Os excluídos

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Tenho diante de mim o Diário de Notícias, de 8 de Junho de 2019. Traz esta manchete: «Metade dos casos de corrupção já vem das autarquias.» Não é sobre corrupção que irei escrever, vou escrever sobre aqueles e aquelas que trabalham em algumas Autarquias, e que eu considero os excluídos.

Os excluídos

Os excluídos

É aos gestores políticos, aqueles que em Democracia o povo escolhe, que compete adoptar as medidas para que tudo corra o melhor possível. A política tem como ponto principal conseguir uma convivência satisfatória entre grupos sociais e indivíduos. Nem sempre consegue, pela simples razão de que ela é parte do conflito. Torna-se parte do conflito porque tem sempre a tendência de apoiar uma facção determinada do corpo social.

Presumo, repito, presumo que haja autarquias que trabalham da mesma maneira, já que são sítios extremamente politizados; entre as quatro paredes, que é do que me interessa falar agora, o poder politico quer que tudo e todos que estejam à sua volta trabalhem politicamente para ele. Não admite a mais pequena divergência, é de um sectarismo impressionante, Sócrates (o filósofo) teve esta frase: «A maior parte dos homens que exercem o poder, meu amigo, tornam-se maus». E quem mais sente isto são os excluídos quando sofrem toda a espécie de injustiças e humilhações, não por serem imorais, porque a maior parte deles(as) são pessoas éticas, o seu único crime consiste em viverem num País Democrático e pensarem!!!!! Defendê-los(as) ? Quem? Defenderem-se? Como? As vítimas são uns heróis e umas heroínas silenciadas e marginalizadas.

Querido(a) leitor(a), não podia terminar este artigo, que era o dobro, mas que eu fiz auto-censura, sem escrever este pensamento de Emil Cioran, escritor e filósofo romeno: «Quem nunca conheceu a tentação de ser o primeiro da cidade não compreenderá nada do que é o jogo politico o afã de subjugar os outros para convertê-los em objectos, nem adivinhará tão pouco os elementos que compõem a arte do desprezo.»

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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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