Passam os anos fica a saudade… (27)

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

O 25 de Abril de 1974 foi um dos dias mais felizes da minha vida!

25 de Abril de 1974 - Capeia Arraiana

25 de Abril de 1974

É madrugada e sou acordado pelos meus companheiros da residência universitária onde vivia, com a notícia de que havia um Golpe de Estado!

Porque lhes conhecia as brincadeiras, duvidei, mas a audição da rádio levou.me a perceber que, desta vez, era verdade!

Levantar a correr, tomar um pequeno-almoço madrugador e eis-me na rua a caminho da Baixa.

Tudo ainda calmo, pois os soldados ainda não haviam chegado.

Atravesso no cacilheiro para Almada e nada ainda.

Regresso e no rio já havia a presença de um barco de guerra. Na Praça do Comércio já as tropas comandadas por Salgueiro Maia tomavam posição.

Do lado do Cais do Sodré uma força adversa tomava posição, mas nada se passaria, pois nenhum dos lados deu o primeiro tiro.

Sem bem saber porquê, as tropas começam a movimentar-se e, numa marcha já triunfal, segue a caminho do Rossio e começa a subir para o Carmo, onde, soube mais tarde, se refugiara Marcelo Caetano, então primeiro-ministro.

Sigo ao lado das tropas, com a certeza de estar a fazer parte da construção de um futuro melhor!

Somos muitos mais que os soldados e se tivesse havido combates muitos ali morreríamos. Mas o que o interessava se era a nossa hora?

Todos conhecem o que se passou no Largo do Carmo até à rendição de Marcelo ao general Spínola.

Mas só quem ali esteve nesse dia pode sentir o que ainda hoje sinto!

Uma alegria total de ter participado, enquanto cidadão anónimo, na saída de Portugal de uma situação insustentável para a grande maioria dos portugueses.

E era também, para quem como eu estava impedido de continuar a estudar por motivos políticos, a certeza de um futuro diferente!

E é por tudo isto que quarenta e cinco anos depois, e tendo a consciência plena do muito que está por fazer e dos muitos erros que se cometeram, continuo a considera o dia 25 de Abril de 1974 um dos dias mais felizes da minha vida.

E é por isso que continuo a gritar «25 de Abril sempre!»

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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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