Movimento feminino impôs condições a Salazar

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Quem se atreveu? O Movimento Nacional Feminino. E que condições lhe impuseram? Ilegalizar as casas de passe (prostituição). E Salazar aceitou? Que remédio… Mas ficou a ganhar! Como sempre…

Movimento Nacional Feminino impôs a Salazar a ilegalização das casas de prostituição

Movimento Nacional Feminino impôs a Salazar a ilegalização das casas de prostituição

A prostituição para o Estado Novo não significava o que agora significa. A exploração da mulher e perca da sua dignidade, era algo aceite pela sociedade e pelas autoridades. Salazar, à sua maneira serviu-se delas. Vejamos estas duas frases dele: «É bom que os descontentes tenham sítio onde desabafar sem perturbarem demasiado os outros». Esses sítios podiam ser as casas de passe, desabafava-se com as raparigas e tudo ficava entre quatro paredes. Outra frase: «O interesse pelo sexo faz diminuir o interesse pela política». Sem dúvida, era preferível fazer sexo com uma mulher do que levar uma carga de porrada da PIDE.

O Movimento Nacional Feminino foi uma organização do Estado Novo, criado por senhoras da Alta Sociedade que davam apoio à Guerra Colonial, e também apoio psicológico aos soldados que nela combatiam, levando-lhes para a frente de combate tabaco, bebidas, revistas, e organizavam espectáculos musicais para divertimento desses mesmos soldados. Mas as senhoras só aceitaram este encargo quando Salazar lhes prometeu que ilegalizaria as casas de passe, e cumpriu.

O que levou estas senhoras a impor uma condição tão radical e estranha? Questões sexuais… Os maridos delas frequentavam essas casas, lá tinham as suas amantes que com elas praticavam certas fantasias sexuais, coisa que em casa, e à luz da moral do Estado Novo e da Igreja, as suas esposas não se atreviam. Também os seus filhos ao atingirem a idade da puberdade iam iniciar-se sexualmente com essas mulheres, coisas de que as mães não gostavam.

Então, no dia 1 de Janeiro de 1963 encerraram as casas de passe. Acabou a prostituição? Nem pensar! Passou para as ruelas da Mouraria, largo do Intendente, Bairro Alto, Cais do Sodré, etc., etc.

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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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