A presença de judeus na região do Sabugal

José Jorge Cameira - Vale de Lobo e Moita - © Capeia Arraiana

Farei uma pequena resenha histórica sobre a presença de judeus na região do Sabugal, sem grandes precisões nas datas mas respeitando muito a Verdade Histórica.

Armário sagrado judaico – Sabugal

Contexto Histórico:
1- No Séc. XIII a parte interior ou ocidental da Região do Sabugal era povoada por Portugueses, com diversas origens. Poderei citar origens árabes (moçárabes), romanas, celtas, visigodos, iberos e até lusitanos que se foram fundindo ao longo dos tempos. Aconteceu até a vinda de Galegos (mesmo da Galiza) que receberam incentivos dos primeiros Reis (principalmente D. Afonso III, pai de D. Dinis) para povoarem o interior na formação de Municípios ou Concelhos em todo o Reino.

2- A parte da Região fronteiriça do Sabugal que até D. Dinis não era Portuguesa, as populações eram de origem Castelhana e Aragonesa, estes tornando-se Portugueses após o Tratado de Alcanizes, assinado em 1297.

3- A partir de 1492 entrou bastante sangue novo na Região do Sabugal e nas outras regiões fronteiriças. O Rei D. Fernando do Reino de Aragão e Dona Isabel, Rainha de Castela decidiram expulsar dos seus Reinos toda a população Judaica, por motivos de ordem social que aqui não interessa citar. Cerca de 120 mil! Os Judeus então chamados de Sefarditas (também Marranos) abalaram para várias regiões fora da Península Ibérica, mas muitos deles vieram para Portugal pela proximidade. Na esperança de verem essa ordem de expulsão revogada e voltarem à posse dos seus bens patrimoniais, bastantes judeus mantiveram-se por muitos e longos anos nas regiões fronteiriças, entre elas no Sabugal, Belmonte, Almeida, etc., pagando ao Rei um determinado preço em valores para se estabelecerem por cá.

4- Aconteceu entretanto um facto curioso. O filho de D. João II, um rapaz de 19 anos de nome D. Afonso e que já era casado com a filha Isabel daqueles soberanos de Castela e Aragão (“Reis Católicos”) morreu ao cair de um cavalo na região de Santarém.
D. João II morre também mais tarde na Praia de Alvor e sucede-lhe o seu primo D. Manuel então Duque de Beja. Este novo Rei propõe àqueles Reis D. Fernando e Isabel casar com a filha viúva Isabel. Respondem a D. Manuel I que sim mas com a condição de expulsar de Portugal os Judeus que vieram para cá.
Ora isto não convinha ao Reino porque esses Judeus trouxeram dinheiro e valores e com a sua experiência estavam a ajudar a economia do Reino. Então D. Manuel propõe em 1496 aos Judeus ficarem mas tinham de se converter à Fé Cristã, baptizando-se e até mudando de nome. Foi uma tragédia para os Judeus. Alguns, poucos, abalaram. Alguns suicidaram-se. Outros baptizaram-se mas continuaram a praticar o seu culto às escondidas (talvez até na casa anterior à Casa do Castelo), sempre com medo da Inquisição. Na região do Sabugal e Penamacor ainda hoje se podem ver cruzes marteladas em algumas paredes de granito das casas onde viviam para provar que ali viviam Cristãos, mas Cristãos Novos, como se pode ver numa foto que fiz no Vale da Senhora da Póvoa numa casa na retaguarda do Chafariz. Mas lá dentro praticavam e mantinham o culto judaico.

5- A Região do Sabugal foi muito influenciada por esses Judeus, tornando-o o mais próspero de toda a região fronteiriça, na minha opinião. Viveram por toda esta Região, viveram dos seus ofícios e profissões, construíram boas casas, fundiram-se com as populações através de casamentos. Como tinham posses deram grande impulso na Economia de todo o Concelho do Sabugal.

6- Eis os nomes de Judeus que ficaram no Reino, alguns ainda existem. Alguns historiadores contestam e até repudiam esta Lista, fica o reparo.

-A-
Abreu Abrunhosa Affonseca Affonso Aguiar Ayres Alam Alberto Albuquerque Alfaro Almeida Alonso Alvade Alvarado Alvarenga Álvares/Alvarez Alvelos Alveres Alves Alvim Alvorada Alvres Amado Amaral Andrada Andrade Anta Antonio Antunes Araujo Arrabaca Arroyo Arroja Aspalhão Assumção Athayde Ávila Avis Azeda Azeitado Azeredo Azevedo

-B-
Bacelar Balão Balboa Balieyro Baltiero Bandes Baptista Barata Barbalha Barboza /Barbosa Bareda Barrajas Barreira Baretta Baretto Barros Bastos Bautista Beirão Belinque Belmonte Bello Bentes Bernal Bernardes Bezzera Bicudo Bispo Bivar Boccoro Boned Bonsucesso Borges Borralho Botelho Bragança Brandão Bravo Brites Brito Brum Bueno Bulhão

-C-
Cabaco Cabral Cabreira Cáceres Caetano Calassa Caldas Caldeira Caldeyrão Callado Camacho Câmara Camejo Caminha Campo Campos Candeas Capote Cárceres Cardozo/Cardoso Carlos Carneiro Carranca Carnide Carreira Carrilho Carrollo Carvalho Casado Casqueiro Cásseres Castenheda Castanho Castelo Castelo Branco Castelhano Castilho Castro Cazado Cazales Ceya Céspedes Chacla Chacon Chaves Chito Cid Cobilhos Coche Coelho Collaço Contreiras Cordeiro Corgenaga Coronel Correa Cortez Corujo Costa Coutinho Couto Covilhã Crasto Cruz Cunha

-D-
Damas Daniel Datto Delgado Devet Diamante Dias Diniz Dionisio Dique Doria Dorta Dourado Drago Duarte Duraes

-E-
Eliate Escobar Espadilha Espinhosa Espinoza Esteves Évora

-F-
Faísca Falcão Faria Farinha Faro Farto Fatexa Febos Feijão Feijó Fernandes Ferrão Ferraz Ferreira Ferro Fialho Fidalgo Figueira Figueiredo Figueiro Figueiroa Flores Fogaça Fonseca Fontes Forro Fraga Fragozo Franca Francês Francisco Franco Freire Freitas Froes/Frois Furtado

-G-
Gabriel Gago Galante Galego Galeno Gallo Galvão Gama Gamboa Gancoso Ganso Garcia Gasto Gavilão Gil Godinho Godins Goes Gomes Gonçalves Gouvea Gracia Gradis Gramacho Guadalupe Guedes Gueybara Gueiros Guerra Guerreiro Gusmão Guterres

-H/I/J-
Henriques Homem Idanha Iscol Isidro Jordão Jorge Jubim Julião

-L-
Lafaia Lago Laguna Lamy Lara Lassa Leal Leão Ledesma Leitão Leite Lemos Lima Liz Lobo Lopes Loucão Loureiro Lourenço Louzada Lucena Luiz Luna Luzarte

-M-
Macedo Machado Machuca Madeira Madureira Magalhães Maia Maioral Maj Maldonado Malheiro Manem Manganes Manhanas Manoel Manzona Marçal Marques Martins Mascarenhas Mattos Matoso Medalha Medeiros Medina Melão Mello Mendanha Mendes Mendonça Menezes Mesquita Mezas Milão Miles Miranda Moeda Mogadouro Mogo Molina Monforte Monguinho Moniz Monsanto Montearroyo Monteiro Montes Montezinhos Moraes Morales Morão Morato Moreas Moreira Moreno Motta Moura Mouzinho Munhoz

-N-
Nabo Nagera Navarro Negrão Neves Nicolao Nobre Nogueira Noronha Novaes Nunes

-O-
Oliva Olivares Oliveira Oróbio

-P-
Pacham/Pachão/Paixão Pacheco Paes Paiva Palancho Palhano Pantoja Pardo Paredes Parra Páscoa Passos Paz Pedrozo Pegado Peinado Penalvo Penha Penso Penteado Peralta Perdigão Pereira Peres Pessoa Pestana Picanço Pilar Pimentel Pina Pineda Pinhão Pinheiro Pinto Pires Pisco Pissarro Piteyra Pizarro Pombeiro Ponte Porto Pouzado Prado Preto Proença

-Q-
Quadros Quaresma Queiroz Quental

-R-
Rabelo Rabocha Raphael Ramalho Ramires Ramos Rangel Raposo Rasquete Rebello Rego Reis Rezende Ribeiro Rios Robles Rocha Rodriguez Roldão Romão Romeiro Rosário Rosa Rosas Rozado Ruivo Ruiz

-S-
Sa Salvador Samora Sampaio Samuda Sanches Sandoval Santarém Santiago Santos Saraiva Sarilho Saro Sarzedas Seixas Sena Semedo Sequeira Seralvo Serpa Serqueira Serra Serrano Serrão Serveira Silva Silveira Simão Simões Soares Siqueira Sodenha Sodré Soeyro Sueyro Soeiro Sola Solis Sondo Soutto Souza

-T/U-
Tagarro Tareu Tavares Taveira Teixeira Telles Thomas Toloza Torres Torrones Tota Tourinho Tovar Trigillos Trigueiros Trindade Uchôa

-V/X/Z-
Valladolid Vale Valle Valença Valente Vareda Vargas Vasconcellos Vasques Vaz Veiga Veyga Velasco Velez Vellez Velho Veloso Vergueiro Viana Vicente Viegas Vieyra Viera Vigo Vilhalva Vilhegas Vilhena Villa Villalão Villa-Lobos Villanova Villar Villa Real Villella Vilela Vizeu Xavier Ximinez Zuriaga.
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«Vale de Lobo e Moita», trabalho e recolha de José Jorge Cameira

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