Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (23)

Franklim Costa Braga - 1980 - Colaborador - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Toda a gente gosta de mostrar aos amigos uma foto tirada algures longe da morada. Organizam-se excursões para visitas cá e lá fora, com viajantes que, por vezes, mal têm para comer. Mas, como é moda, toda a gente viaja. (Etapa 23).

Mapa da China

Mapa da China

Mapa das Filipinas

Mapa das Filipinas

III – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 801986 – Primeira Parte

Verão de 1986 – 4 a 21 de Agosto
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China Fascinante: Filipinas – Hong-Kong – Macau – China – Japão.

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Viagem organizada pela Agência Abreu. Tenho caderneta de Registo de Cambiais.
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Preço por pessoa: 425.000$00. Só de viagem e hotéis eu e esposa pagámos 950.000$00.
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Tornou-se rotina fazer uma viagem longa por ano. Normalmente aproveitava os programas das agências: Abreu, Mapa Mundo ou Top Tours. Inscrevia-me, sem conhecer os outros que iriam nessas viagens. Uma vez ou outra encontrei pessoas minhas conhecidas ou outras que já conhecia de outras viagens, como foi o caso do Sr. Fonseca e família. Raramente combinámos viagens com outros conhecidos. Ia também o Breia, meu colega de profissão, mas que eu não conhecia, e esposa.

Em 4.8.1986, segunda-Feira, pelas 13:50 horas apanhámos um avião da Sabena de Lisboa para Bruxelas, onde chegámos pelas 17:00 horas locais. Demos uma volta pela cidade em autopulman em direcção ao hotel Jolly, ao lado do Atlanta, no centro da cidade, de categoria inferior. Ficámos no quarto 404. Jantámos comida portuguesa na rua dos restaurantes, num português. Paguei 24$00. Visitámos a Grande Place, semelhante às espanholas, o Manneken Pis e arredores, tudo com música e luz. Lembro-me de ter passado numa rua em que, numa casa de prostitutas, elas estavam sentadas na montra. Choveu. Regressámos ao hotel.

>> 05.08.1986 >> Partida pelas 09:30 horas para o aeroporto, donde seguimos de avião pelas 12:30 horas locais de Bruxelas para Manila, com almoço e jantar a bordo. Fizemos escala no Dubai, Bombaim e Bangkok. Serviço fraco. Não deram vinho nem cerveja.

>> 06.08.1986 >> Chegada a Manila pelas 15:40 (hora local). Ida para o Century Park Sheraton Hotel, de luxo, com 500 quartos, inserido no centro comercial de Manila, onde chegámos pelas 17:30 horas. Fiquei no quarto 1009. Havia uma grande bicha no Boulevard Roxas por haver novena do Perpétuo Socorro. Resto da tarde livre. Visita ao centro comercial ao lado, seguida do jantar no hotel, acompanhado de água. Fomos para o quarto. Na televisão dava o concurso das misses, tendo ganho uma venezuelana.

>> 07.08.1986 >> Levantar às 07:30 horas, pequeno almoço e saída pelas 09:00 horas para visita de Manila em autopulman com guia. Cidade amuralhada do séc. XVI e Igreja de San Agustín, casa típica da época espanhola, forte Santiago, construído em 1571, ao lado do rio Pasi, com muitas recordações da II Grande Guerra, entre as quais o Cadillac de Mac Arthur e de outros presidentes filipinos, Universidade de A. Tomás, de 1611, palácio de Malacañang, residência do Chefe de Estado e Memorial da II Grande Guerra, com 17.206 campas brancas bem alinhadas. Almoço no hotel e tempo livre. À noite fomos ao hotel Manila (magnífico) para um bom jantar e ver danças e cantares bonitos por 26$. Fomos levados em 1.000$00 por pessoa.

>> 08.08.1986 >> Levantar às 07:30 horas, pequeno-almoço britânico e partida para a visita às cataratas de Pag SanJan, a 97 quilómetros a sul de Manila, passando por Calamba, terra de Rizal, escritor, poeta, médico, jornalista e revolucionário reformador durante o colonialismo espanhol. Viam-se muitas barracas e pobreza, coqueiros, bananeiras, picos com vulcões, terraços de arroz e um rio largo e sujo. Percurso em canoas nativas para duas pessoas por 14 pequenos rápidos e pequenas quedas de água, mas de difícil transporte em canoa, até à catarata principal. Estivemos 10 minutos na catarata e ficámos todos molhados. Entretanto choveu. Comemos no Pagsanjan Rapids Hotel. Pelo transporte, canoa e almoço paguei 32 dólares. As taxas eram 8%+10%. Uma cerveja custou 11,8 pesos. (Eram 10+0,8+1=11,80). Tenho bilhetes do Pagsanjan Rapids Hotel. Regressámos ao hotel de Manila, descansei um pouco e jantámos em seguida. Tempo para fazer as malas e dormir.

A moeda nacional é o Peso. 1 Libra = 29,6 pesos; 1 dólar= 22,22 pesos. 1 Peso=8$00. A diferença horária era de mais sete horas.

Foram dois dias e meio em terras filipinas. Enfim, ficou-se com um cheirinho da vida e cultura das gentes e do país. Foi pouco para uma viagem tão longa, com visita apenas à ilha de Luzon, onde fica a capital. Eu haveria de lá voltar sozinho e nessa altura visitei outros locais.

Postal de Hong Kong

A exótica publicidade nas ruas de Hong Kong

>> 09.08.1986 >> Levantámo-nos às 05:15 horas. Partida para Hong-Kong na Philipine Airlines, onde chegámos pelas 10:30 horas. Tivemos de pagar os vistos para Hong Kong. Alojamento no Hyatt Regency Hotel, de categoria Superior, com 800 quartos, ao lado do Sheraton, no centro e perto da baía. Tivemos de esperar que desocupassem os quartos. Aproveitámos para um bom almoço. Tarde livre. Ida às compras, já que não faltavam lojas e mercadorias. É o sonho de quem quisesse comprar relógios, máquinas fotográficas, rádios e demais aparelhagem. Comprei algumas lembranças para a família. Aqui pudemos apreciar o feérico das iluminações à noite, com letreiros em caracteres chineses que nos transportavam realmente para outro continente e outro modo de viver, aliado ao frenesi das ruas apinhadas de gente sempre apressada.

Fachada da Igreja de S. Paulo em Macau. O resto do templo ruíu após incêndio

Fachada da Igreja de São Paulo em Macau. O resto do templo ruiu após incêndio

Porta do Cerco, que divide Macau da China

Porta do Cerco que divide Macau da China

>> 10.08.1986 >> Visita a Macau. Fomos num jactofluctuador- (jetfloid), de que ainda conservo o bilhete, durante uma hora de navegação. Visita com o guia Mário ao templo da deusa A-Ma-Ko, donde dizem que vem o nome de Macau, Igreja de Nossa Senhora da Penha, Leal Senado, Paço Episcopal, ruínas da igreja de São Paulo (aí perto comprei um majong, que ainda não consegui saber como se joga), Templo de Mak Kop Pin, a porta do Cerco, Farol da Guia, Jardins, Gruta de Camões e centro comercial Casino Lisboa, onde almoçámos. As pessoas enchiam as várias salas de jogos. Percebi por que o jogo era a principal receita de Macau e por que eram tão disputadas as licenças de casinos. Também fiquei a saber por que Stanley Ho era tão rico. Houve quem me dissesse que os chineses eram tão viciados no jogo e nas apostas que chegavam a apostar quantos caroços teria a laranja que iam comer. Acredito piamente depois do que vi no casino.

Junto ao casino estava à minha espera o Teixeira, do meu prédio, para me levar a sua casa. Choveu. Merenda-jantar em casa do Teixeira e regresso turbulento a Hong Kong, devido a ciclone. Comprei um colar de pérolas para ela por 25 dólares. Tenho postais de Macau e de Hong Kong. A moeda de Macau é a Pataca=23$00.

Jardim do Tigre e estátuas do tipo barroco nesse jardim

Jardim do Tigre

Jardim do Tigre e estátuas do tipo barroco nesse jardim

Estátuas do tipo barroco do Jardim do Tigre

>> 11.08.1986 >> Levantar às 07:30 horas. Pelas 09:00 horas partimos para visita à ilha de Hong-Kong com muita chuva e nevoeiro. Fomos ao Pico Victória emteleférico, Jardins do Bálsamo do Tigre, pertença dos donos da pomada Tigre, recheado de imensas figuras barrocas. Bom almoço acompanhado de chá num restaurante flutuante. Tiraram-nos uma fotografia oferecida no trono do imperador e depois era gravada num prato. Muitos juncos e sampanos. Tarde livre. Comprei algumas peças de roupa, uma máquina de filmar JVC por 922$ (7.100 HK), além de um telefone portátil, que nunca funcionou, e uma máquina fotográfica Canon. A Canon custou-me 75 dólares americanos (cerca de 12.500$00). Por levar clientes a essa loja, recebi um saco. A moeda era o dólar de Hong Kong. 1 dólar americano valia 1,69 dólares de Hong Kong. Dólar de Hong Kong=21$00. Diferença horária=7horas.

>> 12.08.1986 >> Manhã livre. Comprei alguns porta-chaves, réguas, relógios a peso, músicas e telefone portátil da rede fixa, que deveria servir para o meu escritório, com o telefone fixo instalado a uns 300 metros, e de que tanto precisava. Custou-me uns 38.000$00 e nunca trabalhou. Um barrete! Em vez de postais ilustrados, vendiam-se uns como monóculos (video centres) onde se introduziam pequenos negativos de fotos e se viam monumentos e demais locais importantes e turísticos. Comprei um desses vídeo centres e diversas pequenas fotos para introduzir nele.

Corrida para o hotel, almoço ligeiro tipo McDonalds e partida para Cantão, de comboio, da estação de Kowloon. O bilhete, que guardo, custou 117.00 HK. Já na parte chinesa viam-se prédios altos como os de Hong Kong, mas a seguir era miséria. Chegada a Cantão pelas 19:00 horas. Houve demora na revista das malas. O meu quarto não estava reservado. Ficámos no White Swan Hotel, com 1000 quartos. Fiquei no 1512. O hotel tinha uma cascata maravilhosa e boas lojas com artigos baratos. Compra de um jarro e uma bacia em clausoné castanho no hotel por 90 dólares. Aí jantámos muito bem com boa cerveja à borla. Cantão (Guangzhou) é banhado pelo rio Pérola. O Breia ensinou-me a trabalhar com a máquina de filmar. Pela meia-noite fomos dormir.

>> 13.08.1986 >> Acordaram-nos às 5, às 6 e às 7 horas. Mas não nos acordaram às 08:15, a hora normal de nos levantarmos. Por isso, tomámos o pequeno-almoço à pressa, com demora no serviço. Visita do Memorial a Sun Yat-Sem em Cantão e da cidade Fushang para ver a fábrica das sedas (com poliéster). Comprei 2,5 m para minha mãe. Era impressionante o ritmo de trabalho das empregadas com um horário muito superior ao nosso. Almoçámos comida chinesa diversa com um grande prato a andar à roda num restaurante meio porco. Ida à fábrica da loiça, onde havia coisas boas e onde comprei três canecas e um bule. Ida à loja da amizade e depois à Ópera na rua. Jantar às 21.00 horas numa sala pequena regado com cerveja à borla. Estreei a minha JVC, mas com muita azenhice. Deitar pelas meia-noite depois de arrumar as malas.

Cantão

Cantão

>> 14.08.1986 >> Manhã livre. Visita do Museu de Cantão e do monumento das cinco cabras, símbolo de Cantão, com a espiga de arroz na boca, símbolo da terra fértil, e do jardim dos mártires do levantamento de Chan Kai Chec. Almoço num restaurante jeitoso. Creio que foi nesta viagem que ia um eng.º têxtil do Porto e esposa, que dava gorjetas aos empregados do restaurante e assim éramos atendidos mais depressa. Fiquei com a tabuleta da mesa, em que estava escrito o nome de Portugal e do restaurante. Passeio pelo mercado local.

(Fim da Etapa 23.)

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«Viagens dum Globetrotter», por Franklim Costa Braga

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