Casteleiro – O Morgado de Santo Amaro

José Carlos Mendes - Orelha - Colaborador - Capeia Arraiana - 180x135

Falámos aqui, há umas semanitas, da Quinta de Santo Amaro. Faltou centrar-me no facto de o dono da Quinta ser nessa altura o Morgado e explicar um pouco da sua história. Chegou a hora de repetir algumas dessas notas…

Brasão do Morgado de Santo Amaro

Brasão do Morgado de Santo Amaro

O Dr. Tavares de Melo foi o «rei» do último dos morgadios. Gostaria de esclarecer toda esta questão, recorrendo a quem de direito, ou seja, a Joaquim Manuel Correia…

Joaquim Manuel Correia explica…

Sobre o avô do fidalgo que eu conheci de relance na minha meninice, lê-se na peça referida, em nota: «Filho do Fidalgo Cavaleiro José Caetano Tavares da Costa Lobo e Sousa, da Covilhã, e de Antónia Carolina de Melo Machado Côrte Real. da freguesia de São Martinho de Ceia. Nasceu na Quinta de Santo Amaro em 14 de Dezembro de 1842, neto paterno de Luiz Tavares da Costa Lobo e Sousa e de D. Maria Joana de Tavares da Costa Lobo. da Covilhã, e materno do desembargador Francisco Machado de Fontes Monteiro, e de D. Sebastiana Benedita de Faria de Melo Albuquerque Côrte Real, de Ceia. Faleceu em 8 de Maio de 1926, como noticiou a Gazeta do Sabugal de 8 deste mês, onde se lê: «acaba de falecer…»

Sobre esse tal herdeiro, o morgado da minha infância, lemos no mesmo local, noutra nota: «Pertenceu ao Dr. Tavares de Melo um dos primeiros automóveis que houve em Portugal. O seu entusiasmo pelo automobilismo, então em início, fêz que em Coimbra os estudantes o conhecessem pela alcunha de o Gazolina.»

Genealogia e brasão

Continuo a citar e volto ao blog da minha terra: «Eduardo Costa Lobo viria a casar com Eugénia da Conceição Peixoto Brandão. Do casamento nasceu uma filha em 10/5/1875, de nome Maria do Céu Tavares de Melo da Costa Lobo.»

E logo de seguida, leio que «o Brasão, com a forma de escudo esquartelado, tem no primeiro quartel as armas dos Tavares, no segundo as dos Costa, no terceiro as dos Lobo e no quarto as dos Melo».

A mesmíssima descrição, aliás, tinha já sido publicada… (Aqui). Honra seja feita.

Santo Amaro, a quinta, era um colosso de produção agrícola. Muitas pessoas do Casteleiro lá trabalharam na agricultura. Batata, melancia, cereais… Não faltava lá nada.

Ao que julgo saber, o último morgado enamorou-se de uma belga e dela teve um filho na Bélgica. Mas sempre ouvi dizer que nunca veio a Portugal. O herdeiro foi um sobrinho. O qual rapidamente vendeu tudo o que pôde aos vários proprietários, do Casteleiro. Ainda bem.

As famílias dos quartéis deste brasão

Tavares, Costa, Lobo e Melo são pois as famílias homenageadas nos quatro quartéis do brasão de Santo Amaro.

Agora, as componentes heráldicas de cada um destes quartéis – ou seja, a composição dos brasões dessas quatro famílias:

– Tavares – cinco estrelas vermelhas de seis raios;
– Melo – uma águia estendida de negro;
– Costa – seis costas de prata alinhadas em três faixas e dispostas em duas palas;
– Lobo – cinco lobos passantes de negro, armados e lampassados de vermelho.

:: ::
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Deixar uma resposta