Agora «deste» em verde?

António José Alçada - Orelha - Capeia Arraiana

Sem dúvida que nem sempre a vida nos corre a feição. E desta vez até dou razão aos amigos que me ligaram após ter escrito o artigo da passada semana na Capeia Arraiana. Houve um deles que me fez lembrar um anúncio da Yorn, passe a publicidade, que até deitava fumo da cabeça de tanta conversa ao telefone. Mesmo havendo motivos acho que devo explicar sem, no entanto, pedir desculpas aos leitores, uma vez que até o texto em si, não era percetível.

Agora deste em verde? - capeia arraiana

Agora deste em verde?

Tal como nem sempre o que fazemos não nos corre a feição, o contrário também acontece. E o facto tive um honroso convite para escrever numa revista americana, «The solutions journal», um artigo sobre a política ambiental na União Europeia, uma vez que nos meus trabalhos académicos tenho estudado muita da legislação e procedimentos, vertidos nas diretivas e regulamentos, tanto da Comissão Europeia, como do Parlamento.

Tendo ocorrido uma eleição para o novo Parlamento Europeu, no passado dia 26 de maio, e com o crescimento do grupo parlamentar de «Os Verdes», acredito sinceramente que algumas políticas irão mudar. E dada a coincidência de datas, convite para o artigo e eleição, achei que deveria abordar o assunto com otimismo.

Na realidade sendo escuteiro desde os meus 11 anos, devo proteger as plantas e animais, tendo já nessa altura preocupações ambientais que levaram muitos desse meu tempo a serem hoje prestigiados ambientalistas.

Confesso que o texto da passada semana era destinado a um publico não europeu, porque para um europeu, e português, surge logo a conotação partidária quebrando a isenção que tenho procurado manter nos artigos. Como sempre digo, o objetivo do escritor é que o leitor se reveja no texto, sem, contudo, o autor poder manifestar alguma opinião. Porém desta vez o escritor foi longe demais visto que, em Portugal, há um partido que reivindica estas questões, pese embora as misture com os animais de estimação.

Pessoalmente acho que todo o espetro político muito em breve irá manifestar, mais ou menos, posições de redução de produção de gases que promovem o efeito de estufa, uma vez que se trata do futuro de todos e todas, seja na Europa ou na Oceânia.

E na realidade, em Portugal, os últimos governos têm dado incentivos à energia verde e penalizam quem produz mais Dióxido de Carbono. E a questão dos plásticos, muito na moda, está igualmente associada a esta questão porque a sua produção está associada à indústria petroquímica. Portanto, na minha opinião, trata-se de bom senso e não propriamente de partidarismo.

Grave é quem não acredita neste tema. E o facto é que se hoje ainda duvida que o homem terá pisado a lua, em 1969, é bem possível que muitos e muitas achem que este flagelo não será mais que um negócio para a economia do futuro.

Esta questão também é um negócio

Esta questão também é um negócio

Seguramente terá de ser um negócio. Se precisamos de ter um vencimento para viver, e até de um estado social, o vil metal terá de andar por perto. Mas se for no sentido de garantirmos o futuro dos nossos filhos e netos, sinceramente não me incomoda. O ser humano nunca se pode dissociar da economia, caso contrário teremos o flagelo de 1929, onde o dinheiro perdeu o seu valor, e foi um caos para as gentes daquele tempo.

Não posso terminar sem agradecer o apoio que tenho tido como cronista da Capeia Arraiana, e como sempre, os leitores serão sempre livres de manifestar a sua opinião sobre o que escrevo.
E acreditem, só assim um escritor «cresce».

Obrigado!

Moura, 30 de junho de 2019

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«No trilho das minhas memórias», crónica de António José Alçada

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