Uma pseudociência chamada Frenologia

A Frenologia tentou provar que a capacidade intelectual e o carácter moral das pessoas são revelados pela forma do seu crânio. Mas os axiomas da Frenologia geraram viva e ampla polémica entre os cientistas.

Frenologia – uma ciência do imaginário

Alguns frenologistas associaram esta dita ciência à Criminologia, e acreditaram que as características peculiares dos homicidas eram muito bem visíveis na forma do crânio. Assim, os homicidas podiam ser facilmente detectadas por qualquer pessoa treinada na ciência frenológica.

A ponto a coisa foi, que se defendeu na Inglaterra vitoriana, na segunda metade do século XIX, que a policia metropolitana de Londres deveria ter nos seus quadros pessoas experimentadas nesta ciência de modo a selecionar os potenciais assassinos e tomar medidas preventivas em relação a eles.

Frederick Bridges, conhecido frenologista de Liverpool, examinou o crânio de mais de 300 assassinos e descobriu que todos eles tinham as orelhas implantadas muito em baixo. Perante essa conclusão, houve quem defendesse uma vigilância apertada às pessoas com essa característica fisiológica.

Um caso judiciário que abalou a Inglaterra vitoriana foi a morte, em 1862 do banqueiro Thomas Briggs, cujo cadáver foi encontrado na linha férrea. A Scotland Yard investigou e concluiu que fora assassinado dentro de um comboio e atirado pela borda. Reuniu provas e culpabilizou o jovem alfaiate alemão Franz Muller.

Muller foi condenado à morte por um tribunal londrino, mas a dúvida instalou-se na opinião pública acerca da sua verdadeira culpabilidade, uma vez que apenas se haviam reunido provas circunstanciais e o réu reclamou sempre a inocência.

Para acalmar a contestação popular pela eventual execução de um inocente, os frenologistas vieram a terreiro defender que a cabeça de Muller era a do verdadeiro tipo assassino e ladrão. A largura da sua cabeça revelava uma também larga destrutividade e combatividade, e até capacidade de dissimulação. Além disso, o crânio daquele desgraçado revelava profunda manha e cobiça dos bens alheios. Aqui estava a ciência para ajudar a quebrar todas as dúvidas.
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«Histórias de Almanaque», por Paulo Leitão Batista

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