Viagens de um globetrotter desde os anos 60 (19)

Franklim Costa Braga - 1980 - Colaborador - Orelha - 180x135 - Capeia Arraiana

Viajar hoje é quase obrigatório. Toda a gente gosta de mostrar aos amigos uma foto tirada algures longe da morada. Organizam-se excursões para visitas cá e lá fora, com viajantes que, por vezes, mal têm para comer. Mas, como é moda, toda a gente viaja. (Etapa 19).

Vista da cidade francesa de Lyon onde se destaca a Catedral de São João Baptista

Vista da cidade francesa de Lyon onde se destaca a Catedral de São João Baptista

III – VIAGENS LÁ FORA – ANOS 80

1980 a 1982

1980

Em 31 de Março de 1980 foi admitida a minha inscrição como Técnico de Contas na DGCI. Nunca cheguei a trabalhar como Técnico de Contas, que ainda sou, hoje com o nome de Contabilista Certificado. Apenas fiz e assinei as contas da minha sociedade de ROC’s. Mas fiquei com a possibilidade de trabalhar e ganhar a vida nesse ramo.

Viagem a Lyon (França)

Porque desejava ter filhos e já estava casado havia nove anos, detectado um problema de aperto de trompas em minha mulher, resolvemos consultar um conceituado médico judeu da Suécia. Respondeu-nos que não atendia mais pacientes porque não queria pagar mais impostos com o dinheiro que iríamos pagar. Consultámos, então, o Dr. Cognat, de Lyon, que nos atendeu e fez a operação.

7.6.1980 – Saída de avião de Lisboa para o aeroporto de Satolas em Lyon.

Provavelmente, por não saber quantos dias ia ficar em Lyon, não marquei avião de regresso e vim de comboio.

11.6.1980 – Entro em Hendaye de comboio.

12.6.1980 – Entro em Lisboa por Santa Apolónia.

Catedral de Sâo João Baptista em Lyon - Capeia Arraiana

Catedral de São João Baptista em Lyon

Tivemos ocasião de visitar a bonita catedral de São João Baptista com o grande relógio astronómico e a colina La Fourvière, servida por um funicular. Lá no alto havia uma capela dedicada a Santo António de Pádua. Chamei a atenção do encarregado da capela que devia ser Santo António de Lisboa. Respondeu-me que já muitos haviam feito essa observação antes. Ao lado fica a Basílica de Notre-Dame de Fourvière, o anfiteatro romano e o mirante donde se avista toda a cidade, com os rios Rhône e Saône, e a parte moderna da cidade de Part-Dieu.

Basílica de Notre-Dame de Fourvière em Lyon

Basílica de Notre-Dame de Fourvière em Lyon

Demos uma olhadela pelo Ródano, que corria impetuoso pelo meio da cidade e visitámos a praça de Part-Dieu, utilizando o Metro moderno.

Ficámos instalados num quarto da clínica. Na segunda noite mudei-me para uma pensão.

Verão de 1980

Fomos, mais uma vez, passar 15 dias à praia da Senhora da Rocha com programa semelhante ao de anos anteriores e com a companhia quase invariável, com apenas mais um companheiro – o enfermeiro da Marinha, Sr. Vitorino.

1981

Novamente 15 dias de férias na Senhora da Rocha, como nos anos anteriores.. Já passámos parte do Verão na nossa casa da Costa da Caparica.

Passei esse Verão a estudar para o exame para ROC. Já desde 1979 que frequentava um estágio numa sociedade de ROC’s.

Tive de estudar novamente as matérias de Economia, de Matemática e Estatística, de Auditoria e de Direito Comercial e Obrigações. Alguns dos professores eram os mesmos que tivera no Instituto de Ciências Económicas e Financeiras, como o Dr. Madureira de Economia e o Dr. Jesus de Matemática. Nas matérias de Direito era um Juiz Desembargador e nas de Auditoria um ROC. Imaginem o meu terror em ter de enfrentar novamente o Dr. Jesus de Matemática nas escritas e orais. Era necessário fazer a inscrição para prestar provas de exame e a lista dos candidatos era publicada no Diário da República. A lista continha uns 300 candidatos. Muitos desistiram e só se apresentaram no Centro de Estudos Judiciários (nessa altura os ROC’s dependiam do Ministério da Justiça) cerca de metade dos inscritos. Desses, apenas foram admitidos 12 à prova oral, entre os quais eu. Consegui passar. De notar que vários dos candidatos que trabalhavam em auditoria nas sociedades multinacionais chumbaram.

Foi em 17 de Outubro de 1981 que concluí o exame para ROC. Seguiram-se burocracias de inscrição na Câmara dos Revisores Oficiais de Contas (hoje Ordem).

Cartão de Franklim da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas

Cartão de Franklim da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas

1982

Em Fevereiro de 1982 constituí uma sociedade de ROC’s com outro colega.Começámos a trabalhar com duas ou três empresas, mas depressa adquiri mais clientes, porque nesse ano a Câmara dos ROC’s fez uma campanha sobre a obrigatoriedade de as empresas terem um ROC. Comecei a actividade como ROC em Abril de 1982 numa sociedade de Padarias de Torres Vedras, a Sotopal, onde me deslocava de vez em quando.

Fui impedido de obter muitos mais clientes por falta de telefone. A zona de Lisboa onde eu morava, e ainda moro, era nova. Não havia cabos telefónicos e só passados vários anos é que os colocaram. É o que acontecia com haver um monopólio – a PT. Reclamar era chover no molhado.

Com empresas fora de Lisboa, começaram as viagens profissionais., sobretudo à zona de Torres Vedras e Lourinhã.

A vida começava a ficar mais desafogada, mesmo com os encargos das duas casas.

Por isso, as grandes viagens recomeçariam em 1983, com ida à Índia, Nepal e Tailândia, cuja viagem relatarei na próxima semana.

Verão de 1982

Gozei 15 dias de férias na praia da Senhora da Rocha. O habitual com os habituais companheiros.

Foi o último ano que fui passar 15 dias na praia da Senhora da Rocha. Ainda tive a tentação de comprar um apartamento na praia dos Olhos de Água. Ainda bem que me passou essa ideia porque, sendo longe, não dava para ir lá com frequência e a casa passaria a ficar mais tempo fechada que ocupada.

Passei a ficar na praia da Costa de Caparica na minha casa, a 17 quilómetros de Lisboa, com a possibilidade de ir aí passar os fins-de-semana.

Como dispunha de tempo livre de dia, em finais de 1981 acumulei algumas horas na Universidade Livre (Instituto de Preparação para a Universidade), cuja autorização só chegou em 21 de Janeiro de 1982.

(Fim da Etapa 19.)

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«Viagens dum Globetrotter», por Franklim Costa Braga

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