Solidariedade com Moçambique

Maria Rosa Afonso - Orelha - Capeia Arraiana

As catástrofes naturais são cíclicas em Moçambique. Mas, a que ocorreu, há uma semana, parece não ter limites, tal a extensão das zonas destruídas, pelo ciclone Idai e pelas cheias que alagaram várias províncias, com particular devastação na de Sofala. Todo o drama humano está ali.

Cerca de 1.300 quilómetros quadrados inundados em Moçambique - Capeia Arraiana

Cerca de 1.300 quilómetros quadrados inundados em Moçambique pelo ciclone Idai (Foto: D.R.)

Há populações isoladas, pessoas por resgatar, em cima de árvores ou no que resta dos tetos das casas; centenas de mortos, milhares de feridos, centenas de milhar de desalojados, desaparecidos; estruturas rodoviárias destruídas, comunicações afetadas. E a situação pode piorar, se forem feitas descargas nas barragens ou se epidemias, como a cólera e a malária, começarem a grassar nas populações.

Apesar de tudo, desta vez, a ajuda humanitária parece estar a correr melhor do que é costume, mais atempada e com maior organização. O governo moçambicano e a sociedade em geral reagiram, de imediato, dentro das limitações que têm. Portugal, por razões óbvias, mobilizou-se particularmente, com o envio de bens e de equipas, militares, médicas, da proteção civil…, públicas e de diferentes organizações (Cruz Vermelha, AMI, Médicos do Mundo, EDP). Também, a comunidade internacional, uma vez pedida a ajuda, está a responder, positivamente, sobretudo, a ONU.

A fase é ainda de ajuda de emergência a todas as populações afetadas, de instalação de campos para os desalojados, de hospitais de campanha…. Passada esta fase, quando chegar a reconstrução das infraestruturas, das casas…, espera-se que conhecimentos científicos e técnicos e meios económicos sejam postos ao serviço de Moçambique, para que se construa em zonas seguras e com materiais resistentes.

Recomeçar é a palavra de ordem, mas não será igual para todos. Muitos, com ânimo e alguma possibilidade, enterrarão os seus mortos, reunirão a família, reconstruirão as casas, voltarão às suas «machambas»…; mas, há sempre os que não vão poder enterrar os seus mortos, reunir as suas famílias, reconstruir as suas casas, voltar às suas «machambas»

Perdidos de todos, e até de si próprios, deambularão, pelas vilas e cidades, sobrevivendo, apenas. Para estes e outros, os mais fragilizados pela catástrofe, esperam-se programas específicos, de saúde mental e de apoio humano.

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«Rostos e Contextos», crónica de Maria Rosa Afonso

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