As pontes do diabo

Existem pontes cuja arrojada construção, sobre abomináveis desfiladeiros, leva a pensar que foram obra do Anjo das Trevas, ou que contaram, pelo menos, com a sua preciosa ajuda. A mais afamada ponte do Diabo está na Suíça, mas Portugal também tem uma travessia com esse apodo.

Ponte sobre o rio Reuss na Suiça

Existem dezenas de velhas pontes, a maioria medievais, que se destacam pela sua construção alpestre, superando formidáveis obstáculos técnicos.

A ponte do Diabo mais conhecida é a que atravessa o rio Reuss, nos Alpes suíços, lançada entre duas montanhas alcantiladas e sobre uma torrente, cujas águas se despenham em catadupa sobre os rochedos, o que dá lugar a um quadro sombrio e horripilante.

A ponte foi construída em condições tão adversas que se criou uma lenda, segundo a qual a obra surgiu por iniciativa de um pastor, que a encomendou a Satanás. Este disse ao pastor que construiria a ponte mas ficaria com a alma do primeiro a atravessá-la. O pastor, que era manhoso, anuiu, mas fez com que fosse uma cabra a inaugurar a passagem. O estratagema enfureceu o Diabo, que quis destruir a ponte, no que foi impedido por uma velha que lhe exibiu uma cruz, o que o fez fugir, deixando a ponte intacta e a dar serventia entre as alcantiladas montanhas.

Há outras passagens arrojadas e altaneiras no mundo, que são designadas de pontes do Diabo.

Em Portugal temos a Ponte da Misarela, sobre o rio Rabagão, a um quilómetro da sua foz no rio Cávado, na freguesia de Ferral, concelho de Montalegre.
Foi construída na Idade Média, em data não precisa, implantada num desfiladeiro escarpado, assente sobre penedos e sustentada por um arco com cerca de 13 metros de vão.

Ponte da Misarela

Segundo a lenda local, a ponte foi construída pelo Diabo, correspondendo ao desejo de um criminoso que lhe pediu ajuda para transpor o abismo e assim fugir às garras da justiça.

Ninguém se atrevia a atravessá-la, por se saber de quem era a obra. Mas um padre corajoso passou a ponte, segurando na mão um ramo de alecrim, que a meio da passagem molhou na caldeirinha da água benta que levava oculta. Aspergiu, fazendo o sinal da cruz e pronunciando orações, o que fez com que o Demónio se afastasse e a ponte ficasse desimpedida para passagem dos populares que habitavam aquelas terras montanhosas.
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«Histórias de Almanaque», por Paulo Leitão Batista

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