O futuro é imprevisível

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Mesmo arriscando a ser mal interpretado, quero aqui deixar umas palavras sobre o nosso Concelho. Em primeiro lugar vão para aqueles homens e mulheres que não se rendem – independentemente da sua cor politica – e que o objectivo da sua luta é somente o bem-estar das gentes deste Concelho, isso só demonstra um elevado nível ético e humano.

O futuro é imprevisível - Capeia Arraiana

O futuro é imprevisível

Estas pessoas estão movidas por um nobre ideal, servir os outros.

Agora deixem-me dizer o seguinte: presentemente, e num próximo futuro, seja quem seja que governe este Concelho tem escassas possibilidades de atingir o que para mim é o objectivo principal; o seu repovoamento e o seu desenvolvimento económico e social. A nível europeu e nacional, assistimos a um envelhecimento da população e a uma economia que eu apelido da ilusão, ou seja, uma economia de casino que mais dia menos dia irá dar origem a novas crises económicas com tudo o que elas trazem, falência de Bancos, de empresas e desemprego, obrigando este,à partida de mais gente a caminho das grandes cidades e de outros países.

Não ponho em causa, oxalá não me engane, que possa surgir um acontecimento que nos transcenda a todos. Eu explico: a História não está entregue à Providência Divina, é incógnita, é uma interrogante permanente. O que levou milhares de pessoas do nosso Concelho a partirem, emigrarem, principalmente nos anos sessenta do século passado? A agricultura deixou de ser a principal fonte de riqueza e começou a dar lugar a uma pequena industria situada nos grandes centros urbanos, isso levou à procura de melhor nível de vida de muitos portugueses que viviam no interior do País agarrados a uma arcaica agricultura, depois, De Gaulle e Willy Brandt necessitavam de mão-de-obra em abundância e barata, abriram então as fronteiras dos seus países à emigração. O Estado Novo estava à espera desta politica de fronteiras abertas por parte da Alemanha e da França? A população do Concelho do Sabugal já estava a prever isto? Este fenómeno da emigração transcendeu tudo e todos! Como é natural, ninguém pode estar à espera desse tal – algo – que nos transcenda e encha desta vez o Concelho de gente, não nos podemos deitar à sombra das árvores das margens do Côa, é preciso agir, e todos os empreendedores serão bem-vindos.

Também muito nos ajudaria a União Europeia (Berlim) se implementasse um novo New Deal, e permitisse um investimento maciço do Estado em obras públicas, mas Bruxelas (Berlim) não quer que os Estados actuem, tudo tem de ser feito por empresas privadas, originando isto uma luta de interesses…

A política sempre foi considerada a arte do possível, mas presentemente está a transformar-se na arte da astúcia, porque essa maldita mania de alguns tipos aparecerem do nada e dizerem que conseguem fazer milagres bíblicos, como aquele de multiplicar o pão e o peixe levam logo ao descrédito da sua capacidade, essa gente actua não como mortais, mas sim como iluminados na posse da verdade absoluta e até conseguem, se os deixarem, construir paraísos terrenais, com estes é que é preciso muita cautela!

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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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