Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (22)

Franklim Costa Braga - 1980 - Colaborador - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Toda a gente gosta de mostrar aos amigos uma foto tirada algures longe da morada. Organizam-se excursões para visitas cá e lá fora, com viajantes que, por vezes, mal têm para comer. Mas, como é moda, toda a gente viaja. (Etapa 22).

Mapa do Egipto Turístico por onde andou Franklim - Capeia Arraiana

Mapa do Egipto Turístico por onde andou Franklim

III – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 80

1984 e 1985

1984

Mais uma vez fui autorizado a acumular oito horas no Instituto de Preparação para a Universidade, propriedade, tal como a Universidade Livre, de uma cooperativa de ensino (a Sogelivre) autorização que só chegou em 29 de Fevereiro de 1984.

Boa parte do Verão foi passado na vila piscatória da Costa de Caparica, na minha casa de praia.

Creio que foi neste Verão que fui operado aos joanetes no hospital dos ossos, anexo ao São José. Aquilo era mais uma oficina de serralharia. Martelos, escopros e serras decoravam as paredes. E foram usados, apesar de não ter visto a operação feita sob anestesia geral.

Infelizmente, voltaram a crescer e tive de ser operado novamente em 2015 no Hospital de Santa Maria, com anestesia local epidural, tendo podido assistir à intervenção. Desta vez é definitiva, já que as novas técnicas utilizam placas e parafusos que não deixam torcer os dedos. Basta de sofrimento!

Por isso, não pude viajar.

1985

Viagem ao Egipto – Páscoa – de 28.3 a 5.4.1985
(Viagem organizada pela Agência Abreu.)

Estas viagens eram caras. Com as viagens e gastos pagámos 514.512$00 pelos dois. Só a viagem dos dois custou 360.000$00, incluindo avião, barco e hotéis. Pela visita opcional a Abu Simbel pagámos mais 12.700$00 cada um.

Em 28 de Março de 1985 saímos do aeroporto de Lisboa pelas 07:00 horas em voo da SAS, com visto do Egipto obtido em Lisboa em 14.3.85. Não conhecíamos nenhum outro participante. Entre estes estavam o arquitecto Taveira, a esposa e a filha Amarilis, a Rosalina Machado, empresária de Sintra, e o marido, amigos do Taveira, tal como o dono da pastelaria Lua de Mel e esposa. O arquitecto Taveira inspirou-se nas colunas do Templo de Luxor para a construção do BNU na Avenida 5 de Outubro.

Do avião viam-se as montanhas da Grécia carregadas de neve. Chegámos a Atenas pelas 11:50 (hora de Portugal), 13:50 (hora da Grécia). Longa espera de quatro horas no aeroporto. Tempo perdido, pois poderia ter-se ido ver a Acrópole. O avião da Olympic arrancou às 19:00 horas, com uma hora de atraso. Já era noite. Chegada ao Cairo pelas 21:00 horas. Demora em tirar as malas, que levámos num carrinho até ao autocarro, que estava longe. Só chegámos ao hotel Hilton Ramsés II pelas 22:45 horas. Esperava-nos o guia português sediado no Egipto, alto, licenciado em Românicas. Distribuição complicada dos quartos, com papéis a preencher. Saiu-nos em sorte o quarto 2001. Pelo atraso, tivemos apenas 10 minutos para lavar as mãos e seguir para o restaurante, que tivemos dificuldade em encontrar. Comemos um aperitivo de legumes e picantes, sopa de grão com cominhos e carne de carneiro, dura, com uma batata com casca embrulhada em papel de prata. Cerveja de litro a saber a fénico. Pagámos 2,25 libras egípcias. Troquei um traveller-cheque de 160 Francos Franceses por 20.280 libras egípcias, sendo, pois, 1FF=126,75 libras egípcias.

>> 29.3.1985 >> Cairo-Asswan. Acordaram-nos às 02:30 horas e logo a pedirem as malas. Pequeno almoço às 03:15 horas (sumo de maracujá e café). Partida para o aeroporto, mas o avião só partiu às 06:00 horas. Seguimos de autocarro para o barco em Asswan, na província da Núbia. Primeiro contratempo: em vez de seguirmos para Abu Simbel. Só o fizemos às 11:00 horas, quando estava marcado ser às 10:00 horas. Mas acabámos por sair apenas às 13:00 horas. Almoço-piquenique: galinha, duas laranjas, dois pãezinhos, queijo e pepino. Chegámos a Abu Simbel pelas 13:30 horas. Não havia guia em língua espanhola, como prometido. Apenas o guia português, que conseguiu, com dificuldade, lugar de regresso nos aviões. Ali, as reservas não eram respeitadas. Deram-nos o dinheiro para comprar os bilhetes das visitas (3 libras) mais 3 libras para um guia em Francês.

Visitámos o templo de Ramsés II e o templo pequeno da rainha Nefertari, que era núbia. Templos imponentes e colossais, encrustados numa montanha artificial. Foram transportados em blocos para uns 400 metros do local original para não serem engolidos pelas águas da barragem de Asswan. As pedras mais pequenas pesam sete toneladas. Total de blocos=1.450 para o templo grande e mais 450 para o templo pequeno, o equivalente a 300.000 toneladas de rocha. As estátuas dos faraós têm 20 metros. O templo de Ramsés II Começa pela sala hipóstila, segue-se o vestíbulo e depois o santuário. De tempos a tempos, em 21/10 e 22/2, dá-se o milagre do sol. Pela posição, Ramsés é sempre iluminado. Só o não é o deus das trevas, Ptah.

Nefertari tem orelhas de vaca e vestido transparente. Ramsés II e Nefertari são considerados deuses. A vaca era a deusa Ator. A tríade de Karnac era: Amon, Nut e Montu.

Houve dificuldade em arranjar avião para regressar a Asswan. Tivemos de regressar repartidos por dois aviões.

Partida às 04:00 horas para Asswan na EgyptAir com uma hora de atraso. Chegada às 05:00 horas. O resto do grupo já tinha ido visitar a ilha do jardim botânico e circundado a ilha elefantina. Nós também fomos em veleiro visitar a ilha elefantina e o grandioso mausoléu de Agha-Khan. O timoneiro falava bem inglês e trepava bem ao mastro. Jantar e dormida a bordo do Giza.

Vista geral dos templos de Abu Simbel

Vista geral dos templos de Abu Simbel

Franklim em Abu Simbel

Franklim em Abu Simbel

Franklim em frente da estátua de Ramsés II

Franklim em frente da estátua de Ramsés II

>> 30.3.1985 >> Assuão-Edfu. O guia, que falava espanhol, chamava-se Salah, que veio a casar com uma professora de História que ia no grupo.

O barco Giza servia de hotel e restaurante.

Visitámos o Templo de Philae, da época ptolomaica, mas egípcio, dedicado a Isis, deusa da beleza; De tarde visitámos em Komombo os templos de Sobek-o, deus com cabeça de crocodilo.

O barco ficou uma meia hora à espera da minha ex-mulher e dum casal, que não compareceram à hora combinada e não ouviram os apitos do barco, o que me irritou bastante.

Templo de Philae em Asswan

Templo de Philae em Asswan

Templos de Edfu

Templos de Edfu

Templos de Edfu

Templos de Edfu

>> 31.3.1985 >> Edfu-Luxor. De manhã visita de Edfu, com o seu famoso templo de Horus, o Deus Falcão, construído desde Ptolomeu III (santuário) a Ptolomeu XIII. De tarde seguimos no cruzeiro para Luxor, tendo jantado e dormido no barco Giza.

>> 1.4.1985 >> Luxor. Dia dedicado à visita dos templos de Luxor e Karnac, cidade dedicada a Amon-Ra, o Deus do Sol. O templo tem 134 colunas em granito rosa, algumas com 23 metros de altura. Conduz-nos ao templo uma alameda ladeada de leões ou esfinges com cabeça de carneiro. A grandiosidade e imponência destes templos são espectaculares.

Franklim e esposa em frente ao deus Hórus

Franklim e esposa em frente ao deus Hórus

No final fomos de autocarro para o hotel Winter Palace.

À entrada dum destes templos um tipo trocava dólares por dinheiro egípcio a melhor câmbio, com tal habilidade a contar que roubava uma ou mais notas. Havia venda de garrafas grandes de água a preços inflacionados.

Em Luxor comprámos um filme da ópera de Verdi aí rodada, cantada por Pavarotti, creio. Nunca cheguei a vê-lo, embora o conserve. Na visita ouvia-se essa música em fundo.

Templos de Luxor

Templos de Luxor

Templos de Luxor

Templos de Luxor

>> 2.4.1985 >> Luxor-Cairo. De manhã visitámos o famoso Vale dos Reis, célebre pelos túmulos dos faraós, reis, rainhas e sacerdotes, com especial relevo para o túmulo de Tut Ank Amon. Visitámos ainda os templos de Deir-El-Bahri e o da rainha Hatsheput. Depois visitámos o Vale das Rainhas, onde se encontra o túmulo de Nefertari, o Colosso de Memmon, a estátua do faraó Amenofis III e os templos de Medinet, Habu, Amon e Jonsu. É claro, não faltavam vendilhões de tudo: escaravelhos, estatuetas, etc, que nos seguiam por todo o lado.

Obeliscos de Karnac

Obeliscos de Karnac

Comprei uma estátua de Ramsés II e outras pequenas estatuetas, para além duns pequenos escaravelhos. Estes são símbolo do sol e do retomar da vida, pela bola que empurram. Usavam-se como amuletos para dar sorte.

Partida de avião para o Cairo, onde ficámos no hotel Ramsés Hilton.

Franklim e esposa à entrada do túmulo de Tut Ank Amon no Vale dos Reis

Franklim e esposa à entrada do túmulo de Tut Ank Amon no Vale dos Reis

>> 3.4.1985 >> Cairo. Visita do Museu Egípcio. Não pudemos visitar boa parte dele por estar em obras. Visita das mesquitas de Mohamed Ali e do sultão Hassan e da cidadela de Aladino. Por fim visitámos o famoso Bazar de Kalm-Al-Kalili. Comprei um prato grande de cobre, que transportei ao lado do banco do avião, já que não cabia por cima nem nas malas. Fomos almoçar ao hotel Meridien, em regime de sef-service. Marisco à discrição. Tempo livre.

Trono em ouro de Tut Ank Amon no Museu do Cairo

Trono em ouro de Tut Ank Amon no Museu do Cairo

Mesquita de Mohamed Ali no Cairo

Mesquita de Mohamed Ali no Cairo

>> 4.4.1985 >> Partida para Menfis, antiga capital do Egipto. Visitámos uma esfinge e a grandiosa estátua de Ramsés II. Seguimos para Sakkara e a necrópole de Menfis, onde se encontra a pirâmide de Djéser construída por Imhotep. De tarde visitámos as pirâmides de Gizé, de Keops, Kefren e Mikerinos, onde passeámos em camelos. Foram construídas com seis milhões de metros cúbicos de granito e correspondem ao trabalho de 100.000 homens durante trinta anos. Subimos a pé o interior da pirâmide de Gizé até à sala onde se encontra um túmulo aberto por ter sido saqueado. Para descer tivemos de o fazer de arrecuas, por escada estreita, sob um calor infernal. Cá fora, miúdos subiam a pirâmide com facilidade.

Depois visitámos a enigmática esfinge de Leão com cabeça humana.

Visitámos ainda uma fábrica de papiros, planta recentemente recriada com a descoberta de sementes. Uma prensa esmagava vários caules de papiro colocados lado a lado, resultando uma folha larga de papiro. Nela escreviam o nosso nome em hieróglifos. Comprei um, que conservo, com o meu nome Braga e mais outros papiros.

Visitámos ainda uma pedreira onde iam buscar a pedra granítica para fazer obeliscos de uma só pedra, de 20 ou mais metros de altura. Está lá um obelisco inacabado, certamente abandonado. O corte era feito assim: escavavam ao lado da pedra; enchiam esse espaço com água. Com o frio da noite a água congelava e rebentava a pedra. Para isto, os egípcios tinham de conhecer muito bem quais as linhas por onde as pedras partiam. Depois carregavam-nas em barcos e levavam-nas para o local previamente eleito. Ingleses e franceses pilharam alguns destes obeliscos, que ostentam em Trafalgar Square e na Place de la Concorde.

Pelos meus fracos dotes de fotógrafo, optei por comprar muitos bilhetes postais dos monumentos. Tenho postais vários: Templo de Edfu, mesquita, colina de Abu Simbel, Karnak com a avenida das esfinges, Templo de Luxor, Templo de Philae, Obeliscos de Carnac, esfinge de Leão e outros. Tenho bilhetes de visita do Luxor Temple, Temple e Tombs in Deir El Medina, Habu Temples, King’s Valley, Sound and light em Luxor e Edfu Temple, alguns dos quais aqui reproduzo. Tenho algumas fotos de Abu Simbel e Sakkara.

Franklim em Sakara

Franklim em Sakara

>> 5.4.1985 >> Entrada no aeroporto de Lisboa.

No passaporte há uma folha com o Movimento de Divisas, tal como aconteceu nos anos anteriores, onde cada banco registava a venda de divisas e o saldo disponível.

É provável que não tenha viajado no Verão de 85, uma vez que viajámos na Páscoa desse ano.

A praia da Costa de Caparica foi o nosso refúgio de Verão.

(Fim da Etapa 22.)

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