Democracia e Instituições – O 25 de Abril

Maria Rosa Afonso - Orelha - Capeia Arraiana

45 anos depois, é dia de celebrar. Celebramos a democracia, a liberdade, a justiça, a igualdade, a paz…; celebramos a gente anónima, os trabalhadores, os poetas, os artistas, os militares…, todos os que lutaram e nos fizeram acreditar que tudo era possível.

25 de Abril - 45 anos depois - Capeia Arraiana

25 de Abril – 45 anos depois

Nem tudo foi possível. Mas, apesar dos sobressaltos, das crises, da corrupção (foram tantos os que não se portaram à altura), dos bancos a cair, do desgaste dos partidos e do desencanto, bastante generalizado, com a política e a vida cívica, celebramos os valores e as instituições democráticas que, muitas vezes, sem os meios necessários, continuam a funcionar.

Sucedem-se, com normalidade, os atos eleitorais, as legislaturas, os governos e as presidências da república, muitas vezes, em alternância partidária, e, sempre, no cumprimento estrito dos respetivos deveres e na observância da separação de poderes. Órgãos de soberania independentes, a que acrescem os tribunais, com o dever de vigilância mútua e a capacidade de criarem os mecanismos de controlo necessários a uma democracia estabilizada e a funcionar.

Neste mosaico de funcionamento democrático, quero relevar o papel da comunicação social, não apenas da informação diária, mas também de trabalhos de investigação, trazendo ao de cima temas e problemas de manifesto interesse público, sejam de âmbito político, sejam de economia ou de outras áreas, envolvendo organizações com implicações na vida de todos. Igualmente, na análise e na discussão dos mais variados assuntos, dos mais polémicos aos mais consensuais, numa pluralidade de perspetivas que enriquece o debate e traduz a diversidade social e cultural do país.

É meu entendimento que nem toda a comunicação social cumpre devidamente este papel; e, porque precisamos melhorar a democracia, com verdade, transparência e aprofundamento dos assuntos, este é um aspeto que devemos valorizar. O que implica sair da superficialidade das coisas, dos títulos apelativos e das três ou quatro linhas, de preferência bem-humoradas, que encontramos nas redes sociais, e ser capaz de uma cidadania mais informada, comprometida e confiante – a confiança, por estranho que pareça, é aqui determinante.

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«Rostos e Contextos», crónica de Maria Rosa Afonso

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