Casteleiro – A Senhora da Quinta

José Carlos Mendes - Orelha - Colaborador - Capeia Arraiana - 180x135

Não confundir com a Quinta da Senhora, que foi o última tema… Nas últimas semanas referimos as anexas e as quintas da aldeia. Depois, mais recentemente, começámos a falar de alguns dos magnatas mesmo que figuras populares. Foi o caso do Morgado de Santo Amaro, o Doutor de Santo Amaro. Chegou a vez: vamos agora referir a Quinta das Mimosas, a Vila Mimosa, ou melhor: os seus donos…

A Senhora da Quinta

A Senhora da Quinta

Falámos antes da quinta da Senhora. Hoje falo da Senhora da Quinta

Agora chegou pois a vez de referir alguém que tinha na zona a maior das influências sociais.

O seu marido morreu muito novo. Era o Dr. Mendes Guerra.

Por isso, quando cresci, de quem se falava e quem se reverenciava era a sua esposa, a D. Maria do Céu: a Senhora da Quinta.

D. Maria do Céu, a Senhora da Quinta

Toda a gente se lembra da dona daquela quinta maravilhosa: a D. Maria do Céu. Era ela para toda a gente do meu tempo de jovem quem mais poder religioso e outro tinha na aldeia, de certeza.

Os párocos, os padres da Guarda, sobretudo os da hierarquia católica bem o sabiam: ela tinha uma influência enorme.

Contavam-se muitas, muitas histórias da sua vertente piedosa e da sua inclinação caritativa e protectora também.

Em suma: era a Senhora da Quinta – e estava tudo dito.

Gazeta do Sabugal

Gazeta do Sabugal

O Dr. Mendes Guerra

O Dr. Mendes Guerra, marido da D. Maria do Céu faleceu bastante novo.

Registo aqui estas notas que se leram no «Viver Casteleiro»:

«Às dez horas do dia 24 de Janeiro de 1953, faz hoje sessenta e um anos, falecia em sua casa, na Quinta Mimosa no Casteleiro, vítima de hemorragia cerebral, o nosso conterrâneo Joaquim Lopes Neves Mendes Guerra. Joaquim Mendes Guerra nasceu no Casteleiro em 1893, filho de Manuel José Fernandes Mendes Guerra, o maior proprietário da Aldeia à época, também ele natural do Casteleiro e de Emília dos Prazeres Neves Mendes Guerra, natural de Tamanhos no concelho de Trancoso. Joaquim Mendes Guerra foi casado com Maria do Céu Barreiros Guerra, (a “Senhora”) que enviuvou com apenas 52 anos».

Como escrevi há tempos, ele foi o criador em 1926/28 da «Gazeta do Sabugal» um jornal regional.

O «Gazeta do Sabugal» foi um semanário regionalista, bairrista, de defesa dos interesses dos lavradores e da região. O jornal teve vida curta. Nasceu em 1926, penso que em Abril. Note que o golpe de Estado militar de direita é de Maio desse ano. Saberá também que Salazar só vai chegar ao Governo, como titular da pasta das Finanças, em 1928 (já o ‘Gazeta’ tinha acabado, julgo). 53 números – Ao todo, foram publicados 53 números, ao que se sabe, entre Abril de 1926 e início de 1928 – ano em que são publicados apenas dois números. Se era semanário, isso, 53 números, corresponde a pouco mais de um ano se saísse todas as semanas – mas espalhados então por quase três anos.

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«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

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