Afonso Costa e a revolução republicana

Afonso Costa foi um chefe republicano que esteve na primeira linha da revolução que eclodiu em Lisboa e implantou a República no dia 5 de Outubro de 1910.

Afonso Costa

Afonso Costa teve uma odisseia nocturna quando deambulava por Lisboa, procurando levar ânimo aos militares e civis revoltosos. A um certo momento, passando por Alcântara numa carruagem, foi atacado a tiros de pistola, que provocaram a morte a um dos cavalos. No meio da confusão, o chefe republicano saiu apressadamente da carruagem e dirigiu-se para o hotel Central, onde estavam reunidos outros republicanos revoltosos. O médico Malva do Vale, vendo Afonso Costa entrar assustado e queixando-se de que fora atingido pelo fogo inimigo, mandou-o imediatamente despir. Depois de o examinar, decretou uma sarcástica sentença:

– O caro amigo tem no corpo apenas um buraco, de nascença e natural.

Só assim se convenceu Costa de que tinha saído ileso do ataque perpetrado pelas forças leais à monarquia.

Face ao perigo que o chefe republicano enfrentara, e tendo em conta que a carruagem, ou coupé, como na altura se dizia, ficara de facto varada pelos tiros, o jornal republicano O Mundo propôs uma subscrição pública para a sua aquisição com vista a instalá-la num futuro museu da República.

A esta proposta dos admiradores de Afonso Costa, contrapôs o jornal Correio da Manhã (de inspiração monárquica) uma outra: uma subscrição para a compra do bote fretado por Costa para se recolher, em caso de derrota, a um transatlântico fundeado no Tejo.
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«Histórias de Almanaque», por Paulo Leitão Batista

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