A propósito de Sustentabilidade

José PIres Manso - Fóios - Colaborador - Capeia Arraiana

O papel da ENERAREA – Agência Regional de Energia e Ambiente do Interior que serve o Sabugal e as Beiras e Serra da Estrela.

Melhorar a eficiência energética e ambiental

Motivado pelo texto que o Dr Paulo Leitão Batista publicou no “Capeia Arraiana”, sob o título “A importância da sustentabilidade” no dia no dia 5 de junho, resolvemos escrever o seguinte texto que não é mais do que uma coletânea de mensagens que respigamos da página web da Enerarea – Agência de Energia e Ambiente para o Interior. Começamos pela mensagem do seu Director Dr Carlos Santos:

A ENERAREA – Agência Regional de Energia e Ambiente do Interior surge na sequência da candidatura ao programa comunitário SAVE II, da Comissão Europeia, apresentada pela AMCB – Associação de Municípios da Cova da Beira, com o propósito se promover a utilização de recursos endógenos, e proporcionar a criação de emprego e o estabelecimento de condições para o aparecimento óptimo do fornecimento energético a nível regional.

Esta agência tem como objectivos, contribuir para o aumento da eficiência energética, através da utilização racional da energia e da conservação de energias, e para o melhoramento do aproveitamento dos recursos endógenos na Beira Interior. A agência procura ainda promover a introdução de conceitos de eficiência energética e ambientais nos processos de planeamento e ordenamento do território, fomentar a utilização de soluções e tecnologias adequadas à conservação de energia e de menor impacte ambiental promovendo a criação de novas actividades económicas e emprego, contribuindo deste modo para o desenvolvimento sustentado da região.

José R. Pires Manso – Professor Catedrático, ex-membro do Conselho de Administração da Enerarea em representação da Universidade da Beira Interior

Para se delinear uma nova estratégia de desenvolvimento é necessário ocorrer uma mudança na forma de pensar, perceber e definir valores, ou seja, é preciso “repensar a reforma, reformar o pensamento”. E, de fato, vive-se um processo de mudança de visão do mundo na ciência e na sociedade, uma mudança de paradigma radical. É nesse novo paradigma que deverá ser analisada a energia para o desenvolvimento sustentável. O uso e consumo da energia, bem como a gestão energética, deverão ser reavaliados de forma a incorporar soluções sustentáveis.

De outra maneira, para que a mudança possa atender à reconciliação entre economia e meio ambiente é necessária uma mudança civilizacional e, como alguém dizia, a solução requer uma passagem de uma “civilização do ter” para uma “civilização do ser”.

ENERGIA RENOVÁVEL

Necessidade de Mudança
As sociedades humanas não poderiam funcionar e desenvolver-se sem energia. Contudo, os moldes de energia não são sustentáveis. A dependência das fontes de energia fóssil, não renováveis e poluentes, como o petróleo e o carvão, e a utilização não racional e pouco eficiente de energia, deverão dar lugar a novas apostas. Há consenso sobre que as linhas de actuação nesta área deverão passar, quer pelo desenvolvimento das energias renováveis, quer pelas promoções da eficiência energética e de usos mais racionais de energia, e ainda pela diminuição da poluição.

Para o efeito a ENERAREA pretende promover a utilização dos recursos endógenos, proporcionando condições impulsionadoras para a criação de um clima propício ao desenvolvimento das Energias Renováveis na Beira Interior.

“Agora pense um pouco”
Já imaginou no que seria de si sem a sua televisão todos os dias? Ou sem o duche reconfortante todas as manhãs? Ou ainda pior, ir de bicicleta para o emprego que fica a 40 Km de casa. Sabia que para usufruirmos deste e doutros tipos de “luxos” são gastos milhões de toneladas de combustíveis fosseis. E o pior é que estes combustíveis vão acabar, num máximo de 50 anos para alguns. É caso para pensar “e depois?”. Bem, depois será tarde demais para dar energia às energias renováveis.

Os grandes booms das renováveis, em geral surgiram sempre após os choques petrolíferos, o primeiro em 1973 quando os líderes da OPEP resolveram reduzir intencionalmente a produção de barris de petróleo para aumentar o seu preço, o segundo em 1978/79, devido à guerra entre o Iraque e Irão (potenciais produtores de petróleo). Por um lado, a necessidade de assegurar a diversidade e segurança no fornecimento de energia e, por outro lado, a obrigação de proteger o ambiente, cuja degradação é acentuada pelo uso de combustíveis fosseis, motivaram o renovado interesse pelas renováveis.

Está mais que visto, que as preocupações com o ambiente contribuem para o sucesso temporário da implementação das energias renoveis. Porém a euforia acaba, assim que os preços do petróleo baixem, e podemos todos continuar a pensar que os combustíveis fósseis nunca vão acabar.

É necessário mudar de políticas e atitudes de modo a diminuir significativamente as importações de grandes quantidades de combustíveis fosseis, negligenciando o grande potencial energético-económico de que dispomos no nosso País.

Se não vejamos:

Energia Solar
O fluxo de radiação solar que atinge anualmente a superfície terrestre é 8 vezes superior ao valor equivalente das reservas de combustíveis fosseis e nucleares conhecidas na actualidade. Dado que o nosso país possui uma elevada insolação anual – chega a atingir cerca de 3 000 horas de sol por ano em alguns locais – a energia solar é com certeza uma alternativa economicamente viável.

A energia da radiação solar pode ser aproveitada por diferentes formas: de forma passiva ou activa.

O sistema passivo é utilizado na forma como se constroem os edifícios. Por exemplo no caso de uma habitação o alçado principal deve ficar orientado para sul, com palas e estores exteriores que o sombreiam, ou então se possível com árvores de folha caduca (com folhas no Verão para produzirem sombra e sem folhas no Inverno para permitirem a passagem dos raios solares) permitindo captar o sol no Inverno e evita-lo no Verão.

Relativamente ao sistema solar activo poderá encontra-lo em duas formas distintas – térmico ou fotovoltaico – No caso do sistema solar activo térmico, existe um colector solar (painel) que devido às radiações solares incidentes absorvidas permitem o aquecimento de um determinado fluido, água ou ar. Este sistema solar é usado com facilidade e com custos compensadores para os investidores. A sua utilização em casas pode ser suficiente para o aquecimento de água, sanitárias, e de piscinas, etc…

Por outro lado no caso do sistema solar activo Fotovoltaicos, os painéis solares constituídos por um material semicondutor (o silício) que em contacto com outras determinadas substâncias, conseguem converter as potências associada à radiação solar em potência eléctrica. Este sistema produz energia eléctrica com elevada fiabilidade, e a sua manutenção é baixa, limitando-se essencialmente ao sistema de acumulação de energia no caso dos sistemas autónomos.

São também conhecidas as vantagens ambientais deste tipo de sistemas, que não emitem gases de efeito de estufa e não produzem ruído.

De referir que em Portugal e face à radiação solar média incidente um painel com cerca de um m2 tem a capacidade de produzir a energia média anual de cerca de 124.38 kWh.

Energia da Biomassa
Outra fonte potencial de energia são os resíduos florestais. Por exemplo a biomassa, que é produzida através da lenha e dos resíduos da indústria da madeira, é já uma notável contribuição para o balanço de energia final no país. O aspecto de maior ênfase, está associado ao aproveitamento das toneladas de resíduos florestais, que podem ser aproveitados como fonte potencial de energia e deste modo contribuir para a diminuição do risco de incêndios florestais promovendo, a correcta gestão dos povoamentos florestais, a fixação da população, e a diminuição da dependência externa.

Energia Eólica
A fúria dos Deuses. As lendas e mitos populares relacionam sempre estas forças da natureza com algo negativo e poderoso. Porém a espantosa força dos ventos pode ser aproveitada como um negócio bastante rentável. Segundo os investidores “Melhor que as galinhas de ovos de ouro”.

Este tipo de energia renovável resulta da energia cinética do ar, que se desloca por efeito das diferentes pressões atmosféricas entre regiões distintas. Essas diferenças de pressão têm uma origem nas diferenças térmicas provocadas pela energia solar e os processos de aquecimento das massas de ar, continentais e marítimas.

O vento forte faz rodar as hélices das turbinas adaptadas para o vento (vulgos aerogeradores, ou moinhos eólicos) em vez do vapor ou da água é o vento que faz girar a turbina. A ventoinha da turbina está ligada a um eixo central que contém em cima um fuso rotativo. Este eixo chega até uma caixa de transmissão onde a velocidade de rotação é multiplicada (aumentada). O gerador que por sua vez está ligado ao transmissor produz energia eléctrica.

Existe ainda uma particularidade neste sistema que no caso do vento se tornar muito forte (velocidade superiores a 25 m/Seg.) os aerogeradores accionam um travão que impede a rotação das hélices, impedindo eventuais danos nos mesmos.

Todavia as velocidades do vento variam durante o ano, sendo mais intenso no verão quando o ar se movimenta do interior quente para o litoral mais fresco. De referir que as velocidades médias de vento viáveis para accionar os aerogeradores e posterior produção de energia eléctrica situa-se entre os 7m/seg e os 25m/seg. Os sistemas de tamanho mais reduzido são rentáveis a velocidades médias de 5m/seg.

De referir que se a velocidade do vento duplicar, a potência multiplicar-se-á 8 vezes e, abaixo de um determinado limiar, a produção será nula.

Sabia que cada turbina produz entre 50 a 300 quilowatts de energia eléctrica. Com 1000 watts podemos acender 10 lâmpadas de 100 watts; assim, 300 quilowatts acendem 3000 lâmpadas de 100 watts cada.

Contudo a energia eólica têm-se desenvolvido pouco em Portugal. Tarifário inadequado, inexistência de infra-estruturas para ligação à rede, oposição de grupos ambientalistas, de populações, de organismos do ministério do ambiente, EDP, licenciamento injustificado e moroso, especulação com bons locais de instalação, etc..

A estas deve acrescentar-se uma outra, a do facto de o recurso não estar ainda suficientemente avaliado, sendo, por outro lado necessário efectuar medidas e estudos detalhados da viabilidade deste recurso energético.

Uma objecção que se costuma ouvir sobre a energia eólica consiste na ideia de que os geradores poluem esteticamente a paisagem, isto é francamente discutível, tanto mais que existem muitas formas de os colocar, integrando-os e cuidando-lhes a estética para reduzir o seu impacte visual ou, mesmo, para tirar dele partido. De referir que cada vez mais se assiste à colocação de antenas de telecomunicações, com características muito piores do ponto de vista estético.

Outra objecção é a da possibilidade de danificarem a fauna avícola, sobretudo a migratória, embora não estejam documentados os casos genuínos deste tipo de impacto.

Em geral é bom fazer notar que este tipo de consequências é bem mais leve que as alternativas poluentes que estas formas de energia substituem e que esse facto deve também constar na ponderação da equação ecológica.

Em Portugal existem algumas zonas onde o potencial da energia eólica pode justificar a sua exploração. A conversão da energia eólica em energia eléctrica é realizada por intermédio de Aerogeradores. Quando montados em grupo estes constituem os parques eólicos (wind farms), geralmente instalados em parques, em locais abertos, onde a velocidade média anual do vento seja em média entre os 6 e 7 m/s. No nosso País já existem alguns casos de aproveitamento deste tipo de energia. Este tipo de energia pode mesmo ser aproveitada para casos particulares como é o caso dos retransmissores da Portugal Telecom na Serra da Estrela e da Gardunha que são abastecidos por energia a partir de Aerogeradores e de painéis Fotovoltaicos.

Energia hidráulica
Entre os finais do Sec. XIX e os princípios do Sec. XX, instalaram-se muitas centrais hidroeléctricas com potências compreendidas entre algumas dezenas e poucos milhares de quilowatts, precisamente o domínio de potências que hoje levaria a classifica-las como pequenas centrais hidroeléctrica, ou, na linguagem corrente, centrais mini-hídricas.

Os progressos entretanto verificados na transmissão da energia eléctrica permitiram que os países alta e medianamente industrializados passassem a estar cobertos por redes eléctricas densamente malhadas. Estas circunstâncias, aliadas ao facto de as reservas de combustíveis fósseis de fácil extracção serem consideradas como praticamente inesgotáveis, e serem em número apreciável os locais com condições favoráveis à instalação de grandes aproveitamentos hidroeléctricos, levou a que a produção de energia eléctrica se concentrasse em poucas centrais de elevada potência instalada, beneficiando da inerente economia de escala.

A energia hidroeléctrica é a electricidade produzida através do movimento da água. A energia hidroeléctrica usa a energia cinética da água para produzir electricidade. Para se obter a referida energia, são construídos diques (barragens) nos cursos de água para armazenamento temporário de água, obrigando-a mais tarde a passar pelas turbinas. A partir deste ponto o processo repete-se, o gerador que está ligado à turbina irá transformar a energia mecânica em energia eléctrica.

Biogás
O biogás resulta da degradação anaeróbica da matéria orgânica, consistindo principalmente em dois gases – metano e dióxido de carbono. A sua instalação é rentável, sob o ponto de vista económico e ambiental, nas explorações quase auto-suficiente do ponto de vista energético, alem de reutilizar uns resíduos com um elevado potencial poluidor. Um exemplo de valorização do biogás, segundo informações da CEE, é o praticado por uma agro-pecuária na Azambuja, que gere mais de 7000 suínos. Esta pecuária trata através de digestão anaeróbia os efluentes gerados pela sua actividade, e ao mesmo tempo valoriza energeticamente o biogás produzido. A valorização faz-se através de sistemas de queima directa, por exemplo no aquecimento das instalações pecuárias, e os sistemas de co-geração para a produção de energia eléctrica e térmica.

A receita anual assim obtida permitiu amortizar em três anos o investimento efectuado e reduzir significativamente a factura energética da exploração.

Em suma
Porquê não apostar nas energias renováveis, energias estas que têm um interesse vital para o crescimento económico sustentável, que contribuem em larga escala para a diminuição do efeito de estufa assim como a importância a nível de empregabilidade. Este é o timing certo para apostar neste tipo de projectos

Uma das actuais linhas da política nacional é a introdução do gás natural. O gás natural, é uma mistura estável de gases cujos oponentes principais são os hidrocarbonetos gasosos, dos quais o metano tem normalmente uma proporção superior a 70%. É a fonte energética de origem fóssil mais limpa. Não emite enxofre, não liberta cinzas e produz menos 40% de dióxido de carbono que o petróleo. Trata-se de uma fonte de energia primária, que pode ser consumida directamente sem necessidade de nenhum processo de transformação industrial e é transportada e distribuída por através de tubagens enterradas no solo. Para assegurar a introdução do gás natural em Portugal o estado criou uma holding a gás de Portugal. Actualmente a distribuição e transporte de gás natural em território nacional está repartida por vários concessionários. A GDP detém mais de metade.

O melhor aproveitamento dos recursos endógenos nacionais constitui um instrumento indispensável à prossecução dos objectivos da política energética do governo, designadamente a redução da dependência energética externa e dos emissores poluentes, particularmente as que assumem importância relevante para as alterações climáticas.

Reconhece-se também através da experiência com a aplicação da legislação, a necessidade da valorização local da disponibilidade desses recursos, associados à necessidade de salvaguardar os interesses do mais favorável ordenamento e gestão do território, com destaque para as zonas sensíveis do ponto de vista ambiental.

PROJECTOS
1. Promoção da Educação e Formação Profissional e Igualdade de Género
Ambiente: Projeto Ambiente

Energia: Projeto Energia

Centro de Empreendedorismo Agro-Ambiental – CEAA: Projecto com o objectivo de identificar estratégias e iniciativas consistentes de desenvolvimento dos territórios.

2. Promoção da Sustentabilidade Energética da Região
RePECEE – Rede de Promoção da Eficiência no Consumo de Energia Elétrica: Projeto com o objectivo contribuir para promover o consumo eficiente de energia eléctrica através da disponibilização de uma plataforma partilhada por um número significativo de Agências de energia.

RETALER II – Rede Transfronteiriça de Autoridades Locais em Energias Renováveis: Projeto com o objectivo de dar continuidade às actividades que foram desenvolvidas em matéria de poupança energética através da difusão de boas práticas entre os cidadãos

RETALER – Rede Transfronteiriça de Autoridades Locais em Energias Renováveis:O RETALER visa o desenvolvimento de estudos e implementação de medidas na área das energias renováveis.

Racionalização de Energia em Ambiente Doméstico – READ

Projecto a nível nacional, que pode ser visitado em www.read-enerarea.com.

3. Ambiente e Ordenamento do Território
Instalação Óleões: Acompanhamento da implementação do equipamento nos municípios.
Medições Acústicas e Mapas de Ruído: Projeto com o objectivo de actualizar os mapas de ruído de alguns municípios.
Veículos em Fim de Vida: Projecto com o objectivo de reduzir a poluição e impedir impactes ambientais negativos proveniente do abandono de veículos nos municípios

4. Promoção e Difusão
Feira das Energias Renováveis – Guarda

POUPAR ENERGIA

Em casa
Existem diversas formas de cada um de nós reduzir consumos energéticos. As divisões da casa que consomem mais energia são a cozinha e a casa de banho. Assim, existem diversas pequenas acções que cada um pode concretizar principalmente no uso de electrodomésticos e na iluminação, que não só irão diminuir a conta de energia no fim do mês como beneficiar o ambiente. Começando pelo acto da compra de electrodomésticos como o frigorífico e a máquinas de lavar que têm já uma etiqueta com informação sobre a eficiência energética e o consumo de energia. Tenha em conta estas informações ao adquirir novos equipamentos.

Quando adquirir um electrodoméstico, tenha em conta a etiqueta energética. A etiqueta constitui o primeiro nível de informação e comprova o valor do equipamento. A etiqueta permite comparar facilmente a eficiência energética de aparelhos da mesma categoria. Para além disso, as etiquetas fornecem informações a nível de consumo, ruído, etc.

Um modelo pouco eficiente, mesmo sendo mais barato do que outros no momento da compra, poderá tornar-se num custo superior e desnecessário da factura de electricidade durante a vida útil do aparelho.

Frigoríficos e congeladores
O frigorífico retira o calor dos alimentos e envia-o para o exterior sob a forma de ar aquecido. Sempre que a temperatura no interior ultrapassa o nível fixado, o termostato acciona automaticamente o motor de arrefecimento, contribuindo para um aumento de consumo de energia. Deste modo os pratos cozinhados devem ser primeiro arrefecidos e embalados e em seguida colocados no frigorifico. Outras medidas possíveis são reduzir o tempo de abertura da porta, descongelar regularmente o aparelho e substituir a borracha da porta quando estiver em mau estado, a fim de evitar trocas com o exterior.

• Tenha em conta a etiqueta energética que os fabricantes destes equipamentos colocam nos aparelhos.
• Escolha um modelo de frigorífico ou congelador cujas dimensões e possibilidades correspondam às suas necessidades. O consumo destes aparelhos aumentam geralmente em função do volume e do número de estrelas.
• Abra a porta dos aparelhos só quando for necessário e verifique se a borracha de vedação está em bom estado a fim de evitar fugas de ar frio.
• Não guarde os alimentos ainda quentes.
• Coloque o frigorífico e congelador protegidos de fontes de calor.
• Não deixe que ocorra uma acumulação excessiva de gelo no congelador. (Descongele regularmente o aparelho).
• Limpe pelo menos duas vezes por ano a grelha situada na parte de trás dos aparelhos, verifique também se o ar aí circula e mantenha-a afastada da parede em cerca de 5 cm (caso contrário este electrodoméstico pode estar a consumir mais 15% da energia habitual).
• Instale o frigorífico num local ventilado, fora do alcance de raios solares e longe do fogão.
• Deixe um espaço mínimo de 15 cm dos lados, acima e no fundo do aparelho.
• No Inverno, regule o termóstato para uma posição de frio não muito intenso.

Máquinas de lavar roupa
• Grande parte da electricidade é utilizada para aquecer água. Com a qualidade dos produtos de limpeza actuais, cada vez menos é necessário lavar a 60ºC, beneficiando deste modo o consumo de energia eléctrica (no entanto tenha o cuidado em escolher detergentes sem fosfatos).
• Separe a roupa e escolha sempre o programa que necessita de acordo com o tipo de roupa que vai lavar.
• Prefira uma lavagem com carga completa em vez de duas lavagens com meia-carga.
• Se possível, use a máquina de lavar associada a uma tarifa bi-horária.

Máquinas de lavar loiça
• A maior parte da energia consumida pela sua máquina destina-se a aquecer a água. Com a utilização de alguns novos produtos de limpeza poderá escolher um programa económico ou ecológico. Com este programa, consome-se a mesma quantidade de água, e a água é menos aquecida.
• Tente lavar apenas cargas completas.
• Opte pelo programa económico e desligue a máquina antes do ciclo de secagem, deixando a loiça secar ao ar.

Máquinas de secar
• Os modelos de evaporação são ligeiramente mais económicos do que os modelos de condensação.
• Encha sempre o tambor da máquina e experimente fazer várias secagens sucessivas para deste modo conseguir aproveitar o calor residual acumulado.
• Seque os tecidos pesados e os tecidos leves separadamente para que todas as peças de roupa sequem ao mesmo tempo.
• A roupa que necessita de ser engomada não precisa de ser totalmente enxuta.

Fogão e placas de indução
• Quando se utiliza o fogão deve-se adequar o diâmetro do recipiente à dimensão da chama ao diâmetro da placa eléctrica e regular para o mínimo suficiente para manter a fervura. Pode-se também cobrir os tachos e panelas durante a preparação dos alimentos, utilizar sempre que possível a panela de pressão para cozinhados demorados e limpar os bicos de gás, as placas e o forno, de modo a manter o rendimento.
• O fogão a gás continua a ser, de longe, a solução mais económica.

Ferro Elétrico
• Evite ligar simultaneamente o ferro de engomar e outros electrodomésticos. O ferro de engomar pode sobrecarregar a rede eléctrica de sua casa.
• Evite ligar o ferro eléctrico várias vezes ao dia. Acumule uma quantidade de roupa razoável e passe-a de uma só vez.
• Regule no caso dos ferros automáticos, a temperatura indicada para cada tipo de tecido; passe primeiro aquelas que requerem temperaturas mais baixas (tecidos leves); Depois de desligar o ferro, aproveite anda seu calor para passar outras roupas leves.

Água quente
• Escolha a capacidade do termoacumulador em função da quantidade de água necessária por dia.
• Instale o termoacumulador o mais próximo possível das zonas de utilização da água quente.
• Programe o seu termoacumulador para funcionar nas horas de vazio (na maioria, durante a noite) da tarifa bi-horária.
• Use uma botija (Há algo muito reconfortante numa botija de água quente. Ela não aquece só os seus pés, como ajuda a aliviar dores, cãibras e gripes. Use-a, pois para além destas vantagens referidas, poupa-se imensa energia.)

Tome duche em vez de banho de imersão
• Uma banheira média leva cerca de 130 litros de água. Um duche médio de cinco minutos gasta cerca de 50 litros. Se milhões de pessoas tomarem duches em vez de banhos de imersão, poderão poupar biliões de litros de água, poupar energia e reduzir a poluição e problemas de esgotos.
• Evite ainda aquecer a água em demasia, – um duche com água a uma temperatura de 40ºC é suficiente para assegurar uma sensação confortável durante a higiene diária.
• Ah, e depois não se esqueça, – Feche bem as torneiras.
• Uma torneira de água a pingar durante uma semana pode encher uma banheira. As torneiras deverão ser reparadas sempre que funcionarem mal, e as borrachas deverão estar sempre em boas condições.

Televisão
• Desligue a televisão quando não estiver a ver.
• Dê preferência a televisores mais modernos que consomem menos energia.
o Desligue o controle remoto da sua televisão
Milhões de televisões estão preparadas para se desligarem pelo comando à distância, deixando o aparelho a gastar 1/4 da sua energia durante toda a noite. Este desperdício poderia ser evitado se os aparelhos fossem desligados directamente.

Ar condicionado
• Escolha o sistema que melhor se adapta às suas necessidades, tendo em conta a eficiência energética e o consumo de energia;
• Limpe os filtros regularmente;
• Não utilize o ar condicionado com as portas ou janelas abertas.

Isolamento
• A energia utilizada para climatização, representa uma grande parte do consumo energético total. Este consumo, reflecte-se nas facturas de energia e no aumento de poluição. No entanto, existem maneiras de reduzir este consumo sem diminuir o bem estar e o conforto dos ocupantes. Deve-se diminuir o consumo de energia usado no aquecimento ou na refrigeração caso se trate da estação fria ou quente respectivamente, recorrendo a algumas medidas práticas, tais como: actuar no isolamento da casa, nas janelas e cortinados e na calafetagem das frechas.

Iluminação
• Evite acender lâmpadas durante o dia, utilizando a iluminação natural. Abra bem as janelas, cortinas e persianas e prefira luz natural. Optimize as condições de aproveitamento da luz solar que é gratuita.
• Desligue a iluminação sempre que não precise.
• Use iluminação apropriada dirigida para a leitura, trabalhos manuais etc., pois oferece maior conforto e economia.
• Pinte o teto e paredes internas com cores claras, evitando o uso de lâmpadas de maior potência.
• Use lâmpadas eficientes. As lâmpadas fluorescentes compactas são consideradas lâmpadas eficientes, não aquecem e têm uma duração muito superior às incandescentes. Apesar de serem mais caras que as lâmpadas incandescentes, as lâmpadas fluorescentes duram 8 a 12 vezes mais e reduzem substancialmente o consumo de energia eléctrica (até cerca de 80%).
o Lâmpadas incandescentes VS lâmpadas fluorescentes compactas
Poupança: (tendo em conta o kW a 0.088 euro)
 em 3 anos → 15,30 euros
 em 5 anos → 32,40 euros
 em 10 Anos → 65,53 euros

Tarifa bi-horária
• Para a generalidade dos clientes domésticos é aplicada a tarifa simples. Mas, esta tarifa poderá não ser a melhor opção caso tenha consumos elevados. Com este tarifário não pode usufruir de reduções no preço da energia, o preço do kWh é constante em todas as horas do dia. Ao optar pela tarifa bi-horária, usufrui de uma redução no preço do kWh nas horas de vazio. Pode ainda escolher o horário que mais lhe convém: ciclo semanal ou diário, em dois períodos sazonais: Inverno e Verão.
• Para mais informações clique no link: http://www.edp.pt

E ainda:
• Não deixe que existam em sua casa fios mal emendados, descarnados ou mal isolados.
• Use fios de diâmetro correcto para cada finalidade e não emende fios de espessuras diferentes.
• Evite usar aparelhos eléctricos no horário de pico de consumo.
• Desligue o quadro eléctrico quando se ausentar por muito tempo (férias, etc.)
• Dê preferência aos electrodomésticos mais eficientes.

Fora de casa
Comportamentos que não são saudáveis e que contribuem para o aumento da poluição e o consumo de energia.
Sempre que possível, utilize o autocarro e, em pequenos percursos, desloque-se a pé. Irá contribuir para o descongestionamento do transito e para a poupança de recursos naturais.
Há também certos cuidados possíveis de ter com o carro que diminuem o consumo de energia, como assegurar a manutenção do veiculo, a limpeza e substituição das velas, das válvulas, dos platinados e do filtro de ar, evitar a condução brusca, com muitas travagens e acelerações.

Curiosidades
Sabia que…
• As lâmpadas fluorescentes compactas duram muito mais e consomem cerca de ⅕ da energia que gasta uma lâmpada vulgar.
• Um televisor com o controlo remoto ligado durante toda a noite consome cerca de ¼ da energia em relação ao seu pleno funcionamento.
• Cerca de 90% da energia utilizada na lavagem da roupa vai para o aquecimento da água.
• Quase metade da energia usada em casa é desperdiçada. Perde-se, por exemplo, através das janelas abertas e das fissuras nos caixilhos das janelas e nas portas.
• Reciclar papel consome até 55% de energia a menos, do que fazer papel à base de madeira.
• Arranque a frio (de um automóvel) provoca um acréscimo no consumo de combustível que pode atingir cerca de 80% no primeiro quilometro e cerca de 50% no segundo quilometro, apenas passando para o consumo normal entre o terceiro e o sexto quilometro.
• A energia poupada pela reciclagem de uma garrafa de vinho em vidro é suficiente para iluminar uma lâmpada de 100 watts durante quatro horas.
• As luzes e os aparelhos eléctricos deixados ligados desnecessariamente desperdiçam energia e aumentam as contas de electricidade.

José R. Pires Manso (Fonte: http://www.enerarea.pt/)

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