Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (24)

Franklim Costa Braga - 1980 - Colaborador - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Toda a gente gosta de mostrar aos amigos uma foto tirada algures longe da morada. Organizam-se excursões para visitas cá e lá fora, com viajantes que, por vezes, mal têm para comer. Mas, como é moda, toda a gente viaja. (Etapa 24).

Mapa do Japão

Mapa da China

III – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 801986 – Segunda Parte

Verão de 1986 – 4 a 21 de Agosto
:: ::
China Fascinante: Filipinas – Hong-Kong – Macau – China – Japão.

:: ::
Viagem organizada pela Agência Abreu. Tenho caderneta de Registo de Cambiais.
:: ::
Preço por pessoa: 425.000$00. Só de viagem e hotéis eu e esposa pagámos 950.000$00.
:: ::

 

>> 14.08.1986 >> À tarde partimos para o aeroporto para apanhar o avião da CAAC para Xangai, que saiu pelas 20 horas. No avião ofereceram um leque e uma carteirinha. Chegada a Xangai pelas 22:30 horas. Encontro com o guia Tao, que falava Português, e ida para o hotel. Ficámos no Hotel da Paz, no quarto 524. Hotel fraquinho e longe da cidade.

>> 15.08.1986 >> Pequeno almoço às 08:15 horas com o chá e o resto a saber a fénico. Nada de água. Visita dum jardim que parecia um palácio e visita da fábrica de estampagem de seda, onde comprei uma camisa por 32 yuans. Seguiu-se a visita da feira, antiga casa da amizade russo-chinesa. Almoçámos no hotel. Continuação da visita da cidade, na costa oriental da China, conhecida por Paraíso dos Aventureiros, por ser procurada por muitos estrangeiros, com 12 milhões de habitantes. É a grande cidade fabril da China, com um porto com a extensão de 60 quilómetros. Visitámos o Jardim do Mandarim, o Templo do Buda de Jade, o Museu da História e uma Comuna Popular. Ida às lojas do Povo, muito grandes mas muito fracas. Jantámos às 18 horas num hotel no centro da cidade, com comida ocidental. À noite assistimos a um espectáculo de acrobacia e circo. Um dos números consistia numa coluna de várias mesas e cadeiras empoleiradas umas sobre as outras, sustentadas em baixo por uma pessoa e no cimo uma rapariga fazia o pino. Espectáculo muito bom. Regressámos ao hotel pelas 21:30 horas. Cama.

Templo do Buda de Jade

Templo do Buda de Jade

Buda Sakyamuni

Buda Sakyamuni

>> 16.08.1986 >> Levantar às 07:30 horas. Tomámos o pequeno-almoço do Lan Tian hotel, horrível, em que a água era só desinfectante, e partimos para o aeroporto para apanhar um avião da CAAC para Pequim. Deram-nos mais um leque e carteirinha, que dei à Judite, colega de viagem. O almoço no avião foi frio e fraco. Ficámos no quarto 1704 do Sheraton Hotel Beijing, lindo, com muitos candelabros de cristais compridos e colunas com espelhos que tornavam as pessoas esguias. A água aqui era boa. O tempo estava fresco. Fomos à ponte por onde passou Marco Polo, com muitos leões de pedra. Regresso ao hotel para jantar, acompanhado dum copo de vinho. Visitámos as lojas do hotel, onde encontrámos um grupo de portugueses vindos de Macau.

Ponte Lugou

Ponte Lugou

Ponte de Marco Polo

Ponte de Marco Polo

>> 17.08.1986 (domingo) >> Levantar às 07:30 horas. Bom pequeno almoço. Ida à praça Tian-An-Men, com visita ao túmulo de Mao e à cidade proibida. Pequim foi enriquecida de património cultural pelas cinco dinastias chinesas: Liao, Kin, Yuan, Ming e Ching. O Palácio Imperial, ou Cidade Proibida, destaca-se de entre todos.

Visita do palácio Imperial ou Cidade Perdida construído em madeira, situado em frente à grande praça de Tian an Men. É imenso, cheio de salas pintadas e ricamente decoradas com jóias, estátuas de bronze e loiça, com tectos também pintados. Começou a ser construído durante a dinastia Ming, em 1406, e na sua construção trabalharam 200.000 operários durante 15 anos. Possui 900 salões, sobressaindo pela sua beleza arquitectónica o salão Harmonia Suprema, onde se realizavam as grandes festas. Outros salões ombreiam em beleza: Salão da Harmonia Perfeita, das audiências privadas, estudo e meditação do imperador, Salão do Trono ou da Harmonia Preservada, onde se recebiam os embaixadores, O Palácio da Pureza Celestial, residência do imperador, o Palácio da Tranquilidade Terrena, residência da imperatriz e o Templo do Céu (Tien Tan), construído em 1420, de forma circular, onde os imperadores Ming e Ching rezavam e faziam oferendas ao Céu. Tentei filmar o Palácio mas a minha falta de habilidade não produziu nada de bonito. Comprei postais ilustrados do Palácio Imperial de Pequim, como já havia feito em relação a Shanghai, aos templos da China e Sun Yat-Sen Memorial Hall de Guangzhou e faria com a Grande Muralha.

Almoço num restaurante acompanhado de cerveja fraca. Fomos descansar ao hotel e à noite fomos jantar pato lacado acompanhado de vinho parecido ao vinho do Porto no restaurante típico Maxime e com ballet. Regresso ao hotel e cama.

Em frente ao mausoléu de Mao

Em frente ao mausoléu de Mao

Em frente ao Palácio

Em frente ao Palácio

Lodge do Salão da Fresca Fragrância

Lodge do Salão da Fresca Fragrância

Hall do Salão da Suprema Harmonia

Hall do Salão da Suprema Harmonia

 Interior do Salão da Completa Harmonia

Interior do Salão da Completa Harmonia

Ambos dentro do Palácio

Ambos dentro do Palácio

>> 18.08.1986 >> Levantar às 07:30 horas. Às 9 horas da manhã partimos para uma visita de um dia à Grande Muralha e aos túmulos dos Ming. Perto de Pequim fica o Vale de Ming, onde estão sepultados os 13 imperadores da dinastia Ming, de 1403 a 1544, que visitámos, tendo tirado fotografias do caminho sagrado com leões, camelos, burros e outros animais dum lado e doutro. Visita ao túmulo verde. Uma decepção. Almoçámos aí. Foi razoável.

Postal da Grande Muralha

Postal da Grande Muralha

Não muito longe fica a Grande Muralha da China, que visitámos, tendo percorrido alguns troços a pé. É tão larga que nela poderiam circular automóveis. Nem sempre é plana. Por vezes tem muitos degraus ou rampas. A sua construção foi iniciada no séc. V antes de Cristo e terminou com a dinastia Ming por volta de 1400. O seu nome em Chinês é Wan Li Chang Cheng, isto é, a Grande Muralha dos dez mil Li. O Li é uma medida chinesa equivalente a 500 metros.

Eu e ela na Grande Muralha

Eu e ela na Grande Muralha

Ela na Grande Muralha

Ela na Grande Muralha

Por aí havia lojas, onde comprei uma toalha. Ida à Loja da Amizade de Pequim, mais cara. Regresso a Pequim. A guia chinesa que nos acompanhava fazia parte dos dirigentes comunistas. Fazia-se acompanhar de um outro guia.

Seguimos para o hotel, onde comprámos dois jarros de clausonné branco com riscas pretas.

Troquei 5$ e deram-me 76,82 remimbis. O câmbio era 1$=15,364 remimbis. O Yuan=50$00. Embora o Yuan fosse a moeda nacional para uso externo, internamente usavam-se remimbis.

>> 19.08.1986 >> De manhã visitámos o mercado de Pequim, onde se vendiam as coisas mais esquisitas, como cobrinhas cor de rosa e cães que os chineses comiam. Para lá chegar, percorremos uma grande e larga avenida cheia de centenas de bicicletas. Depois visitámos o Palácio de Verão, dentro da Cidade Perdida, que era enorme e rodeado de jardins, com a sua ponte de 17 arcos. Almoçámos lá dentro, à beira do lago. Fomos de barco para o outro lado, onde nos esperava o autocarro.

Partimos directamente para o aeroporto. Acompanhados pela guia, atravessámos a pista a pé até chegar ao avião da JAL, que nos levou até Tóquio, onde chegámos já de noite, tendo jantado a bordo. O serviço era bom, com whisky e vinho à discrição.

Dizer que se conheceu a China com esta viagem é o mesmo que dizer que se conheceu Portugal visitando apenas Lisboa. A China é tão grande, conforme se pode ver pelo mapa em ponto pequeno, que seriam necessários não oito dias mas sim oitenta para a conhecer razoavelmente. O que visitámos na China foram as suas três cidades mais conhecidas e os monumentos mais importantes nelas concentrados. Enfim, é uma viagem feita para turistas que querem conhecer algo interessante e diferente na China. Hoje teria de se acrescer a visita a Xian, onde foram descobertas milhares de mini estátuas de guerreiros em terracota.

Ficam-se a conhecer alguns aspectos da vida dos povos e sua cultura com estas visitas. É diferente dizer que a Muralha da China é muito extensa, a ponto de ser a única coisa identificável na Terra vista da Lua, e ver in loco essa mesma sua extensão e grandiosidade. E, apesar de hoje podermos vê-la em imagens na televisão, esse facto não nos transmite a mesma sensação da presença no local.

O aeroporto de Narita fica a 80 quilómetros de Tóquio mas tem comboio para Tóquio. O trânsito era muito. Ficámos no Hotel New Otani, com 2.100 quartos. Estes eram pequenos, mas suficientes para se estar comodamente. Ficámos no quarto 1.255. Perdi um saco no aeroporto de Narita. Só o pude levantar quando partimos de regresso.

>> 20.08.1986 >> Visita da cidade de Tóquio, com 11 milhões de habitantes: Praça do Palácio Imperial, de que tenho postais e fotos, e Torre de Tóquio (até 150 metros), de que conservo o bilhete de acesso, donde se avista uma cidade do tipo Nova York. A guia, Srª Yoko, falava bem Português. Nascera no Brasil, de pais japoneses. Porque casara com um estrangeiro, nunca foi aceite pela família.

Postal da Torre de Tóquio

Postal da Torre de Tóquio

Visita do templo budista Kannon com um templo Xintoísta ao lado. As avenidas são em andares, umas por cima das outras para poupar espaço num país superpovoado. Muitas lojas. Passámos pela Avenida Giuza, a avenida chic lá do sítio. A loja free tax era caríssima. Comprei uma máquina de barbear pequenina, de que não me servi. Regresso ao hotel, onde comemos as bananas guardadas do pequeno-almoço. Tarde Livre.

Vista de Tóquio a partir da Torre, onde se vêm avenidas sobrepostas

Vista de Tóquio a partir da Torre onde se vêm avenidas sobrepostas

No fim da tarde, ida para aeroporto e partida pelas 21:00 horas num avião da Sabena. Apareceu o saco. Queriam 4.500 ienes só por vê-lo, mas a guia conseguiu despachá-lo grátis para Bruxelas. Jantar a bordo. Troquei 20 dólares e deram-me 2.996 ienes. O câmbio era 1$= 149,8 ienes. 1 Yen valia 90 centavos. Diferença horária=mais 8 horas.

Viagem pelo Pólo Norte, com paragem em Anchorage, no Alaska, onde o Almeida Santos contou umas anedotas. O relógio atrasou 7 horas. Eram mais ou menos 11 horas quando partimos. Começou a anoitecer, apagaram as luzes e dormimos. O jantar foi razoável, acompanhado de coca-cola.

Dizer que ficámos a conhecer o Japão seria tonteria. Deu para ficar com uma pequena ideia da vida em Tóquio e de alguns monumentos desta cidade. O Japão merecia uma estadia de mais um ou dois dias.

Bilhetes para entrada nos monumentos

Bilhetes para entrada nos monumentos

Bilhetes para entrada nos monumentos

Bilhetes para entrada nos monumentos

>> 21.08.1986 >> Chegada a Bruxelas, pelas 06:20 horas, ao amanhecer. Tirei o saco da passadeira e reexpedi-o para Lisboa. Estivemos quatro horas a secar em Bruxelas. Mudança de avião da Sabena e chegada a Lisboa cerca do meio-dia. No aeroporto de Lisboa abriram todas as malas, pois é sabido que no Oriente se fazem muitas compras. Uma moça belga (a An), que viajava a nosso lado, passou-me na alfândega de Lisboa o telefone, a máquina fotográfica e a máquina de filmar, comprados em Hong Kong. Conversar com a An foi motivo de ciúmes com cena da ex, que embeiçou para estragar o resto da viagem. Tomámos um táxi para casa, que custou 500$00.

(Fim da Etapa 24.)

:: ::
«Viagens dum Globetrotter», por Franklim Costa Braga

Deixar uma resposta