Cemitérios e Práticas Religiosas (4)

António Gonçalves - Colaborador - Orelha - Capeia Arraiana

:: :: ALDEIA DE SANTO ANTÓNIO / URGUEIRA :: :: A preparação para morte e as práticas religiosas a ela associadas, antes e depois, assumiram caraterísticas próprias ao longo dos séculos. As comunidades adaptaram os seus comportamentos ao espaço geográfico e às condicionantes de cada época. Pretendo divulgar informações que encontrei nos Arquivos, bem como alguns costumes que, se não escrevermos, correm o risco de desaparecerem da memória dos povos desta região.

Igreja Matriz de Aldeia de Santo António

Visitação
“Em visitação o Reverendo Pároco daqui em diante declara sempre à margem dos respectivos assentos o que se fez por bem d’alma dos defuntos conforme o uso da Igreja e nos assentos deve sempre declarar não só a naturalidade e domicílios dos defuntos, mas também sendo solteiros os nomes de seos pais, sendo cazados ou viúvos os nomes dos seos cônjuges. Fica atrás a disposição de Manoel Gonçalves Sapinho …
Urgueira 15 de Novembro de 1785
Bispo da Guarda”(1)

De fato à medida que recuamos na história os assentos trazem menos informação! Os párocos, ao lavrarem os registos/assentos, cumpriam ordens superiores emanadas do Bispado.

Enterramentos na Igreja de Nossa Senhora do Pilar, na Urgueira:

1. Óbito de um pobre:

2. Ana Capela:
“Ana Capela cazada que foi com o Doutor José da Costa Teixeira da Vila do Touro faleceo de vida prezente no dia vinte e seis de Fevereiro de mil e oito centos e trinta e seis e foi sepultada na Capela da Senhora do Pilar desta freguezia de Santo Antonio da Urgueira Bispado da Guarda e para constar fiz este termo que asigno dia, mez, e ano ut supra.
O Cura Manoel Antunes Soares”(3)

Urgueira surge nos documentos como sendo freguesia, Aldeia (quinta) de Santo António seria anexa.

Cemitério de Aldeia de Santo António e Urgueira:
“Ao dia oito de Maio de mil oitocentos e trinta e oito faleceo de vida prezente Ana Sapinha sendo de idade de quarenta anos pouco mais da Quinta dos Amiais cazada que foi com António Martins desta freguezia de Santo António da Urgueira foi sepultada no semiterio da dita freguesia de que fiz este termo que asigno dia, mez e ano ut supra.
O Cura Manoel Antunes Soares”(3)

Uma leitura literal dos registos leva-nos a concluir que este cemitério terá sido dos primeiros a ser construído, no antigo concelho de Sortelha. Isto parece improvável, desde logo pelas dificuldades económicas da época. Assim, cemitério deverá ser sinónimo de adro da igreja de Nossa Senhora do Pilar, da Urgueira.

Óbito de um padre em 1845:
“No dia vinte e cinco de Fevereiro de mil oitocentos e cincoenta e cinco faleceo de vida prezente o Padre Manoel Antunes Soares cura desta Freguezia. Fez testamento do qual se entregou seo sobrinho António Paulo. Urgueira, primeiro de Março de 1845.
O Padre Manoel …(?)”(4)

O Decreto de 28 de Setembro de 1844 proibiu os enterros nas igrejas, no ano seguinte, o Padre Manoel Antunes Soares foi sepultado como qualquer mortal, sem direito a local privilegiado. O documento não refere o local onde foi enterrado.
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«Memórias de Sortelha», por António Augusto Gonçalves
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1. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Paróquia da Urgueira, Livro de Registo de óbitos, consultável em: PT-ADLSB-PRQ-PSBG43-003-O1_m0038.tif.
2. Idem.
3. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Paróquia da Urgueira, Livro de Registo de óbitos, consultável em: PT-ADLSB-PRQ-PSBG43-003-O2_m0038.tif.
4. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Paróquia da Urgueira, Livro de Registo de óbitos, consultável em: PT-ADLSB-PRQ-PSBG43-003-O2_m0046.tif.

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