Portugal e Espanha

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

«Decidimos manter com a Espanha relações cordiais e amigáveis para que desapareçam todas as desconfianças e preocupações. Não é só possível desenvolver as relações económicas, mas também no domínio político, sempre que a absoluta independência seja um axioma fundamental da política espanhola. Sobre esta base, consideramos a via aberta para acordos recíprocos.» (Discurso de António Salazar.)

António Salazar com Franco - Capeia Arraiana

António Salazar com Franco

A cooperação entre Portugal e Espanha manteve-se até Abril de 1974, teve durante o período revolucionário em Portugal um parêntese, mas tudo voltou à normalidade assim que se instalou no país vizinho uma Democracia pluralista. A cooperação e amizade teve a ver com o – Compromisso – ou seja, a ajuda política e económica dada durante a Guerra Civil espanhola aos Nacionalistas até à sua vitória em 1939. Dessa vitória resultou a continuação de Salazar no poder em Portugal, uma vitória dos Republicanos poria fim em Portugal ao Estado Novo.

Com Salazar, ficou definitivamente resolvido o problema da Soberania Nacional perante a Espanha, dois países soberanos na Península Ibérica, embora Salazar sempre tenha mantido uma certa desconfiança em relação a Franco, e com razão, em Dezembro de 1940 esteve em preparação uma invasão de Portugal pelo exército espanhol.

Alguns integralistas lusitanos como Pequito Rebelo afirmavam que a amizade só poderia vir com a independência politica dos dois países, e não deixavam de lançar críticas à orientação pró-espanhola da política externa portuguesa, consideravam-na até perigosa para a integridade nacional.

Pós II Guerra Mundial, Salazar manteve a mesma cooperação com a Espanha, o que o levou a isso? O comunismo! A visão estratégica passou a ser outra, o potencial inimigo do País também passou a ser outro, a União Soviética. Salazar estava convencido de que a União Soviética invadiria a Europa Ocidental, sendo assim, as fronteiras de Portugal estavam no Pirinéus, o que significava que sem a participação de Espanha, a segurança de Portugal não existia, está aqui uma característica da política ibérica de Portugal, a defesa contra a União Soviética não podia ser convencional, onde cada país se defenderia por si, era necessária uma organização comum, e a Espanha era indispensável na defesa de Portugal.

Mas novos acontecimentos surgem em Portugal, entre eles a Guerra Colonial, a partir daqui a política externa portuguesa centra-se unicamente no problema colonial, Portugal começa então a sentir a hostilidade internacional até Abril de 1974.

Uma curiosidade: logo após II Guerra Mundial o regime franquista foi considerado um resíduo do fascismo e votado ao ostracismo, o regime salazarista foi considerado uma «benévola» ditadura que apresentava um justo equilíbrio entre formas de governo democráticas e totalitárias, mas sem incorrer nos excessos de uma ou de outra! A partir dos anos – 60 – tudo se modificou, o regime salazarista começou a ser abandonado pela Comunidade Internacional devido à Guerra Colonial, e o regime franquista desenvolve economicamente a Espanha e tem uma certa legitimação a nível internacional. Chegou a ganhar o Festival Eurovisão da Canção com a cantora Maciel, isto em 1968.

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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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