Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (21)

Franklim Costa Braga - 1980 - Colaborador - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Toda a gente gosta de mostrar aos amigos uma foto tirada algures longe da morada. Organizam-se excursões para visitas cá e lá fora, com viajantes que, por vezes, mal têm para comer. Mas, como é moda, toda a gente viaja. (Etapa 21).

Mapa do Nepal - Capeia Arraiana

Mapa do Nepal

III – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 80

Verão de 1983 – Recomeçaram as grandes viagens

Viagem – Índia, Nepal e Tailândia, de 3 a 18 de Setembro de 1983
(organizada pela Agência Abreu)

2.ª PARTE

>> 9.9.1983 >> Levantar às 06:00 horas e partida para o aeroporto para tomar avião para Katmandu. Tivemos de esconder as penas de pavão, por ser proibido sair da índia com elas. O pavão é um dos animais sagrados. Taxa do aeroporto na Índia: 14,8 dólares (148 rupias) por pessoa. Abriram algumas malas e apalparam-nos.

Já no avião nepalês, deram-nos rebuçados e depois uma boa torta com carne de coelho. Viam-se lá de cima muitas montanhas e rios arenosos.

Chegámos a Katmandu pelas 10:00 horas. De 9 a 12 de Setembro ficámos no Nepal. Em Katmandu ficámos no hotel Yak & Yéti, pequeno, no quarto 623. A guia Paloma estava à nossa espera. Autocarro sem ar condicionado, mas de duas portas e abertura em cima (janelas). Visitámos a cidade, que era mais limpa, sem chatos atrás de nós e melhor vestidos.

Almoçámos bem: dois bifes, à média de 70 rupias nepalesas por pessoa. À tarde fomos de táxi ver a festa das mulheres banhando-se no rio Bagmati. Não entrámos no belo templo hindu, mas vimo-lo de fora. Aí havia uma pira crematória.

A moeda do Nepal é a rupia nepalesa. Um rolo fotográfico custou-me 75 rupias.

Taleja Temple

Taleja Temple

>> 10.9.83 >> Às 10:30 horas fui a um rafting no rio Bagmati mais o Manuel António Torneiro e o Dr. Miguel, que custou 35$ por pessoa. Começámos na parte junto ao templo visto no dia anterior. Mulheres banhavam-se no rio, de seios nus. Demorámos uma hora a encher de ar o barco pneumático. Muita assistência à nossa partida. Grande corrente, mas pequena profundidade. Muitos búfalos (um queria investir) e gaiatos no banho a querer montar no barco.

Templo dos macacos

Templo dos macacos

Várias vezes descemos do barco para o empurrar porque o caudal estava fraco nessa época. Mais de cem gaiatos assaltaram-nos e começaram a atirar-nos água. Foi molha geral. Almoço num pequeno lugar público com piras-arroz e galinha à indiana. Depois a corrente passou a ser mais forte e chegámos aos rápidos. Pusemos os coletes e passou a ser a sério. Iamos virando. Foram três ou quatro rápidos assim. Alívio e desejo de mais. Vimos uma fábrica de cimento, uma vaca morta e muitas águias. Miúdos e graúdos seguiam-nos nas margens e vestiam os nossos coletes. Parecia uma festa. Mas carregar o barco, não quiseram. Estada numa aldeia. Demos uns saltos, brincando. Partida num jeep pelas 05:30 horas. Chegada ao hotel às 06:00 horas. Banho na piscina. O grupo havia visitado a velha Katmandu.

>> 11.9.1983 >> Levantar às 04:00 horas para ir ver nascer o sol sobre os Himalaias. Foi um barrete esta opcional de 12 dólares. Tomámos o café numa estalagem. Bolos esquisitos. Antes troquei o meu relógio Fero por uma estatueta em bronze dum deus qualquer. Mais uma vez a minha mulher adoeceu. Choveu. Visita a Baktapur, cidade bonita. Vendedores como carraças. Muitos pagodes do séc. XVIII. Regresso ao hotel. Comemos no quarto porque ela tinha 39º de febre. Veio a directora com água e limão e um ramo de flores. Só acalmou com Valium 2 que lhe deu um médico do grupo, o Dr. José Luís. ÀS 02:30 horas visitámos Patan, cidade bonita. Ela foi. Visita do templo dos macacos no alto. Bairro dos refugiados tibetanos-fábrica de tapetes desde o início do fabrico. Ela ficou no autocarro e arranjei-lhe açúcar num prato. Visita de fabriqueta de metal e outra de trabalhos em madeira. Templo dos muitos budas na torre. Fui com ela num táxi=20 rupias. Eu também ganhei febre, talvez derivado ao rafting. Ela só acalmou com valium 2 e comeu 2 maçãs=15 rupias. Eu comi bananas.

Fizemos algumas compras: quadro da vida de Buda com dezenas de figuras muito pequenas.

Swoyambhunath Stupa em Pradhan

Swoyambhunath Stupa em Pradhan

>> 12.9.1983 >> Partida pelas 09:30 horas para o aeroporto de Katmandu em viagem para Bangkok. Ela melhorou e eu estava bem. Gastámos o resto das rupias na compra duma máscara de madeira e de um saco gravado. Paragem em Calcutá.

Chegada a Bangkok. As malas foram numa camioneta. Auto estradas. Recepção no hotel com colar de flores e fotografia com uma menina. No avião havíamos tomado um valente almoço com Wisky e champanhe. Visitámos as lojas do hotel e fomos a um espectáculo de sal e pimenta com sexo ao vivo (10 dólares, mais 2). Foi nojento. Bangkok, hotel Indra, enorme. Jantar com um show de danças tailandesas no Restaurante Nopakao.

>> 12 a 15.9.1983 >> Em Bangkok ficámos no Indra Regent Hotel.

>> 13.9.1983 >> Levantar às 08:00 horas. Pequeno almoço continental no hotel Indra. Visita ao Templo de Mármore, ao Buda Reclinado e ao Buda de Ouro. De tarde fui ao Palácio Imperial e ao Templo do Buda de Esmeralda. Comprei várias camisetas da Lacoste. Visita da cidade. Ficámos no meio da cidade. Apanhámos um autocarro (5 bahts) e fomos visitar o palácio imperial. Uma maravilha, só comparável ao Taj Mahal. Sete elementos do grupo quiseram guia e outros sete não. Comemos uma sandes com cerveja e água (3 bahts). Visita à loja das sedas por indicação do António Torneiro. Tudo caro. Comprei uma gravata azul (150 baths). Curiosidades: moeda da Tailândia-baht. 1 Libra inglesa =32,75 bahts.1 dólar= 22,90 bahts.

Swoyambhunath Stupa em Pradhan

Swoyambhunath Stupa em Pradhan

Paragem no Siam Center. Nada de especial. Aprecei relógios Seiko. O mínimo eram 1.600 bahts. Choveu. Vimos as lojas em frente do hotel. Vi mais Seiko.

Templo de Buda no Palácio Real

Templo de Buda no Palácio Real

>> 14.9.1983 >> Levantar cedo. Visita ao mercado flutuante com paragem na casa do campesino (em madeira boa) e o colorido jardim das rosas, onde almoçámos. Havia açúcar de coco. Tomada de barcos de remo comprido. É tudo água. Lojas sobre estacas e nos barcos vendem-se frutas e peixe. Malas e cintos de pele de crocodilo e elefante. Almoço na quinta das flores, com espectáculo de danças e cantares, boxe, ordenação de monges, casamento tailandês e corrida de elefantes. Regresso a Bangkok. Engarrafamento monstro. Cheias nas ruas. Chegada às 07:00 horas. Ela comprou mala de pele de crocodilo por 125 dólares e eu tirei os sapatos, arregacei as calças e fui comprar o Seiko por 1.600 bahts, mesmo na hora do fecho da loja. Ainda comprei um cinto de pele de crocodilo por um pouco mais de 2.000$00 e mais duas gravatas. Comemos sopa de porco com o Dr. Carlos Jorge e mulher, esta sempre mal disposta.

Franklim e esposa em frente do Palácio Real

Franklim e esposa em frente do Palácio Real

>> 15 a 17.9 >> Estada em Pattaya, no Asia Pattaya Hotel.

>> 15.9.1983 >> Partida para Pattaya, ficando no hotel Asia Pattaya, quarto 623. Chegada pelas 10:30 horas após percorrer 150 quilómetros. Era tão grande que os empregados andavam de patins. Esperava-nos no quarto uma cesta de frutas. Viagem de barco até à ilha do coral, onde serviram um bom almoço com mexilhão, peixe e gambas (quentes e sem sal). Pela primeira vez vi pára-quedas na praia para quem quisesse voar. O António Torneiro e o Dr. Miguel experimentaram.

Franklim junto ao Palácio Real

Franklim junto ao Palácio Real

Água do mar maravilhosa, embora muito quente. Vimos os corais numa sampana com fundo de vidro. A areia era pó de coral. Muitos, qual carraças, a vender passeios de motoreta, de barco, camas de campismo, etc. Partida, mas o Dr. Luís Miguel foi a nado buscar os sapatos que esquecera na praia. Chegou de moto na hora da partida, já ao longe. Muitos atiraram-se ao banho, entretanto. No quarto do hotel havia um ananás bem embrulhado, oferecido pela gerência. Dormida até às 07:00 horas da manhã.

Mercado Flutuante

Mercado Flutuante

>> 16.9.1983 >> Pequeno almoço americano no Asia Pattaya. Dia livre. No mercado comprei um malote com andares (360 bahts), mas pago com libras inglesas, que já tinham perdido a validade, embora o banco as trocasse; e uma mala (800 bahts), fruta e três Lacostes (60 bahts cada).

Asia Pattaya Beach Hotel

Asia Pattaya Beach Hotel

Ninguém foi às opcionais. Ida a Pattaya em táxi de 8 ou 9 (7 bahts cada um). Muitos bares e prostitutas. Regresso ao hotel e almoço de frutas. Fomos à praia. Preparar para o grande jantar às 8h=mexilhão, lagostim, três grandes gambas, chocos, um grande caranguejo (parecia peixe). Orquestra, danças. Muitos dançaram. O Torneiro discursou. O Baptista ofereceu uma garrafa de champanhe. Sentámo-nos à beira da piscina a contar anedotas e a cantar. E fomos fazer óó.

Franklim e esposa banhando-se nas águas de Pattaya

Franklim e esposa banhando-se nas águas de Pattaya

>> 17.9.1983 >> Pequeno-almoço americano (comida à bruta). Pelas 17:00 horas ida para o aeroporto e embarque na Lufthansa para Lisboa, via Frankfurt.

>> 18.9.1983 >> Chegada a Lisboa.
1 dólar =32,75 bahts ou 29 bahts, conforme o banco.

Foram 15 dias agradáveis a ver coisas diferentes do nosso quotidiano. Os bolsos é que ficaram mais esvaziados de uns bons milhares de escudos. Só a viagem, hotéis e algumas refeições incluídas custaram 360.000$00 por pessoa. Nós os dois pagámos, pois, 720.000$00.

(Fim da Etapa 21.)

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«Viagens dum Globetrotter», por Franklim Costa Braga

One Response to Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (21)

  1. Franklim Costa Braga diz:

    O meu papá escreve coisas muito fixes

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