o calendário azteca, visita de San Juan, Las Monjas, e La Candelária. Jantar caro num hotel e ida às danças na praça Santa Luzia.

Templo del Adivino, em Uxmal

Templo del Adivino, em Uxmal

>> 14.08.1987 >> Visita ao museu arqueológico de Mérida, tendas e almoço no albergue do Peregrino. Pelas 15:15 horas partimos para Cancun num voo de uma hora. Hotel Carrousel, quarto 326, num condomínio, de 5 estrelas, com piscina e praia de areia finíssima e água quentinha. Jantámos numa pezzaria.

>> 15.08.1987 >> Ida à praia, almoço no hamburguers. Ela adoeceu com comichão. Veio o médico, que cobrou 35.000 pesos. Ida às farmácias no centro de Cancun, parte velha, comprar remédio para ela. Jantar novamente no Hamburguers. Deitar.

>> 16.08.1987 >> Ida à praia e às Islas Mujeres num barquito por 12.000 pesos com o pescado incluído. Lojas, banho junto do tubarão aprisionado, enquanto assavam o pescado. Água quentinha. Comida à mão com três cervejas na companhia de mexicanos (Julieta, irmã, etc.). Ida a ver os peixes no Garrafon. Banho com água mais fria e límpida. Boleia de barco com duas moças. Jantámos filet mignon no Hamburguers. Fazer malas.

Franklim num barquito para as Islas Mujeres

Franklim num barquito para as Islas Mujeres

>> 17.08.1987 >> Partida de táxi do hotel às 08:00 horas para o aeroporto a 25 quilómetros. Bicha dos bilhetes, pagamento da taxa de 14.000 pesos por pessoa. Partida às 09:50 horas para Miami, a uma hora e 10 minutos de voo. Como tínhamos quatro horas de espera, pois em Miami havia uma diferença de duas horas, fomos à cidade de autobus e regressámos no táxi dum cubano por 10$. Partida com a Ibéria (oito horas de voo).

>> 18.08.1987 >> Chegada ao aeroporto de Barajas pelas pelas 09:00 horas locais. Ida à cidade em visita à Plaza Mayor e Museu do Prado. Foi aqui que troquei um dólar, por não precisar de mais pesetas. O Caixa fez o jeito, já que não trocavam valor tão pequeno. Regresso de bus ao aeroporto. Partida às 04:00 horas e chegada a Lisboa às 04:15 horas, por ser menos uma hora.

Foi uma viagem muito bonita. Fiquei a conhecer muito sobre a história do México, dos Aztecas e Maias, grandes construtores de templos e castillos.

Tirei várias fotos. O problema é que não as legendei e agora, passados tantos anos, não consigo identificá-las.

(Fim da Etapa 25.)

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«Viagens dum Globetrotter», por Franklim Costa Braga

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